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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A promessa


 "Estamos tão ligados, já não temos o que temer"

Quando eu me apaixonei por você, foi sem perceber, sem querer, sem premeditar... quando eu me apaixonei por você eu não queria fazer esta confusão em sua mente, em sua vida, eu queria tão pura e simplesmente transformar-te num amigo-enamorado, num bem querer.

Quando eu me apaixonei por você, voltei a ver a vida, as coisas, as pessoas com olhos de menina, voltei a sorrir com a alma... Tudo se deu tão suavemente que quando eu percebi que me apaixonei por você, a afeição há muito já havia se transformado em amor.

Quando eu me apaixonei por você, eu voltei a ser pura porque tudo que havia de ruim em mim, se dissipou... os medos, a angústia, o passado...

Quando eu me apaixonei por você, eu imaginava te declarar tal amor com as mais belas e significativas palavras, mas eu não pude ordenar minhas emoções, e nada saiu como o planejado... ensaiado, tudo saiu sentido. As palavras poucas e confusas, o turbilhão de sensações que me devorava, o meu jeito desconsertado que você não viu... as energias cósmicas e explosivas foi tudo que sentimos.

Quando eu me apaixonei por você, eu já te admirava e eis que habita em mim um amor que não tem pretensão de acontecer... apenas existe e alimenta meu ser d'uma doce ilusão...

E se tudo isso for mesmo uma ilusão, ainda terei coragem para cantar versos de esperança e a alma pra sonhar sonhos de criança. Sinto-me, às vezes, confusa e sozinha, toda essa escuridão me assusta e meu êxito depende de enfrentar o que me amedronta, sinto um frio na espinha, não sei bem o que sou, não sei o que serei, não sei o que será... mas tenho ainda muitos sonhos apesar de não acreditar no futuro.

" I've still got your face painted on my heart, scrawled upon my soul, etched upon my memory..." vai dizendo a música que toca em meu rádio, enchendo meu apartamento de um grande vazio... uma angústia, me fazendo pensar que a solidão transforma em nada tudo que temos... e o mar à minha frente só faz aumentar minha sensação de "pequenez".

Música sem voz, laços sem nós, ausência de definição, existência sem razão, um cão sem dono, uma árvore no outono... parece que está sempre faltando alguma coisa. Não existe nenhum caminho pra ser seguido que não nos faça pisar num ou n'outro espinho.



 

sábado, 28 de setembro de 2013

Solidão

Caminho por entre espinhos, em cada andar.
Perco-me por entre passos curtos porém largos
Olho para o lado... Longe na distância que separa
A realidade ilusória construída por fragmentos de dor
E pedaços de sentimentos contraditórios.

Atravesso a tempestade de forma lenta e passiva
Meus olhos sangram ao enxergar,
O que não pode ser visto.
Perco os sentidos e a vida não mais é sentida,
Ela é expressa somente no instante vivido.

Dois caminhos se cruzam,
Duas estradas e um só pensamento,
A dúvida corrompe o caminhar,
Levando ao extremo da insanidade.

O que fazer se não há nada a ser feito?
O que mudar se a escolha não decide?
Esperar... Acordar... Continuar a caminhar...


Somos anjos de uma asa só.
Precisamos nos abraçar para alçar vôo.


Ao som de: Hate This And I'll Love You -  Muse

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Love Hate Love



No meu rádio a canção diz "tentei te amar, achei que podia, tentei ter você, achei que iria, perdido dentro da minha cabeça doentia vivo por você, mas não estou vivo, pegue minha mão antes que eu me mate, ainda te amo, eu ainda queimo..", enquanto Alice in Chains canta "Love Hate Love" eu vejo as horas passando lentas, com os pensamentos devorando o pouco de sanidade que me resta, perdida num abismo de verdades e mentiras onde um turbilhão de sentimentos me consomem por dentro e eu não consigo expressar, não consigo externar... Os pensamentos me perseguem, as lembranças me fazem sentir culpada e me sinto encurralada. Espero a ajuda do tempo, espero a ajuda de um deus no qual eu não consigo mais ter fé, espero chegar perto da cura me permitindo ser uma cobaia de procedimentos inovadores, espero por tudo esperando por nada... 

- A ferida vai cicatrizar um dia e a dor cessará mais cedo ou mais tarde e essas lágrimas que eu choro agora, secarão. Repito eu, para mim mesma.


Eu precisei criar tantas estórias e tantas ilusões pra suportar a realidade da minha vida e agora não consigo mais encontrar o caminho que me conduz a saída. Tudo se tornou cinza, enfadonho... E é uma angústia torturante querer mostrar como eu sou de verdade, mostrar porque eu criei esse universo e não conseguir... Me vejo com os pés atados em tantas mentiras,  em tantas fugas, em tantos disfarces e personagens que eu criei pra lidar com a minha dor, que eu já não sei mais quem sou eu de verdade, o que é a doença e o que é delírio...

