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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Pequenas Satisfações e o Longo Caminho da Terapia

Antes de tudo, já é outubro, novos dias, novos tempos, novas decisões... Estava me arrastando numa fase lodosa, difícil, depressiva e dolorosa... Entre muitas dúvidas, medos, incertezas, ansiedade, temores quanto ao futuro, culpa quanto ao passado. Mas hoje, eu tive uma conversa, uma conversa daquelas que, de tão honesta me lavou a alma e me fez vislumbrar um novo horizonte. Não que tudo tenha se resolvido por mágica, de uma hora pra outra, num "plim",  mas eu pude perceber que nem tudo está perdido e que não vale a pena definhar entre uma agulhada e outra, entre mergulhos nas lembranças do passado, entre um comprimido de calmante e outro. Não adianta empurrar a vida sem vontade, sem ânimo como se tudo estivesse perdido, me vitimizando e me permitindo ser vítima... Muitas coisas estão fervilhando na minha cabeça e eu pretendo organizar tudo e postar aqui pra não perder o fio da meada. Mas por agora, eu quero me concentrar nos passos da terapia breve voltada para a solução e em todas as pequenas coisas que me fazem sentir tão feliz, a começar pelas duas músicas que escolhi pra escrever esse post: Sex on Fire - Kings of Leon e Glory Box - Portishead.

As dicas da terapia:
  1. Não fique remoendo o passado, um amor frustrado ou uma oportunidade perdida, deixe de lado a vaidade de ter controle sobre o que você não pode controlar.
  2. Não tenha dó de si, enfrente seus problemas e o que houver de mais difícil em sua vida.
  3. Olhe para os outros pelo que eles são e não pela forma como você quer enxergar e/ou como você idealiza.

As pequenas coisas que me fazem feliz:

  1. Ouvir aquela música que me faz sentir linda e me remete a dias bons (Sex on Fire do Kings of Leon, por exemplo).
  2. Ouvir muito rock and roll! E sentir cada grito, cada estrofe, cada riff!
  3. Sentir cheiro de grama e terra molhada quando começa a cair a chuva.
  4. Dormir com o barulhinho da chuva na minha janela.
  5. Sentir cheirinho de café, de bolinho de chuva ou de pão quentinho.
  6. Comprar livros novos!
  7. Cheirar livros novos!
  8. Olhar minha estante de livros cheia de títulos maravilhosos!
  9. Receber aquele abraço quando eu preciso!
  10. Descobrir o nome daquele música que vinha me "enfeitiçando" há tanto tempo.
  11. Zerar aquela fase difícil do video game sem usar "cheats".


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Love Hate Love



No meu rádio a canção diz "tentei te amar, achei que podia, tentei ter você, achei que iria, perdido dentro da minha cabeça doentia vivo por você, mas não estou vivo, pegue minha mão antes que eu me mate, ainda te amo, eu ainda queimo..", enquanto Alice in Chains canta "Love Hate Love" eu vejo as horas passando lentas, com os pensamentos devorando o pouco de sanidade que me resta, perdida num abismo de verdades e mentiras onde um turbilhão de sentimentos me consomem por dentro e eu não consigo expressar, não consigo externar... Os pensamentos me perseguem, as lembranças me fazem sentir culpada e me sinto encurralada. Espero a ajuda do tempo, espero a ajuda de um deus no qual eu não consigo mais ter fé, espero chegar perto da cura me permitindo ser uma cobaia de procedimentos inovadores, espero por tudo esperando por nada... 

- A ferida vai cicatrizar um dia e a dor cessará mais cedo ou mais tarde e essas lágrimas que eu choro agora, secarão. Repito eu, para mim mesma.


Eu precisei criar tantas estórias e tantas ilusões pra suportar a realidade da minha vida e agora não consigo mais encontrar o caminho que me conduz a saída. Tudo se tornou cinza, enfadonho... E é uma angústia torturante querer mostrar como eu sou de verdade, mostrar porque eu criei esse universo e não conseguir... Me vejo com os pés atados em tantas mentiras,  em tantas fugas, em tantos disfarces e personagens que eu criei pra lidar com a minha dor, que eu já não sei mais quem sou eu de verdade, o que é a doença e o que é delírio...

