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sábado, 28 de setembro de 2013

Solidão

Caminho por entre espinhos, em cada andar.
Perco-me por entre passos curtos porém largos
Olho para o lado... Longe na distância que separa
A realidade ilusória construída por fragmentos de dor
E pedaços de sentimentos contraditórios.

Atravesso a tempestade de forma lenta e passiva
Meus olhos sangram ao enxergar,
O que não pode ser visto.
Perco os sentidos e a vida não mais é sentida,
Ela é expressa somente no instante vivido.

Dois caminhos se cruzam,
Duas estradas e um só pensamento,
A dúvida corrompe o caminhar,
Levando ao extremo da insanidade.

O que fazer se não há nada a ser feito?
O que mudar se a escolha não decide?
Esperar... Acordar... Continuar a caminhar...


Somos anjos de uma asa só.
Precisamos nos abraçar para alçar vôo.


Ao som de: Hate This And I'll Love You -  Muse

sábado, 26 de maio de 2012

Quase 30.

Estou há algumas horas de completar 30 anos e não sinto nenhuma animação pra comemorar nada. Não é pelo impacto da chegada dos 30, porque no meu caso, chegar até aqui diante de todas as circunstâncias me faz uma sobrevivente. Mas no fundo da minha alma ecoa o vazio de quem não tem nada a comemorar a não ser aquela velha ideia que as pessoas tem de agradecer a Deus por permanecerem respirando. Não são as minhas escolhas (diretas) que me colocam neste mar de angústia e tristeza, são as escolhas dos outros que interferem na minha vida, que alteram minha rotina de "paz controlada" que me incomoda. A sensação do vazio me dilacera a alma, atravessa minhas células uma a uma e me reduz a um sistema orgânico, nada mais que um sistema orgânico funcionando. E para qualquer um é muito fácil opinar com o que fazer e como fazer, o que pensar e o que dizer, mas o único problema é: ninguém vive aqui dentro, ninguém sente minhas dores e meus medos, sendo assim dispenso a hipocrisia dos discursos de auto ajuda. A solidão, ainda que momentânea me apavora e o que eu posso fazer? Talvez procurar alguém que se preocupe com o meu dever de casa...


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sozinha

"Às vezes te odeio por quase um segundo

Depois te amo mais
Teus pelos, teu gosto, teu rosto, tudo
Tudo que não me deixa em paz

Quais são as cores e as coisas pra te prender?"

v
Eu tenho medo de ficar sozinha...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Vazio e abandono



Não há nada que eu possa fazer, 
Minha necessidade é sabida, mas não há nada que eu possa fazer.
Não posso enfrentar meu maior temor de uma hora pra outra assim...
Estou com medo, estou sozinha e nada que faça ou diga faz com que entendam que eu simplesmente não posso ainda, eu não consigo...

Estou na corda bamba, no campo minado, no vazio, na escuridão. O corpo físico já externa o resultado das seguidas investidas do plano mental e emocional contra mim, eu respiro fundo, finjo um sorriso, suspiro e os lábios dizem que está tudo bem enquanto a alma grita pelas janelas dos olhos por socorro, mas ninguém vê. Insônia, dores de cabeça, pontadas agudas no peito, ataques súbitos de raiva, ondas de terror, calafrios, alucinações, diarreia, tremores, falta de apetite, falta de ânimo são apenas alguns exemplos do caos que vivo aqui dentro. 

As ondas estão batendo violentamente nos rochedos e ninguém pode pará-las.

Socorro eu grito em vão. 
As pessoas lá de fora tentam me convencer com argumentos e fatos que tudo que eu sinto é desmedido, errado e desproporcional, elas me fazem sentir pior do que eu já me acho. 
Estou vivendo o caos.

As ondas estão batendo violentamente nos rochedos e ninguém pode pará-las. 

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Terror de Amar...

Terror de te amar num lugar tão frágil como o mundo
Medo de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa

Onde as palavras, por ti já ditas, me dilaceram alma, mente e coração
Me atormenta sentir tudo que eu sinto...
Sinto o medo
Sinto medo de tudo, me sinto menor que todos
O medo povoa minha mente, habita meu ser e me aniquila...
Tenho medo...
Medo de te amar e me enganar
Medo de me ferir e te machucar
Tenho medo de te amar neste lugar de imperfeição 
Onde tudo me fere e diminui, onde a todo instante vivo o medo de ser deixada
Sinto medo e já não posso mais falar, 
Pois tu já se cansas do meu pesar
Minha dor, hoje, emudeci pra cumprir a promessa que te fiz...


Desde a minha infância fui prisioneira do silêncio. Minha família nunca tinha tempo pra me ouvir ou simplesmente tratava por "besteiras" as minhas necessidades. Sempre tratavam meu modo de ver as coisas como um grande ciclo cansativo e interminável de conversas que não levavam a lugar nenhum, um tribunal onde todos eram culpados e eu inocente, mas não era bem isso que queria dizer, eu só precisava expor minhas dores, minha amargura e ninguém nunca pôde ou nunca quis verdadeiramente me ajudar. Então, cansada de ser mal compreendida, com medo de cansar a todos e acabar sozinha, com medo de ser deixada, desprezada eu me calava, engolia o fel dia após dia em silêncio, fingia ser o que jamais poderia ser, fingia ser "normal". Me esforçava a viver do modo que eles, que todas as pessoas que entraram na minha vida, achavam normal, tolerável e aceitável... mas apesar do imenso  esforço eu sempre fracassava, sou borderline, não sou normal e continuo gritando em silêncio por socorro.