"O abismo olha para mim, mesmo que eu não olhe para ele
Me persegue, me procura 
E me acha em berço doce 
Mas a lembrança das carícias brandas 
Me guarda da perdição 
Que seria minha existência rastejante 
Se não tivesse tido teus olhos, teu sorriso, tua mão doce em conforto...



Prosseguir é o mais difícil,
Desistir é possível,
Permanecer imutável na solidão de si mesmo
Com o tempo correndo ao contrário.

Perder o que não se tem,
Encontrar o que não se conhece,
Partir sem deixar marcas
Somente a procura do inexistente."




quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Sepultamento de um grande amor.


“…a minha dor é esta primavera que nasce e me mostra 
que o inverno se instalou definitivamente dentro de mim”.


Acho que não se pode sepultar nada sem chorar muitas lágrimas. Eu estou no vale das lágrimas, perdida no abismo que é pensar e sentir. Preciso me habituar ao vazio que você deixou e que eu insisto em não aceitar, sentir o peso da verdade que eu me recuso a acreditar...

Preciso aprender a andar pois já não possuo mais duas asas para voar, ficarei aqui com meus pés fincados ao chão me alimentando das lembranças do passado, até que um dia eu possa finalmente secar as lágrimas e andar de cabeça erguida com o vento batendo nos meus cabelos. 

Preciso te arrancar de dentro de mim, preciso expirar você e deixar o vento levar o que ficou de você em mim, preciso me esvaziar de tudo e deixar você num canto da memória, num porta retrato empoeirado na minha estante e lembrar de você de vez em quando, sem dor e sem saudades, sem culpas e sem mágoas quando eu ouvir uma das nossas músicas...


"Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo."


"Eu só aceito a condição de ter você só pra mim.
Eu sei, não é assim, mas deixa. 
Eu só aceito a condição de ter você só pra mim. 
Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir."


Ao som de: Creep - Radiohead / Dream On - Aerosmith / Creep - Stone Temple Pilots


Conto de Fadas pra suportar a vida...

Eu sustentei muitas farsas por muito tempo, doces mentiras inofensivas que davam um ar literário, cinematográfico ou épico à minha miserável e sofrida vida.  Era uma forma de alívio, de mascarar a dor e principalmente mascarar a vergonha, eu sempre tive muita vergonha da vida que eu levei como consequência da conduta dos meus pais e da forma como eles me tratavam. 

Quando eu era criança, passava o tempo a imaginar situações, estórias e vidas diferentes da que eu tinha... Sempre gostei dos livros porque eles me permitiam viajar sem sair do lugar e mantinham a minha mente fértil e sempre tive muita dificuldade em desvencilhar o real do imaginário, as coisas se permeavam e me confundiam e como minha memória sempre foi fraca isso foi criando raízes cada vez mais profundas em mim. 

Eu sempre gostei de imaginar, dar ares de grandeza a pequenas coisas, escrever com rimas ricas os eventos do cotidiano e como não prejudicava ninguém fui me embrenhando por esse caminho cada vez mais e mais... 

Eu sempre fui teatral, desde a infância, eu gostava de encenar no espelho, criar personagens e fazer monólogos, quando cresci isso me acompanhou na escola onde as minhas redações eram sempre aclamadas, e isso foi me seguindo, me seguindo silenciosamente e começou a fazer parte de mim... 

Eu sempre tive tendência ao exagero e sempre gostei de fantasiar a realidade... Porque sempre foi difícil para mim encarar a minha realidade.

"Quem é mais sentimental que eu?
Eu disse e nem assim se pôde evitar (...)
No abismo que é pensar e sentir"


domingo, 18 de agosto de 2013

Deixando a vida me arrastar...

Não sei se todas as coisas que tenho feito, pensado e falado nos últimos meses são realmente "viver", ou se são apenas desculpas que eu invento pra mim mesma fingir que está tudo bem. Não sei se realmente eu estou "aproveitando a vida" ou cavando um buraco ainda mais fundo para mim mesma. Não sei até quando precisarei de novos personagens, nomes e rostos na minha história, não sei até onde vou levar isto, não sei até quando isso vai continuar a me seguir e perseguir... Não sei até quando minha auto-estima e auto-confiança irão depender de apoio externo... Usando e me permitindo ser usada, me sinto infeliz e solitária depois que a "onda" passa... Entre surtos de raiva e tristeza, de um ciclo a outro a decepção de alguém que se vê caindo nos mesmos erros de antes e de sempre...





domingo, 3 de fevereiro de 2013

O "grande jogo das indiretas"