"O abismo olha para mim, mesmo que eu não olhe para ele
Me persegue, me procura 
E me acha em berço doce 
Mas a lembrança das carícias brandas 
Me guarda da perdição 
Que seria minha existência rastejante 
Se não tivesse tido teus olhos, teu sorriso, tua mão doce em conforto...



Prosseguir é o mais difícil,
Desistir é possível,
Permanecer imutável na solidão de si mesmo
Com o tempo correndo ao contrário.

Perder o que não se tem,
Encontrar o que não se conhece,
Partir sem deixar marcas
Somente a procura do inexistente."




quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Sepultamento de um grande amor.


“…a minha dor é esta primavera que nasce e me mostra 
que o inverno se instalou definitivamente dentro de mim”.


Acho que não se pode sepultar nada sem chorar muitas lágrimas. Eu estou no vale das lágrimas, perdida no abismo que é pensar e sentir. Preciso me habituar ao vazio que você deixou e que eu insisto em não aceitar, sentir o peso da verdade que eu me recuso a acreditar...

Preciso aprender a andar pois já não possuo mais duas asas para voar, ficarei aqui com meus pés fincados ao chão me alimentando das lembranças do passado, até que um dia eu possa finalmente secar as lágrimas e andar de cabeça erguida com o vento batendo nos meus cabelos. 

Preciso te arrancar de dentro de mim, preciso expirar você e deixar o vento levar o que ficou de você em mim, preciso me esvaziar de tudo e deixar você num canto da memória, num porta retrato empoeirado na minha estante e lembrar de você de vez em quando, sem dor e sem saudades, sem culpas e sem mágoas quando eu ouvir uma das nossas músicas...


"Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo."


"Eu só aceito a condição de ter você só pra mim.
Eu sei, não é assim, mas deixa. 
Eu só aceito a condição de ter você só pra mim. 
Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir."


Ao som de: Creep - Radiohead / Dream On - Aerosmith / Creep - Stone Temple Pilots


Conto de Fadas pra suportar a vida...

Eu sustentei muitas farsas por muito tempo, doces mentiras inofensivas que davam um ar literário, cinematográfico ou épico à minha miserável e sofrida vida.  Era uma forma de alívio, de mascarar a dor e principalmente mascarar a vergonha, eu sempre tive muita vergonha da vida que eu levei como consequência da conduta dos meus pais e da forma como eles me tratavam. 

Quando eu era criança, passava o tempo a imaginar situações, estórias e vidas diferentes da que eu tinha... Sempre gostei dos livros porque eles me permitiam viajar sem sair do lugar e mantinham a minha mente fértil e sempre tive muita dificuldade em desvencilhar o real do imaginário, as coisas se permeavam e me confundiam e como minha memória sempre foi fraca isso foi criando raízes cada vez mais profundas em mim. 

Eu sempre gostei de imaginar, dar ares de grandeza a pequenas coisas, escrever com rimas ricas os eventos do cotidiano e como não prejudicava ninguém fui me embrenhando por esse caminho cada vez mais e mais... 

Eu sempre fui teatral, desde a infância, eu gostava de encenar no espelho, criar personagens e fazer monólogos, quando cresci isso me acompanhou na escola onde as minhas redações eram sempre aclamadas, e isso foi me seguindo, me seguindo silenciosamente e começou a fazer parte de mim... 

Eu sempre tive tendência ao exagero e sempre gostei de fantasiar a realidade... Porque sempre foi difícil para mim encarar a minha realidade.

"Quem é mais sentimental que eu?
Eu disse e nem assim se pôde evitar (...)
No abismo que é pensar e sentir"


domingo, 18 de agosto de 2013

Deixando a vida me arrastar...