Sofro em silêncio e em uma cantiga muda me encolho em seus braços, retendo lágrimas.



quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Frágil

Quando li estas palavras pela primeira vez, fiquei paralisada, pasma, emocionada... Cada palavra parece que foi sentida e escrita por mim mesma. Me admira quando alguém escreve o que eu sinto com profunda exatidão...




Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar.

(Caio Fernando Abreu)




"Acompanha-me a casa
Já não aguento mais
Deposita na cama
Os meus restos mortais
Frágil
Sinto-me frágil
Frágil
Esta noite estou tão frágil."

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Raiva da Solidão, Medo do Abandono

Existe dentro da minha alma uma raiva da solidão tão grande que chega a ser incontrolável. A solidão gera meu sofrimento, o medo do abandono me faz perder o controle e me sentir desesperada. É como olhar para o horizonte e avistar apenas a árvore negra tortuosa. O frio me arrepia, o silêncio invade, o cérebro combina idéias, os olhos se banham em uma melancolia irritante. A tristeza invade a alma e não mais sai. Os pensamentos se tornam movimentos de elétrons e saem como faíscas no fio não recapado. São breves e incômodos, leves e autônomos… Impossível prever a reação da alma diante dos fatos rotineiros que machucam e que acabam cegando. Cegam por dentro, pois a visibilidade é a mesma, a interpretação é que se torna fria e distante. A solução é me unir ao que tanto odeio, pois acaba sendo a minha única companhia. Mesmo que eu não queira, acabo querendo por obrigação do ser pensante por detrás desse tolo ser. Minha dor escondida a 7 chaves vai lentamente se perdendo no meu interior. Ela invade e não pede licença, ela faz maldades e se diverte, se alimenta...



terça-feira, 16 de outubro de 2007

A verdadeira morte é o esquecimento...


Não sei com precisão quando este assombro invadiu minha alma, não saberia datar a minha morte... Apenas vejo-me como agora, sozinha, amargurada e destituída de sonhos. Aconteceu lentamente e pouco a pouco minha força vital foi se esvaindo. Perdi os sonhos, perdi a confiança, perdi a esperança, perdi o amor... Não por deixar de acreditar nele, mas sim, por ver alguém, transformando em terra todas as estrelas que eu coloquei nas suas mãos. Todas as mais belas imagens desenhadas em papel-seda foram borradas, rasgadas... jogadas ao ar e a própria sorte... As mais belas imagens em papel tão frágil, o mais forte amor em um coração tão sensível... Não poderiam resistir por mais tempo, suportaram bravamente a dor até que expiraram com lágrimas pela batalha travada sem que se quisesse, batalha travada e perdida.

E eu... Eu me vejo morte emocionalmente, decepcionada com o que um dia foi meu maior desejo e minha maior inspiração. Você não mediu suas palavras, não mediu a consequência dos seus atos, apenas agiu despreocupadamente...
Você não cuidou bem do que tinha, me encheu de traumas, medos, incertezas... Adoeci em meio a tantas dores e decepções... deixei de sorrir, deixei de fazer planos pro futuro, deixei de confiar em ti, deixei de esperar o melhor, deixei de me sentir segura ao teu lado... foram tantas coisas deixadas, tantas coisas que foram ficando pra trás em consequência das terríveis dores que me provocaste, que na verdade, eu perdi meus sonhos...
E um ser humano que deixa de sonhar, que deixa de acreditar em seus sonhos, nada mais é que um ser humano morto...
Eu não sei datar quando aconteceu a minha morte, mas eu sei dizer o que me matou.
Meu amor envenenado por alguém agoísta,
A transformação de um sentimento belo num calvário para mim
A negação a minha singularidade
Meus sonhos sufocados
Que me fez chorar tantas vezes por nada ser além de um ser híbrido, fruto dos seus pensamentos e palavras, misturando o ontem ao hoje e destruindo o amanhã.

Não quero ser consolada, não quero promessas, não quero que sintas pena de mim, não quero sua bondade... Na verdade não quero mais nada de você, porque a única coisa que eu sempre quis, você nunca conseguiu me dar, e isso era respeito. Respeito a minha vida, ao meu amor, a minha dedicação, a minha singularidade, a minha companhia. E sem respeito, sinceramente te digo, não há mais nada que você possa fazer pra permanecer aqui, ao meu lado. Vá! É tempo de partir!

Creio que ninguém pode dar aquilo que não tem. Você nunca soube o que era respeito, você nunca deu nem recebeu respeito de ninguém... você simplesmente é destituído de respeito, bom senso, bons modos e boa educação.


Você me deu aquilo que você tinha e conhecia bem... desrespeito, imaturidade, acomodação, falta de vergonha e nenhum senso de certo e errado... ou seja, você me encheu do seu vazio.

Eu quero a minha vida de volta. Vou restituir-me de tudo que eu tinha e era antes de ser esvaziada por você. Vou me refazer e desfazer todo o mal que você causou em minha vida.

No dia que eu voltar a sonhar com certeza serei feliz. Pois minha alma é alma de criança. Preciso cantar canções de esperança, preciso sonhar sonhos de criança, preciso sorrir pra todos e por nada, sonhar acordada a beira-mar sentindo minha força crescer a cada onda ruidosa na areia.

Um ser humano com sonhos e fé pra acreditar neles é a vida como um rio correndo pro mar.
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