Eu sou uma tagarela incondicional... Gosto de falar, gesticular e ser o centro das atenções. Mas, às vezes, a única solução visível é calar-se... Silenciar tanto as dores quanto a esperança. Pois mesmo a tagarela que sou, sabe que não adianta gritar por socorro quando todos estão surdos

Sou doente, nada mais, nada menos. Não escolhi ser assim e meus sintomas clínicos e psiquiátricos não podem ser tratados meramente como um "jogo de indiretas". Meus sintomas me doem, me fazem sofrer e sangrar e ainda que o TPB agora seja um fantasma mais conhecido e mais controlado, ainda que ele tenha se tornado "apenas" um traço, eu ainda sou uma criatura com necessidades especiais

A mesma criatura que vem sendo negligenciada desde a infância, a adolescência... mas já não adianta remoer o passado, nada acontece, nada muda... Os responsáveis pelo meu cárcere emocional se premiaram com a auto absolvição, não há consciência, nem remorso... nada! Eles acreditam ter agido da maneira correta. Já falei disso aqui antes, e antes e antes... O passado não muda e infelizmente, o presente o tem imitado. 

Eu sou apenas uma jogadora veterana no hall das indiretas... Eu estou tão cansada que resolvi silenciar, engolir o amargo da vida e aceitar que certas pessoas não mudam, que o mal predomina em muitas pessoas e que poucos são os seres humanos capazes de entender alguém extremamente sensível e assustado. 

Minha criança interior, negligenciada e amedrontada não consegue confiar em ninguém...

Vou manter meu silêncio, ele é a voz da minha desesperança e da minha total incredulidade em dias com pessoas melhores. O que são pessoas melhores? O que são pessoas boas? Até quando elas permanecem "boas"? Por quais razões?




"Escuridão já vi pior 
De endoidecer gente sã 
Espera que o sol já vem... 
Tem gente que está 
Do mesmo lado que você 
Mas deveria estar do lado de lá 
Tem gente que machuca os outros 
Tem gente que não sabe amar... 
Tem gente enganando a gente 
Veja nossa vida como está 
Mas eu sei que um dia
A gente aprende 
Se você quiser alguém 
Em quem confiar 
Confie em si mesmo... 
Quem acredita Sempre alcança..."

domingo, 5 de agosto de 2012

Chuva de canivetes

Embora fosse verão, a noite estava fria e Lisa se molhava enquanto caminhava pra casa embaixo de uma chuva que parecia não ter fim. Na mesma noite, curiosamente mais quente, seu namorado estava num ambiente aconchegante e seco. Não era uma boa noite, pelo menos pra ela…

Ela queria proteção, pois na noite escura ela saltava os olhos para todos os lados em busca de algum perigo. Não queria mesmo in


comodar seu namorado com medos bobos de uma menina que não havia crescido direito e ainda sentia medo de trovões e do escuro. Só não queria estar ali sozinha, assustada e minúscula.

Ao ligar, ele disse que não era para ela esperar por ele.

E uma tempestade começou dentro dela… Choviam canivetes. Não sabe como chegou em casa, mas quando se deu por si estava embaixo do chuveiro, chorando, menos amortecida do que gostaria, sentindo aquilo não só na pele, como também na carne. Lisa só não queria estar ali.

Sem forças pra acreditar naquilo, ela se sentou no box, e deixou esvair-se junto com a água que corria pelo seu corpo. Queria descer pelo ralo também. Só pra não precisar estar ali, sentindo tanto…

Ela só queria que o coração parasse de querer sair pela boca, e que não vertesse mais lágrimas pelos seus olhos, então mesmo sem forças ela levantou, se secou, trocou de roupa, tudo mecanicamente. Deitou para dormir.

Mas não se sabe se Lisa realmente dormiu naquela noite.






terça-feira, 10 de julho de 2012

Como é que eu troco de canal?

Muitas vezes, tarefas banais, como assistir um seriado, um filme ou ouvir uma música se tornam terrivelmente dolorosas para mim e claro, ninguém entende o que se passa...  O que acontece é que muitas das vezes, as cenas, imagens, diálogos, nomes e tudo que esta contido nos programas da televisão ou nas letras das músicas me deixam mal, começam a se misturar com a minha vida, eu faço relações com acontecimentos e me enfureço, sinto medo, me deprimo, me culpo e me vitimizo. É tudo tão rápido que não consigo prever ou controlar, a emoção me toma de súbito e quando vejo, o caos já se instalou, as brigas já começaram (não só as brigas com quem convive comigo, como as brigas internas com meus fantasmas interiores). Pra um borderline, até o lazer pode se tornar um veneno.

