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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A Criança em Ruínas

Tenho sentido dores insuportáveis nas articulações e um sono que parece não mais ter fim. Nos momentos em que estou acordada, sou tomada por uma avalanche de pensamentos. Por estes motivos, tenho andado ausente aqui do blog. A sensação predominante é de dor e desânimo. Mas como nem tudo são trevas, meu desejado e esperado livro cruzou o oceano e chegou às minhas mãos (finalmente). De Portugal para a minha estante de livros.

:: A temática relacionada com a perda e o desmoronar da felicidade perfeita da infância, semelhante à expulsão do paraíso dourado, um reduto que parece estar apenas reservado aos mais jovens, é a temática desenvolvida pelo autor em A Criança em Ruínas.
A inspiração, vinda do Livro do Gênesis, serve de pretexto para explorar a eterna questão da busca da felicidade, que nunca será total, uma vez que as circunstâncias temporais dos momentos perfeitos nunca se repetem. Esta é a linha que norteia o discurso da obra de José Luís Peixoto e do homem que se oculta por debaixo dos escombros, num título tão intrigante como A Criança em Ruínas.

“…amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um
oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga”.



quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

As agressões emocionais na minha família x Natal

Minha infância foi marcada por maldade, tortura e crueldade exercidas velada e dissimuladamente. Esse tipo disfarçado de crueldade e maldade incluía toda espécie de chantagens emocionais, cerceamentos de liberdade, desrespeito, omissões e opressões que familiares dirigem uns contra os outros de forma surda, calada e, muitas vezes, socialmente irreprimível. Tais maus tratos jamais foram feitos de forma "clássica" e "franca". Aí ficaria muito fácil diagnosticar a dinâmica familiar deturpada. Minha mãe agia assim o tempo todo comigo e com minha irmã mais nova.
Eram incontáveis os números de comentários críticos, mordazes, amargos ou depreciativos, a presença de hostilidade, direta ou dissimulada e um nível muito alto de envolvimento emocional estressante. Agressões emocionais são aquelas que, independentemente do contacto físico, ferem moralmente

Eu cresci nesse panorama e esse meu mal estar fica mais evidente com a chegada do final do ano e do Natal, festa que parece esfregar famílias felizes na cara de quem não tem... Sempre me senti muito mal com a chegada do Natal, preferia que essa data hipócrita não existisse, pois me faz lembrar das vezes que minha mãe demonstrava um comportamento carinhoso (se é que se pode chamar algo tão nojento de carinho) na frente dos outros e me chamava de coisas carinhosas mas no fundo, no fundo tinha um tom de desprezo, deboche ou pouco caso, um olhar frio, distante.

Muitos dos meus medos, insegurança e não aceitação vem dessa época, eu sei disso... E tentar falar dessa época me deixa confusa, a memória falha, as emoções ficam à flor da pele e o raciocínio se perde, como se eu mesma estivesse me protegendo de lembranças tão dolorosas...

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