Não sei se todas as coisas que tenho feito, pensado e falado nos últimos meses são realmente "viver", ou se são apenas desculpas que eu invento pra mim mesma fingir que está tudo bem. Não sei se realmente eu estou "aproveitando a vida" ou cavando um buraco ainda mais fundo para mim mesma. Não sei até quando precisarei de novos personagens, nomes e rostos na minha história, não sei até onde vou levar isto, não sei até quando isso vai continuar a me seguir e perseguir... Não sei até quando minha auto-estima e auto-confiança irão depender de apoio externo... Usando e me permitindo ser usada, me sinto infeliz e solitária depois que a "onda" passa... Entre surtos de raiva e tristeza, de um ciclo a outro a decepção de alguém que se vê caindo nos mesmos erros de antes e de sempre...





domingo, 16 de dezembro de 2012

Amo tanto que chego a me sentir mal.


Desde criança passei a ter ódio de todos os humanos em geral... e isto só porque amo demasiado e sinto demais por todas as pessoas, pelo menos eu acho. Eu as amo tanto e elas me fodem com força, sem dó, nem piedade.

Não consigo superar a frustração, o ódio, a culpa e a empatia que tenho por todos. 

Existe o bom em todos nós e acho que eu simplesmente amo as pessoas demais, tanto que chego a me sentir mal.



Neste momento estou fervendo de ódio da pessoa que infelizmente tenho que me referir com um pronome possessivo "minha sogra". Porque, no que dependesse de mim, aquela velha vagabunda não seria nada, nada além de um cadáver apodrecendo ao relento. Mas os porques são tantos que prefiro nem começar a relatar agora. Farei um dossiê com todo meu ódio e todas as razões pra odiar aquela megera maldita.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O eterno medo do abandono...

Quieta para não despertar meus demônios. Basta apenas uma recusa, um não ligar, um não ouvir, um não perceber, um não estar... e tudo dilacera, sangra e dói.  Sou prisioneira das grades dos meus sentimentos.





Gostaria de conseguir pôr em palavras tudo o que sinto!Mas as palavras parecem presas...
Não se querem soltar do nó que sinto...
São palavras raras que não saem..
São palavras escassas que não aparecem...
Quero soltá-las, mas ela teimam em viver nesta prisão!
Quero libertar-me dos sentimentos mas eles teimam em aprisionar-me!
Quais grades? Qual prisão?

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Alice

"Se tivesse meu próprio mundo, tudo seriam tolices. Nada seria como é. Tudo seria o que não é. E vice-versa. O que é, não seria. E o que não seria, seria.” Alice no País das Maravilhas, uma história para adultos genialmente disfarçada de conto infantil.


Alice é uma criança entediada com o mundo que a rodeia. O livro “Alice no País das Maravilhas” começa, aliás, com esta personagem sentada à beira-rio “sem ter nada que fazer” e, por isso mesmo, “farta” da sua própria vida. Quando irrompe à sua frente um coelho branco, vestido com um colete e munido de um relógio de bolso, a menina sente-se mediatamente seduzida a segui-lo. Obsessivo com o tempo, o Coelho Branco corre em direcção à sua toca — uma cavidade que representa a porta de entrada para um universo irreal — e, por impulso, Alice vai atrás dele. À sua espera está um mundo que, apesar de maravilhoso, não traduz a perfeição de um conto de fadas.
"Alice no Pais das Maravilhas" e o sujeito desejante, ou seja, o que lhe dá sentido e lhe confere uma identidade.



segunda-feira, 9 de julho de 2012

Transtorno Borderline e o filme Garota Interrompida

O transtorno Borderline de personalidade, sendo uma patologia que tem datado seu nascimento entre as décadas de 1950 e 1960, não entrou no campo de estudo de Sigmund Freud.   Os estudos do Borderline têm uma grande função na psicologia, abrangendo também o campo da psiquiatria, pois pode-se dizer que esta doença apresenta um dos piores prognósticos, tornando, assim, seu tratamento bastante difícil e complicado. Este transtorno também é considerado uma das doenças mentais de mais difícil solução. Isto é explicado pelo fato de que esta doença tem seu início na infância ou na adolescência e assim é assimilada pela personalidade ainda em formação como uma de suas características. Desta maneira, este transtorno torna-se um grande desafio para os profissionais da área. 