"Ah, vida real.... ah, vida real.... Como é que eu troco de canal?"



domingo, 13 de maio de 2012

Totalidade do ser

Muitas preocupações, muito estresse no trabalho e na faculdade, muitas frustrações e os velhos fantasmas de sempre à solta, minha cabeça parece uma panela de pressão, moendo e remoendo essas coisas sem parar, e o inevitável bate a porta... Meu segundo final de semana doente, indisposta. E depois, ainda tem gente que não acredita na tríade do ser, o mental, o espiritual e o físico. 
Pobres daqueles que acreditam que apenas intervenções biológicas e medicamentosas podem curar um ser na sua totalidade. Tolos que são...


domingo, 6 de maio de 2012

Peso nas costas...

É muito angustiante e desesperador para mim sentir um cansaço irremediável, um espinho cravado no meu pé que não posso arrancar, simplesmente porque não depende de mim. É terrível sentir um cansaço não-físico mas, que acaba repercutindo no meu corpo quando sinto o sono do desânimo e da depressão, por ter que pagar por algo que foi escolhido por outras pessoas há quase uma década atrás... E agora, resta a mim, conviver com isto dia após dia, fazendo uma força maldita pra não explodir e dizer (mais uma vez) tudo que eu penso.Dessa vez a terapia tem sua importância, foi orientação da minha terapeuta não me envolver e não tentar resolver os problemas dos outros, não me sentir responsável por isso e tão pouco assumir pra mim a necessidade (ou obrigação?) de fazer alguém dar certo... Isso não é problema meu, eu preciso repetir este mantra:" o problema não é meu" e só faz parte de mim enquanto eu aceitar, permitir e quiser. 


sábado, 18 de fevereiro de 2012

Sonho inútil, à esperança sem vestígios.



" Será que tudo nessa vida é um precipício que nos faz chorar? 
Salto para um rio de lágrimas."


Sou uma sinfonia de dor manchada de sangue, de todos os sonhos que eu tinha embrulhados em papel de seda dos sonhos, tudo se tornou cinza e frio... O vazio me cerca e me apavora. Já não tenho mais a ingenuidade pra acreditar num futuro melhor, tomei meu fardo e em silêncio me coloquei na estrada, emudecida de sons articulados, sendo atormentada pelos gritos e gemidos dos meus pensamentos.
Acreditei em ti, de tanto que acreditei me lancei às brumas da ilusão e caí, me despedacei... Talvez seja nebuloso demais pra qualquer ser entender o que se passa aqui dentro entre calmarias e tempestades violentas... Sinto o desânimo corroendo meus ossos feito câncer, sinto minhas verdades se esmaecendo diante dos meus olhos, sinto meus sonhos virando pó... 


Em meus mais belos sonhos de amor, segui rumo ao impossível dos homens, voei na direção dos astros do céu, contrariei minhas certezas, mergulhei no escuro... Trouxe pra ti embalado em papel-seda-dos-sonhos as mais brilhantes e luminosas estrelas do céu e depositei-as em tuas mãos... mãos reais, desprovidas da energia dos sonhadores, transformaram estrelas em areia... sombras de sonhos, cacos de ilusão.

Meu céu não te foi o bastante, todas as minhas mais puras verdades te soaram como mentiras. Meu amor, fraca chama, que não te levou a cuidar de mim, me proteger, me fazer sentir única. E logo eu, que só queria te fazer feliz, te dar asas, te guiar por terras distantes e desconhecidas, vestir você de alegria, despir-te de seus medos... 


Te dei tudo que havia de mais belo em meu mundo, te dei versos, rimas, prosa, sonhos infantis, sorrisos, emoção... meu coração. Eu quis te dar tudo, quis te mostrar tudo, queria que fosse diferente, forte e especial... Me lancei às brumas, joguei tudo aos ares só pra te seguir; Já não temia a escuridão, pois tua mão era meu guia e teu sorriso minha luz. 


Mas não importa o quanto entusiasta eu seja, sempre hei de sofrer, minha maldição é ter em meu peito este coração que insiste em bater, que se entrega por inteiro e morre aos poucos. 


Tu, ao contrário de mim, não segurou na cauda dos cometas, não se encantou com o brilho das estrelas, nem ouviu a melodia do mar, por isso não bailou... O que tu queres é apenas um laço com a realidade, com toda essa lógica fria, sinistra e desumana, desprovida da energia dos sonhos e das doces ilusões; Precisas me ferir no âmago, precisas tocar minhas feridas e fazê-las sangrar. Não bastaram os pedidos suplicantes para que compreendesses minhas fraquezas e limitações, meus olhos tiveram que ver a terrível realidade que eu não suporto. Não espera uma foto daquelas no meio das suas coisas... outra mulher, nua... E você dizendo que era apenas eu que te provocava os instintos mais sacanas. Tu me transformou numa qualquer, numa vadia sem amor próprio, como ela sempre foi. Suas mentiras e desculpas esfarrapadas sempre doeram e ainda doem...


