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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Meus pais não deveriam ser pais.




Meus pais não me tratam feito gente. Pra eles eu sou uma perdida, embora não use drogas e nem beba frequentemente, embora seja mais caseira que eu caracol, embora me mate pra trabalhar, estudar e etc. Não sei em que mundo das cavernas eles vivem, mas eu não consigo ser o que a ignorância deles deseja pra mim. Eu não devo ter vontades próprias, devo servir a um marido com dinheiro (amor? ahh isso é idiotice segundo eles), devo servir a minha filha como um cão fiel, aliás eles acham um absurdo qualquer ensinamento que eu dê, e não toleram que eu não seja crente feito eles. Crer no deus deles pra que?! Pra hostilizar, ferir, magoar, diminuir, comparar, ridicularizar, impor metas inalcançáveis, oprimir, invadir a privacidade, abandonar na hora da adolescência, não oferecer ensino superior por pura vingança?! Pra quê? O que me motivaria ser igual a eles?!

 E eu não aguento mais lidar com isso, cansei de fazer de tudo pra viver num clima ameno com eles, cheguei a conclusão de que não preciso deles pra nada na vida com a idade que tenho, se eu já me rastejei por todos esses anos até aqui, não é agora que farei questão da ajuda, apoio, reconhecimento ou qualquer coisa que seja, da parte deles. Nem todo mundo serve pra ser pai e mãe, pronto é isso! E eles, só foram pais por um erro cósmico qualquer. Não tenho porque me torturar mais do que já fui torturada a infância e a adolescência toda por eles, sempre com suas exigências acima do normal que me fazem sentir um verme, uma bosta, uma coisa nenhuma, chega da falta de amor sincero, chega da troca hipócrita de favores, chega de me matar pra alcançar um "nível" que eles desejam só pra ver eles satisfeitos, sendo que, quanto mais eu subo, mais íngreme se torna a subida das exigências deles, chega de vê-los sorrir pra mim quando os compro com algum almoço, presente ou um truque de adestramento que eu, feito um cão, exibo pra eles. Vou me afastar deles pra manter minha saúde mental e física, pelo menos o mínimo que eu posso. Vou me afastar, acabar com os comportamentos estereotipados da filhinha idiota que não cresce e quer agradar, afastar minha filha do domínio deles, porque é visível que ela é outra comigo quando está com eles ou quando retorna de uma longa temporada na casa deles.  Quer saber? Que se danem! Que envelheçam mais a cada dia, se danem e morram! E que não contem com a minha ajuda pra nada na velhice deles, mais iminente a cada dia que passa. Agora que eu sei o que eles fizeram comigo, eles não vão mais continuar! Não vão...


(Jeremy - Pearl Jam)



quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A verdadeira vida é vulnerabilidade.

As pessoas são duras. A vida as prepara para serem duras, porque as prepara para lutar. Lentamente, lentamente, elas perdem toda a delicadeza interior, tornam-se duras como rochas - e uma pessoa dura como rocha é uma pessoa morta. Ela só vive da boca para fora, não vive verdadeiramente.
A verdadeira vida consiste em delicadeza, vulnerabilidade, abertura. Não tenha medo da existência: ela cuida de você, ama você. Não é necessário lutar contra ela. A existência está disposta a lhe dar mais do que você pode pedir ou sequer imaginar. Mas a existência só poderá lhe dar se você for suave, delicado, vulnerável. Se você for poroso, ela entrará por todos os lados.

Seja poroso, seja aberto para a existência, sem medo. Não é preciso ter medo. Essa é a nossa existência - nós pertencemos a ela, ela pertence a nós.


Osho, em "Meditações Para a Noite


Esse texto não foi escrito especificamente pra uma borderline mas faz sentido, me faz encarar a dura e triste realidade da criança nada elogiada, agredida fisica e psicologicamente, pouco amada pela mãe e extremamente cobrada pelo pai (e é impressionante como sempre me senti mal por ter que dizer esta palavra tão pequena, evito ao máximo falar tal palavra, ela realmente me fere, me desperta uma raiva, uma sensação de injustiça, acho que até prefiro ser amiga da minha filha porque "mãe" se tornou um termo negativo e triste, muito triste. Quanto ao meu pai eu tenho a eterna sensação de estar fugindo dele, me escondendo, procurando sua aceitação e aprovação pras coisas que eu faço, como se ainda precisasse disso com a idade que tenho atualmente). Esse texto me faz sorrir aquele sorrisinho tímido de quem insite em ter esperanças, mas não sabe dizer ao certo esperança de que (pra que)?






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