   O transtorno Borderline de personalidade foi definido e difundido na América Latina por Donald Meltzer com pacientes que estavam em transição, notadamente da neurose para a psiconeurose. Mas, atualmente um dos maiores estudiosos desta patologia é o vienense Otto F. Kernberg, que considera o transtorno Borderline de personalidade um dos maiores problemas de campo da psiquiatria e da psicologia.
 
 A Organização Borderline de Personalidade à Luz da Psicanálise:

   Os valiosos e profundos estudos sobre a organização borderline de personalidade foram concluídos por Otto Kernberg. Segundo este estudioso há três características dominantes relativas a este transtorno: 

   1. Grau de integração da identidade.
   2. Tipos de operações defensivas que ele habitualmente emprega.
   3. Capacidade de testar a realidade.

    Em relação a primeira característica, no Borderline há uma desintegração da identidade. Em relação a segunda característica, há uma predominância de operações defensivas primitivas centrada no mecanismo de cisão. Na terceira característica é mantido o teste de realidade. 

    Estas três características são consideradas dominantes, pois constituem a base de toda a desorganização da personalidade Borderline e são estas que vão diferenciar o Borderline dos pacientes neuróticos e psicóticos, por isso elas são bastante importantes para o diagnóstico. 

    Na sua relação com o mundo, o fato mais marcante, que exprime uma de suas características internas, é o fato dele não saber exatamente o que sente pelas pessoas e por si mesmo. Ele não sabe quando os outros são bons ou maus, apresentando uma oscilação entre extremos: num momento sente que é mau e os outros são bons e em outro momento ele se sente como bom e os outros maus. Este fato descreve sua oscilação entre a culpa e a perseguição, que são os dois sentimentos mais presentes na vida do Borderline. No primeiro momento, ele se sente culpado. Já no segundo momento se sente perseguido e esta passagem de um extremo para o outro se dá muito rápido. Este comportamento mostra uma característica interna onde o ego do sujeito não consegue discriminar representações de self ligadas a afetos amorosos de representações de self ligadas a aspectos agressivos; da mesma forma em relação às representações de objetos. Assim as representações de objeto, são sempre equivocas, transformando-se, às vezes, em segundos de idealizadamente boas à persecutórias, demonstrando a inconstância dos objetos internos, os quais são ameaçadores e a qualquer momento podem trair, derrubar, abandonar e destruir. 

   Vivendo, então, em perigo constante dentro de si mesmo, o Borderline fica extremamente ansioso e agressivo. Outra conseqüência deste perigo interno é o excessivo apego e dependência dos objetos externos, sobre tudo das figuras mais próximas e necessárias. Quanto mais ele fica dependente desses objetos externos que em um determinado momento são sentidos como maus e logo depois como bons, mais o ego do Borderline se enfraquece, carregando um alto grau de ansiedade. Mas, apesar disso, ele precisa se apegar a esses objetos externos, pois diminuem a culpa, na medida que o Borderline percebe que, apesar dos seus ataques esses objetos ainda estão vivos e imunes à maldade do self. 

     Um dos grandes agravantes do quadro Borderline é o fato de que quando ele faz sua regressão não consegue se estabelecer num único e determinado ponto de fixação na sua pré-genitalidade. Ele fica transitando entre as fases pré-genitais. Isto significa que, ao passar pelas fases pré-genitais na sua infância, não conseguiu resolver nenhuma delas ou então resolveu de uma forma pouco satisfatória tornando sua passagem por elas bastante confusa e complicada. Observando mais profundamente, parece mais do que um ponto um período de fixação que atravessaria a etapa de separação, diferenciação e reaproximação. 

   Os mecanismos de defesa primitivos protegem o ego de conflitos por meio de dissociação ou do afastamento de experiências contraditórias do self e de outros significativos, ou seja, esses mecanismos separam estados contraditórios do ego. Contanto que essas contradições possam ser mantidas separadas, a ansiedade que advém desses conflitos é prevenida ou controlada. Mas, apesar de diminuir a ansiedade, esses mecanismos quando ativados enfraquecem o ego, promovendo uma falta de integração entre os objetos internos e externos. Estes mecanismos são:

> Cisão - divisão de objetos externos em "inteiramente bons" e "inteiramente maus", e, ao mesmo tempo oscilando o mesmo objeto de um extremo para o outro. 