As incontidas lágrimas doídas, inundam meu ser, encharcam minha camisa, e causam uma dor profunda e terrível no meu coração, e este choro abafado, doendo no fundo da alma é o reflexo do terremoto que me assolou... O que hei de ser? Uma sonhadora solitária, resto e cinzas de sonhos, a criança má que em vão espera seu presente de Natal... 


O sonho foi reduzido a desesperança, a magia manchada de preto... Mas eu seguirei, ainda que soluçante com meu coração livre de culpa... eu jamais deixei de confiar em ti; Jamais tive dúvidas, olhando nos seus olhos, se me querias bem ou mal. E graças a Deus por não ter sido eu a primeira a pincelar com tinta preta o que somos, o que poderíamos ser... 


Eis meu mal: amar demais as pessoas, dar-lhes meu céu pra voarem livremente, fazê-las escalar a mais alta montanha só pra que fique bem claro que são importantes e únicas. Eu sonho muito, fantasio muito a vida, me empolgo, me entrego demais... Preciso aprender a pisar com os dois pés no chão, preciso aprender a ser mais fria, preciso aprender a controlar minha emoção... e bem sei que prefiro a morte que viver maquinalmente! 


Recolho meus cacos... os cacos de um coração partido, sento neste trecho da estrada com os cotovelos sobre os joelhos e com o queixo nas mãos... penso que de nada vale a vida quando os sonhos são desfeitos, quando no lugar da fantasia fica a decepção... 


Por ora, sou apenas isso... lágrimas, soluços, desilusão e dor. Só em pensar no quanto você demorou pra aparecer em minha vida e ver as coisas tomando esse rumo, as lágrimas doem-me tanto que parecem minh'alma rasgando meu corpo numa fuga desesperada.


Minha única opção é aceitar o fardo que a vida me impôs com resignação, esperando um alívio (talvez), entendendo que minha cura não pode vir de fora (e por enquanto, nem de dentro). Já não acredito mais em nada, não mais nada para acreditar...



"Tenho que escolher o que detesto — ou o sonho, que a minha inteligência odeia, ou a ação, que a minha sensibilidade repugna; ou a ação, para que não nasci, ou o sonho, para que ninguém nasceu. Resulta que, como detesto ambos, não escolho nenhum; mas, como hei de, em certa ocasião, ou sonhar ou agir, misturo uma coisa com outra.
Pedi tão pouco à vida e esse mesmo pouco a vida me negou. Uma réstia de parte do sol, um campo, um bocado de sossego com um bocado de pão, não me pesar muito o conhecer que existo, e não exigir nada dos outros nem exigirem eles nada de mim. Isto mesmo me foi negado, como quem nega a esmola não por falta de boa alma, mas para não ter que desabotoar o casaco." Fernando Pessoa - o Livro do Desassossego



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Vazio e abandono



Não há nada que eu possa fazer, 
Minha necessidade é sabida, mas não há nada que eu possa fazer.
Não posso enfrentar meu maior temor de uma hora pra outra assim...
Estou com medo, estou sozinha e nada que faça ou diga faz com que entendam que eu simplesmente não posso ainda, eu não consigo...

Estou na corda bamba, no campo minado, no vazio, na escuridão. O corpo físico já externa o resultado das seguidas investidas do plano mental e emocional contra mim, eu respiro fundo, finjo um sorriso, suspiro e os lábios dizem que está tudo bem enquanto a alma grita pelas janelas dos olhos por socorro, mas ninguém vê. Insônia, dores de cabeça, pontadas agudas no peito, ataques súbitos de raiva, ondas de terror, calafrios, alucinações, diarreia, tremores, falta de apetite, falta de ânimo são apenas alguns exemplos do caos que vivo aqui dentro. 

As ondas estão batendo violentamente nos rochedos e ninguém pode pará-las.

Socorro eu grito em vão. 
As pessoas lá de fora tentam me convencer com argumentos e fatos que tudo que eu sinto é desmedido, errado e desproporcional, elas me fazem sentir pior do que eu já me acho. 
Estou vivendo o caos.

As ondas estão batendo violentamente nos rochedos e ninguém pode pará-las. 

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Terror de Amar...

Terror de te amar num lugar tão frágil como o mundo
Medo de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa

Onde as palavras, por ti já ditas, me dilaceram alma, mente e coração
Me atormenta sentir tudo que eu sinto...
Sinto o medo
Sinto medo de tudo, me sinto menor que todos
O medo povoa minha mente, habita meu ser e me aniquila...
Tenho medo...
Medo de te amar e me enganar
Medo de me ferir e te machucar
Tenho medo de te amar neste lugar de imperfeição 
Onde tudo me fere e diminui, onde a todo instante vivo o medo de ser deixada
Sinto medo e já não posso mais falar, 
Pois tu já se cansas do meu pesar
Minha dor, hoje, emudeci pra cumprir a promessa que te fiz...


Desde a minha infância fui prisioneira do silêncio. Minha família nunca tinha tempo pra me ouvir ou simplesmente tratava por "besteiras" as minhas necessidades. Sempre tratavam meu modo de ver as coisas como um grande ciclo cansativo e interminável de conversas que não levavam a lugar nenhum, um tribunal onde todos eram culpados e eu inocente, mas não era bem isso que queria dizer, eu só precisava expor minhas dores, minha amargura e ninguém nunca pôde ou nunca quis verdadeiramente me ajudar. Então, cansada de ser mal compreendida, com medo de cansar a todos e acabar sozinha, com medo de ser deixada, desprezada eu me calava, engolia o fel dia após dia em silêncio, fingia ser o que jamais poderia ser, fingia ser "normal". Me esforçava a viver do modo que eles, que todas as pessoas que entraram na minha vida, achavam normal, tolerável e aceitável... mas apesar do imenso  esforço eu sempre fracassava, sou borderline, não sou normal e continuo gritando em silêncio por socorro.

Sofro em silêncio e em uma cantiga muda me encolho em seus braços, retendo lágrimas.



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Chove...

Chove... 
Mas isso que importa!, 
se estou aqui abrigada nesta porta 
a ouvir a chuva que cai do céu 
uma melodia de silêncio 
que ninguém mais ouve 
senão eu? 





segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Nervos a flor da pele

Tenho andado com o humor bastante variável, de alegre a raivosa. De tempos em tempos eu tenho crises de mergulhar de encontro a tudo que já me machucou um dia, reviver dolorosamente o passado e sentir a raiva com a cobrança dos juros, e estou nesse processo agora. Relembrando e revivendo toda a raiva, tristeza, frustração, decepção que já passei antes, mas que nunca me abandonam. A frustração está sempre aqui, tudo que me causa dor está sempre aqui, dentro de mim, do meu peito e este sangra e dói sem que o tempo passa agir anestesicamente, o tempo não alivia a dor, nunca!

Outra coisa que tenho percebido é que estou muito antisocial ultimamente, as pessoas me irritam, pessoas agindo de forma mal educada me irritam profundamente, tenho vontade de mandá-las calar a boca, tenho vontade de me livrar de todas elas. Lugares cheios me incomodam muito, ver a forma como as pessoas lidam umas com as outras, sempre querendo se dar bem, sempre querendo passar por cima do direito das outras, sempre querendo dar um "jeitinho", me deixa muito irritada. Celulares com alto falante estão na moda e fones de ouvido pelo jeito não, dessa forma a educação passou a ser artigo de luxo, e as pessoas andam de transporte público ouvindo música alta com esses tais celulares, e isso me deixa fula de raiva. Esse é só um pequeno exemplo. Não suporto essa coisa de:  "se dar bem burlando a lei e se favorecendo a qualquer custo", isso me deixa extremanente furiosa. Então, evito sair de casa, evito os locais públicos ainda mais nesta época de Natal, onde qualquer lugar mais parece um formigueiro de tão cheio, mas por outro lado, isso me entedia, porque me deixa trancafiada em casa.

É um transtorno difícil, é uma vida bastante desafiadora... mas eu acredito verdadeiramente em dias melhores. Por isso o vídeo aí embaixo, essa música me faz sentir bem, aliás, tudo que envolve meu trabalho, tude que envolva música me faz sentir bem, ainda mais músicas com vibrações positivas ou alto astral contagiante.


True Believer

Estou aqui agora por causa de você
Você é a razão de eu fazer o que faço
Como o fantasma quando você me chama eu estarei ali
Sempre que estou perto de você não devo temer

Por causa de você
Isto é o que eu faço
(vamos lá, vamos)
Por causa de você
Eu sou um verdadeiro acreditador

Sou um verdadeiro acreditador
Estou com você através da noite
Você é minha inspiração na vida
Sou um verdadeiro acreditador
Então não deixe de lutar
Você é minha inspiração na vida

Me dê, me dê tudo que tem
Você e eu podemos chegar no topo
Como dois super-herois nós podemos salvar o dia
Deixe a música nos levar a algum lugar distante

Por causa de você (Apenas de você)
Isto é tudo que eu faço (que eu faço)
(vamos lá, vamos)
Por causa de você
Sou eu verdadeiro acreditador

Sou um verdadeiro acreditador
Estou com você através da noite
Você é minha inspiração na vida
Sou um verdadeiro acreditador
Então não deixe de lutar
Você é minha inspiração na vida

Sou um verdadeiro acreditador
Estou com você através da noite
Você é minha inspiração na vida