> Idealização Primitiva - uma idealização irreal dos objetos como inteiramente bons e poderosos e idealizadamente como maus e perversos. Uma conseqüência é em reforçamento do mecanismo de cisão. 

> Identificação Projetiva - tendência de projetar o impulso, que está a experienciar, na outra pessoa. Logo depois, começa a sentir um grande medo dessa pessoa sob a influência daquele impulso projetado. Apesar deste medo, o Borderline acredita que através deste mecanismo pode controlar a outra pessoa. 

> Negação - frente a um medo, conflito ou uma necessidade, o Borderline não expressa nenhuma reação emocional, preocupação ou ansiedade, comunicando calmamente sua conscientização cognitiva da situação. Age dessa forma para se proteger de um potencial conflito. 

> Onipotência e Desvalorização - ativam estados do ego, refletindo um self inflado, grandioso, relacionado a representações dos outros emocionalmente degradantes e depreciativas.

O super-ego é uma instância também carregada de muita agressividade, onde para dentro dele foram introjetados muitos objetos internos maus que não se distinguem bem do self. Significa dizer, então, que até certo ponto, o Borderline, não consegue discriminar self de objeto interno idealizadamente persecutório que não é outro senão o disfarçado super-ego. 

   Isso gera duas conseqüências: quando o super-ego é sentido como mau, o ego se sente perseguido. E quando o ego vivencia o super-ego como objeto mau que não se distingue do self, surge uma grande ansiedade, culpa e masoquismo.
   Enfim, a organização Borderline de personalidade vive num mundo escuro, de pesadelo, cheio de "fantasmas" ora perseguindo-o ora culpando-o. Como eles não apresentam uma divisão segura e firme que separa o pré-consciente do inconsciente e não conseguindo utilizar o mecanismo de repressão (alivia mais a angústia), vivem uma dor permanente da qual ele não pode escapar. Somente através de uma terapia psicanalítica este quadro poderá ser revertido.
               "Pode -se dizer que o tratamento da organização Borderline de personalidade consistiria economicamente numa transformação das pulsões: de morte em vida, destrutivas em amorosas sado-masoquistas, em auto-conservadoras". 


 
  

domingo, 8 de julho de 2012

Melhor mentir...



"Sim, eu sei que nada nunca é pra sempre.

Sempre é mentira de novela, mas a gente insiste,

e se a verdade é triste, é melhor mentir..."

sábado, 7 de julho de 2012

Dor

Os defeitos e falhas da mente são como feridas no corpo. Depois que todo cuidado possível foi tomado para curá-las, ainda restará uma cicatriz. 

(François de La Rochefoucauld)





Pra resumir, estou vivendo um dia infernal. Carregando uma cruz que não é minha, lidando com problemas além dos muitos que eu já tenho. Não consigo ter paz nem pra solucionar meus problemas, não há quem me entenda, nunca houve quem me ajudasse e agora eu sou criticada por não saber ajudar, por ser agressiva demais. Como oferecer a alguém algo que você jamais conheceu? Como posso sentar e ouvir as lamentações de alguém que quer apenas ser entendido e "liberado" das suas responsabilidades? Eu nunca tive quem sentasse comigo pra conversar, orientar e me entender, aprendi tudo na base da dor, foi sangrando que eu aprendi a viver, a lutar pela minha sobrevivência e através da raiva, gerada pela injustiça, eu quis um dia vencer e comecei minha caminhada por entre pedras e espinhos e agora eu não consigo dar colo e mamadeira pra ninguém, meu idioma é a revolta e meu lema é a dor.
Eu quero sair daqui, eu quero ver a luz no fim do túnel, mas não consigo guiar ninguém, pois sou cega.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Amargo

Ultimamente tem acontecido tanta coisa que eu nem tenho saco pra escrever. Minha cabeça tem doído como nunca, parece que vou enlouquecer... E eu sinto tanto ódio, tanto ódio de certas pessoas, de certas situações, e a vida me obriga a conviver com gente babaca, sem personalidade, sem culhão pra assumir o que diz, gente invejosa, gente traiçoeira, numa convenção social hipócrita, onde sorrisos são mais mordazes que facadas. Sinto a necessidade de explodir, jogar tudo ao alto e mandar todo mundo se foder... Seria tão bom se alguns deles morressem... assim, por acidente.


domingo, 24 de junho de 2012

Saio dessa prisão, ou morro!

Estou tentando viver como se eu fosse normal, como se os outros é que fossem os bizarros, estou tentando fazer de conta que não tenho nada, nem terapia, nem remédios, nem leituras científicas sobre o transtorno borderline... É como se ele fizesse parte de mim e eu simplesmente não quisesse mais dar ouvidos a ele. Mas no fundo, no fundo, estou cansada, a cabeça fica "formigando" o dia todo, a concentração é quase inexistente, a memória está cada vez mais errática e paciência anda em falta, os nervos andam a flor da pele, tenho sentido vontade de chorar, gritar, bater e quebrar. Quero me esconder do mundo mas preciso ser vista, ser notada... Que tipo de prisão é esta que estou condenada a passar o resto dos meus dias?! 
Platão acreditava que o corpo era a prisão da alma. Eu concordo com ele!

"Estou literalmente acabada.
Minha alma pede socorro.
Debato-me desesperada. 
Saio dessa prisão, ou morro!"


terça-feira, 1 de maio de 2012

No meu limite.

"Feeling like a freak on a leash
Feeling like I have no release.
How many times have I felt diseased? 
Nothing in my life is free... is free."


Realmente estou me sentindo como uma aberração ambígua, que hora quer partir pra brutal ignorância com pessoas amadoras e incapacitadas e outrora só quer que tudo termine bem, em paz.
Me sinto num misto de desejar o sangue da vingança e a água da purificação... Mas acima de tudo, tenho andando muito revoltada com o maldito professor que nos submete a uma terrível tortura psicológica, nos pressionando e nos obrigando a trabalhar com um grupo grande de pessoas que, em sua maioria, não se suportam, daí ele consegue um clima infernal e estragar todo proveito que poderíamos tirar da disciplina dele, tudo se torna um fardo pesado e amargo. E eu, ainda tenho que aturar tudo e conter meu furacão interno, manter-me serena e controlada em meio ao campo minado. Tem sido muito difícil suportar tanta gente babaca e burra e agora, como se não bastasse, o grupo tem como líder uma crente sem personalidade, que quer agradar gregos e troianos. Estou me sentindo sufocada, a beira de um ataque, a beira do meu limite.



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Vazio e abandono



Não há nada que eu possa fazer, 
Minha necessidade é sabida, mas não há nada que eu possa fazer.
Não posso enfrentar meu maior temor de uma hora pra outra assim...
Estou com medo, estou sozinha e nada que faça ou diga faz com que entendam que eu simplesmente não posso ainda, eu não consigo...

Estou na corda bamba, no campo minado, no vazio, na escuridão. O corpo físico já externa o resultado das seguidas investidas do plano mental e emocional contra mim, eu respiro fundo, finjo um sorriso, suspiro e os lábios dizem que está tudo bem enquanto a alma grita pelas janelas dos olhos por socorro, mas ninguém vê. Insônia, dores de cabeça, pontadas agudas no peito, ataques súbitos de raiva, ondas de terror, calafrios, alucinações, diarreia, tremores, falta de apetite, falta de ânimo são apenas alguns exemplos do caos que vivo aqui dentro. 

As ondas estão batendo violentamente nos rochedos e ninguém pode pará-las.

Socorro eu grito em vão. 
As pessoas lá de fora tentam me convencer com argumentos e fatos que tudo que eu sinto é desmedido, errado e desproporcional, elas me fazem sentir pior do que eu já me acho. 
Estou vivendo o caos.

As ondas estão batendo violentamente nos rochedos e ninguém pode pará-las. 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Frágil

Quando li estas palavras pela primeira vez, fiquei paralisada, pasma, emocionada... Cada palavra parece que foi sentida e escrita por mim mesma. Me admira quando alguém escreve o que eu sinto com profunda exatidão...




Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar.