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

As agressões emocionais na minha família x Natal

Minha infância foi marcada por maldade, tortura e crueldade exercidas velada e dissimuladamente. Esse tipo disfarçado de crueldade e maldade incluía toda espécie de chantagens emocionais, cerceamentos de liberdade, desrespeito, omissões e opressões que familiares dirigem uns contra os outros de forma surda, calada e, muitas vezes, socialmente irreprimível. Tais maus tratos jamais foram feitos de forma "clássica" e "franca". Aí ficaria muito fácil diagnosticar a dinâmica familiar deturpada. Minha mãe agia assim o tempo todo comigo e com minha irmã mais nova.
Eram incontáveis os números de comentários críticos, mordazes, amargos ou depreciativos, a presença de hostilidade, direta ou dissimulada e um nível muito alto de envolvimento emocional estressante. Agressões emocionais são aquelas que, independentemente do contacto físico, ferem moralmente

Eu cresci nesse panorama e esse meu mal estar fica mais evidente com a chegada do final do ano e do Natal, festa que parece esfregar famílias felizes na cara de quem não tem... Sempre me senti muito mal com a chegada do Natal, preferia que essa data hipócrita não existisse, pois me faz lembrar das vezes que minha mãe demonstrava um comportamento carinhoso (se é que se pode chamar algo tão nojento de carinho) na frente dos outros e me chamava de coisas carinhosas mas no fundo, no fundo tinha um tom de desprezo, deboche ou pouco caso, um olhar frio, distante.

Muitos dos meus medos, insegurança e não aceitação vem dessa época, eu sei disso... E tentar falar dessa época me deixa confusa, a memória falha, as emoções ficam à flor da pele e o raciocínio se perde, como se eu mesma estivesse me protegendo de lembranças tão dolorosas...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Tudo é ilusão. É tudo como correr atrás do vento.

Me sinto uma completa estúpida vivendo da forma como eu vivo, valorizando o que mais ninguém valoriza, tentando fingir que posso ignorar, fingir não ligar, desprezar, virar a cara e não estar nem aí... Por quantos malditos segundos eu consigo realmente agir assim? Durante quanto tempo eu finjo não ligar mas por dentro eu me remoo, me mordo e me torço de desespero, quando o que eu mais quero é gritar que me importo sim, que pra mim pequenas coisas importam sim, e muito! Que pra mim o sentimento ainda vale muito mais que qualquer outra coisa, que pequenos gestos, olhares, papeizinhos rabiscados, recados na geladeira, mensagens no celular e toda sorte de bobagens pra mim são fundamentais. Eu só queria que as pessoas valorizassem minhas demonstrações de afeto como eu valoro cada gesto afetivo que me faz deixar de ser o vulcão em erupção pra ser a menina sorridente que corre descalça no gramado vivo de uma tarde de primavera.
O problema é que ninguém dá real valor a isso e sempre que podem ainda tentam justificar seu pouco caso com o que realmente deveria ter valor com coisas superficiais, apelando pra uma lógica fria e normal. Mas o que seria normalidade?! Deletar um recado poético e romântico sem sequer clicar com o botão direito e copiar pro caso de dar algum erro no site? Tudo bem, eu disse que ia deletar e consertar o erro de digitação... Mas custava esperar a segunda publicação corrigida pra deletar a primeira? Custava fazer uma maldita cópia num maldito bloco de notas só pro caso de "dar merda" no site, como acabou dando?! Não, não... mais fácil é colocar a culpa em qualquer coisa que justifique não dar valor aos meus sentimentos nobres sendo tratados como qualquer coisa que possa ser reescrita, refeita como se eu fosse algo programável.  Tudo é ilusão. É tudo como correr atrás do vento. E o que dá mais raiva é  que alguns imbecis são capazes de guardar bilhetinhos mal escritos por anos e deletar uma poesia sem sequer fazer uma mísera cópia, mas como já dizia Cazuza, não adianta escrever poesia em papel higiênico e dar sentimentos nobres para que idiotas limpem o cú.
Sempre fico me perguntando porque quanto mais vadia e promíscua uma mulher é, mais os homens a idolatram. Tem horas que dá vontade de incorporar quantas pombas-giras me forem permitidas e sair por aí, sendo aquilo que os homens tanto adoram valorizar, uma puta! Mas não, meu pudor e minha maldita moral me fazem andar por aí feito uma palhaça, uma palhaça chorona que vive pedindo a atenção e que seus sentimentos nobres e idiotas sejam valorizados e tratados como tesouro. Eu faço de mim mesma uma verdadeira palhaça, um fiasco digno de vergonha!


Nota mental: Não posso tomar Predsin comprimidos, graças a esta maldita droga, estou pernoitada, mal humorada, com os nervos a flor da pele, rastejante como um bebê faminto e agressiva como uma cobra prestes a dar um bote.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sobrevivendo em meio a crise.


Estou sobrevivendo a uma série de crises ultimamente, infelizmente estou mergulhada num humor pessimista e sentindo uma grande preguiça pra iniciar qualquer projeto novo ou até mesmo dar continuidade aos já existentes. Quando estou assim, eu respiro fundo, durmo e procuro me envolver com coisas que me deixem feliz e me afasto das pessoas que costumam me ferir, ouço músicas que me joguem pra cima e espero a poeira baixar. Por enquanto é só o que posso fazer. O psiquiatra de ontem me deixou muito abatida e prostrada hoje... Como ele pôde descartar de cara a hipótese do TPB simplesmente porque nunca me cortei, queimei e por não ter uma ocorrência policial. Ele realmente pensa que os portadores de TPB são apenas criminosos e pessoas com potencial pra automutilação? Ele ignora todos os demais sintomas?! Sequer para pra analisar meus "sintomas" e minhas queixas de mais de 12 anos onde tudo acontece da mesma maneira, sempre as mesmas idealizações, sempre as mesmas frustrações, sempre a cisão, sempre a desvalorização do outro quando qualquer não era dito pra mim. Enfim... ele sequer quis me ouvir, me rotulou bipolar porque nunca andei numa viatura policial. Como pode ser tão limitado?



 Sintomas (claro que nem todas as Borderline tem todos estes sintomas):

  • Medo de abandono: uma necessidade constante, agoniante de nunca se sentirem sozinhas, rejeitadas e sem apoio.

  • Dificuldade de administrar emoções.


  • Impulsividade.

  • Instabilidade de humor. As oscilações de humor do DAB ou TAB - Distúrbio ou Transtorno Afetivo Bipolar duram semanas ou meses, mas as Borderline têm oscilações de minutos, horas, dias. Essas oscilações de humor incluem depressões, ataques de ansiedade, irritabilidade, ciúme patológico, hetero- e auto-agressividade. Uma paciente marca a consulta informando que está super deprimida, querendo morrer. No dia seguinte chega à consulta bem humorada, bem vestida, maquiada, vaidosa.


  • Comportamento auto-destrutivo (se machucar, se cortar, se queimar). As portadoras de Borderline dizem que se machucam para satisfazer uma necessidade irresistível de sentir dor. Ou porque a dor no corpo "é melhor que a dor na alma".

  • Tentativas de suicídio, mais freqüentemente as de impulso do que as planejadas.


  • Mudanças de planos profissionais, de círculos de amizade.

  • Problemas de auto-estima. Borderlines se sentem desvalorizadas, incompreendidas, vazias. Não tem uma visão muito objetiva de si mesmos.

  • Muito impulsivas: idealizam pessoas recém conhecidas, se apaixonam e desapaixonam de maneira fulminante.

  • Desenvolvem admiração e desencanto por alguém muito rapidamente. Criam situações idealizadas sem que o parceiro objeto do afeto muitas vezes nem tenha idéia de que o relacionamento era tão profundo assim...

  • Alta sensibilidade a qualquer sensação de rejeição. Pequenas rejeições provocam grandes tempestades emocionais. Uma pequena viagem de negócios do namorado ou marido pode desencadear uma tempestade emocional completamente desproporcional (acusações de rejeição, de abandono, de não se preocupar com as necessidades dela, de egoísmo, traição, etc).

  • A mistura de idealização por alguém e a extrema sensibilidade às pequenas rejeições que fazem parte de qualquer relacionamento são a receita ideal para relacionamentos conturbados e instáveis, para rompimentos e estabelecimento imediato de novos relacionamentos com as mesmas idealizações.

  • Menos freqüente: episódios psicóticos (se sentirem observadas, perseguidas, assediadas, comentadas).

Tudo que eu sublinhei eu tenho, eu sinto. Não por querer, não por ter escolhido ser borderline, não por achar que ter tal transtorno seja glamouroso ou motivo de orgulho... Eu sou borderline, talvez pelos frequentes maus tratos que minha mãe dispensava a mim, pela frieza e crueldade das palavras e dos castigos que ela me submetia, pelas vezes que me deixava trancada no quarto, me comparava as outras crianças, se desfazia das minhas demonstrações de carinho sempre respondendo "o que é você quer de mim pra ficar de falsidade?", pelas vezes que ela me disse que eu era tão ruim que nem a tentativa de me abortar tinha dado certo, por eu não recordar de nenhum momento de afago ou afeto, mas sim de todas as vezes que ela me chamava de "maldita", "desgraçada", "peste", "imunda" e tantas outras ofensas enquanto seu olhar pra mim era de desprezo ou nojo. Meu pai, era muito rígido e conservador, não havia agressão física da parte dele, mas havia a imposição de inúmeras regras inquebráveis, ele sempre foi inflexível.

Por hoje é só, começo a me sentir demasiadamente irritada com tudo que me cerca. Vou escutar uma música, jogar um jogo qualquer, comer...


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