(Caio Fernando Abreu)




"Acompanha-me a casa
Já não aguento mais
Deposita na cama
Os meus restos mortais
Frágil
Sinto-me frágil
Frágil
Esta noite estou tão frágil."

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Raiva da Solidão, Medo do Abandono

Existe dentro da minha alma uma raiva da solidão tão grande que chega a ser incontrolável. A solidão gera meu sofrimento, o medo do abandono me faz perder o controle e me sentir desesperada. É como olhar para o horizonte e avistar apenas a árvore negra tortuosa. O frio me arrepia, o silêncio invade, o cérebro combina idéias, os olhos se banham em uma melancolia irritante. A tristeza invade a alma e não mais sai. Os pensamentos se tornam movimentos de elétrons e saem como faíscas no fio não recapado. São breves e incômodos, leves e autônomos… Impossível prever a reação da alma diante dos fatos rotineiros que machucam e que acabam cegando. Cegam por dentro, pois a visibilidade é a mesma, a interpretação é que se torna fria e distante. A solução é me unir ao que tanto odeio, pois acaba sendo a minha única companhia. Mesmo que eu não queira, acabo querendo por obrigação do ser pensante por detrás desse tolo ser. Minha dor escondida a 7 chaves vai lentamente se perdendo no meu interior. Ela invade e não pede licença, ela faz maldades e se diverte, se alimenta...



segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

É preciso viver um sonho



É preciso viver um sonho
E ter a certeza de que tudo vai mudar
É necessário abrir os olhos
E ver que as coisas boas
Estão dentro de nós.


Onde os desejos não precisam de razão
Nem os sentimentos de motivos.
Adoro-te não pelas coisas que você faz,
Nem pelo o que você é,


E sim pela a sensibilidade plena
Que o torna um ser especial
Em um mundo cheio de coisas
Tão comuns...


O importante é viver o momento e
Aprender com a sua duração
Porque a vida está nos olhos de
Quem sabe viver!


Por isso viverei intensamente cada minuto
Como se fosse o último.


A vida é muito especial,
Há tanto pra se fazer, aprender e por fazer aos outros
Que certamente, vale a pena viver ainda que seja para apenas ver um sorriso brotar no rosto de uma criança.


Apesar de todas as complicações que encaro dia após dia, ainda tenho a alma e sonhos de criança para cantar canções de esperança.


> O ano novo se aproximando me faz repensar e encarar a vida de maneira mais otimista, fazer novos planos e comemoras as pequenas vitórias. 

>> Por falar em viver um sonho, agora eu escrevo um outro blog, também sobre o TPB, mas numa outra abordagem. Lá eu falo sobre meu cuidador e sobre o passo a passo desta lenta e desafiante evolução no caminho do meio ao lado de alguém que dá fim ao meu vazio e que está comigo tanto nas calmarias quanto nas tempestades.

domingo, 25 de dezembro de 2011

(In)Feliz Natal





Todos os anos eu fico muito apreensiva com a chegada das "festas de final de
 ano", já há algum tempo eu venho colecionando amargas desventuras a cada 24 e 25 de dezembro. A data "máxima da cristandade" me deixa tensa, ansiosa, me sentindo completamente invadida e me forçando a criar, ensaiar e manter um personagem que me permita participar das festividades hipócritas e trocar sorrisos amarelos com um monte de gente que sequer lembrou ou tomou conhecimento da minha existência nos quase 360 dias anteriores a este "evento familiar". 

Pela primeira vez me permiti ficar longe das críticas e opressão dos meus pais, pela primeira vez em muito, muito tempo eu não fiquei na casa deles... Pensei que seria muito bom pra mim, mas como tudo que acontece na minha vida, teve um lado bom e um outro lado pior ainda. Sinceramente, depois de tudo que aconteceu, acho que preferia estar na casa dos meus pais, enfrentando meus antigos fantasmas outra vez, pelo menos lá os inimigos são conhecidos de longa data, mas o que eu consegui foi criar uma nova ferida em meio a tantas já existentes e não espero que ninguém me entenda ou concorde comigo, simplesmente quem não sabe como é estar neste assombro claustrofóbico que me cerca não pode opinar ou pelo menos não deveria, somente quem vive aqui dentro sabe como é frio e solitário.

Eu me precipitei, fui pra um lugar e não estava preparada pro que aconteceria lá, me senti mais uma vez diminuída, me senti mais uma vez dando vida ao personagem que convive com muitas pessoas ao mesmo tempo e disfarça o caos que isso gera com sorrisos e conversa fiada. Mas, fui atacada mais uma vez e como dói ter que controlar minhas respostas e atitudes de auto defesa em prol de alguém que muitas das vezes nem está se dando conta do meu esforço. Mas ainda assim, tentei controlar a onda como deu, respirei fundo, tentei segurar com uma frágil linha o touro ensandecido que habita aqui dentro de mim e me esforcei muito pra controlar meu sistema de sarcasmo ou agressão física à "mulherzinha" que me provocou, medidas essas que não me livraram de uma "mini-crise" em forma de DR, nem dos tremores, nem da dor de cabeça, nem da vontade de chorar e sumir...

Quero organizar o pensamento e descrever o que aconteceu em mais um (in)feliz natal da minha encarnação borderline, mas hoje não... a raiva ainda está circulando pelas minhas veias, daí eu mordo meus lábios por dentro, o coração dispara a cabeça vai a mil e eu me perco de mim mesma. Por hoje, me serve este desabafo, assim como disse Arjuna à Krishna no Bhagavad Gita: 

 " Pois a mente, ó Krishna, é inquieta, turbulenta, obstinada e muito forte, e a mim me parece que subjugá-lá é mais difícil que dominar o vento"

O dia hoje (a caminho de casa) foi triste e cinza, mais uma briga, mais uma crise, mais uma ferida, mais uma sensação pungente de derrota e impotência. Estou cansada de dar tantas voltas no mesmo carrossel mal assombrado de sempre. Meu corpo pode ser de mulher, meu diploma universitário pode comprovar minha idade cronológica, minha cara amarrada pode intimidar, mas o que ninguém vê, o que ninguém sabe é que aqui dentro deste corpo ainda vive uma garotinha, uma criança medrosa, frágil e insegura que deixou de brincar boneca e que agora brinca de pique-esconde no mundo real onde ninguém entende a brincadeira de se esconder do mundo pra proteger a si mesma.
Ser borderline dói apesar de as pessoas pensarem que ser borderline só machuca aos outros... Ser borderline dói!


sábado, 24 de dezembro de 2011

Além dos Limites (Borderline)




Li algumas críticas falando muito bem deste filme, outras diziam que o filme tratava os borderlines apenas como pervertidos sexuais e beberrões. Não assisti ainda pra dar a minha pitada de opinião, mas fala do TPB e eu vou assistir, pelo trailer acho que vou gostar... Gostei muito da música de fundo, "Can You Hear Me" do Christian Marc Gendron, e de algumas cenas em especial... Vou assistir neste feriado de Natal. Deixo aqui o link pra quem se interessar, visto que, foi muito difícil encontrar este filme.


Titulo Original: Borderline
Título no Brasil: Além dos Limites
Ano de Lançamento: 2008
Gênero: Drama
Música: "Can You Hear Me" from Christian Marc Gendron
Duração: 1H 50 Min
Tamanho: 696 Mb / 358 Mb

Sinopse: A história de Kiki é mostrada em diferentes fases de sua vida. Com a mãe internada, ela é criada pela avó, que não se preocupa com ela. Seu refúgio é a escola. Sua vida antes dos 30 está bem longe de ser um conto de fadas. Ela se envolve com diversos homens, um após o outro. Sexo e álcool são suas únicas saídas e sua rotina. Mas aos 30 anos, Kiki enfrenta o maior de todos os desafios: aprender a amar a si mesma. Adaptação dos romances Borderline e La Brèche, da canadense Marie-Sissi Labrèche.
Um drama erótico sobre uma mulher enfrentando seu aniversário de 30 anos, que olha para sua vida crescendo com a avó, a mãe louca e seu excesso de indulgência com os homens, sexo e álcool.



Trailer de Borderline - Além dos Limites




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