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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O eterno medo do abandono...

Quieta para não despertar meus demônios. Basta apenas uma recusa, um não ligar, um não ouvir, um não perceber, um não estar... e tudo dilacera, sangra e dói.  Sou prisioneira das grades dos meus sentimentos.





Gostaria de conseguir pôr em palavras tudo o que sinto!Mas as palavras parecem presas...
Não se querem soltar do nó que sinto...
São palavras raras que não saem..
São palavras escassas que não aparecem...
Quero soltá-las, mas ela teimam em viver nesta prisão!
Quero libertar-me dos sentimentos mas eles teimam em aprisionar-me!
Quais grades? Qual prisão?

terça-feira, 10 de julho de 2012

Como é que eu troco de canal?

Muitas vezes, tarefas banais, como assistir um seriado, um filme ou ouvir uma música se tornam terrivelmente dolorosas para mim e claro, ninguém entende o que se passa...  O que acontece é que muitas das vezes, as cenas, imagens, diálogos, nomes e tudo que esta contido nos programas da televisão ou nas letras das músicas me deixam mal, começam a se misturar com a minha vida, eu faço relações com acontecimentos e me enfureço, sinto medo, me deprimo, me culpo e me vitimizo. É tudo tão rápido que não consigo prever ou controlar, a emoção me toma de súbito e quando vejo, o caos já se instalou, as brigas já começaram (não só as brigas com quem convive comigo, como as brigas internas com meus fantasmas interiores). Pra um borderline, até o lazer pode se tornar um veneno.

"Ah, vida real.... ah, vida real.... Como é que eu troco de canal?"



terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sozinha

"Às vezes te odeio por quase um segundo

Depois te amo mais
Teus pelos, teu gosto, teu rosto, tudo
Tudo que não me deixa em paz

Quais são as cores e as coisas pra te prender?"

v
Eu tenho medo de ficar sozinha...

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Terror de Amar...

Terror de te amar num lugar tão frágil como o mundo
Medo de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa

Onde as palavras, por ti já ditas, me dilaceram alma, mente e coração
Me atormenta sentir tudo que eu sinto...
Sinto o medo
Sinto medo de tudo, me sinto menor que todos
O medo povoa minha mente, habita meu ser e me aniquila...
Tenho medo...
Medo de te amar e me enganar
Medo de me ferir e te machucar
Tenho medo de te amar neste lugar de imperfeição 
Onde tudo me fere e diminui, onde a todo instante vivo o medo de ser deixada
Sinto medo e já não posso mais falar, 
Pois tu já se cansas do meu pesar
Minha dor, hoje, emudeci pra cumprir a promessa que te fiz...


Desde a minha infância fui prisioneira do silêncio. Minha família nunca tinha tempo pra me ouvir ou simplesmente tratava por "besteiras" as minhas necessidades. Sempre tratavam meu modo de ver as coisas como um grande ciclo cansativo e interminável de conversas que não levavam a lugar nenhum, um tribunal onde todos eram culpados e eu inocente, mas não era bem isso que queria dizer, eu só precisava expor minhas dores, minha amargura e ninguém nunca pôde ou nunca quis verdadeiramente me ajudar. Então, cansada de ser mal compreendida, com medo de cansar a todos e acabar sozinha, com medo de ser deixada, desprezada eu me calava, engolia o fel dia após dia em silêncio, fingia ser o que jamais poderia ser, fingia ser "normal". Me esforçava a viver do modo que eles, que todas as pessoas que entraram na minha vida, achavam normal, tolerável e aceitável... mas apesar do imenso  esforço eu sempre fracassava, sou borderline, não sou normal e continuo gritando em silêncio por socorro.

Sofro em silêncio e em uma cantiga muda me encolho em seus braços, retendo lágrimas.



quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O medo dominou meu ser

Meus dias se repetem, parecem todos iguais... O aperto claustrofóbico, o vazio, o medo, a raiva, a vontade de explodir, a vontade de chorar, a vontade de mergulhar na cama e não fazer nada, o desânimo em assumir projetos novos e a falta de força pra cumprir os velhos...
A terapia segue e minha cabeça fervilha pensamentos e lembranças, me perco tentando me achar e adio a visita ao psiquiatra por medo dos remédios que terei que tomar...
O medo dominou meu ser e a cada dia me sinto encolhendo, sumindo... tenho medo do que posso me tornar. Preciso escrever sobre a terapia, sobre as descobertas, sobre as reviravoltas e os pontos começando a serem ligados uns nos outros... mas me falta força...


Medo

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Inevitável



Instável por natureza, tristonha e cronicamente depressiva, contagiosamente eufórica, melancólica, irritada e insanamente mansa, poeta e sonhadora, indignada e raivosa, misantropa* e asceta**, observadora de estrelas e leitora de horóscopos, crente em mais de uma fé e descrente de todas elas...


Bailando nesta maldita corda bamba o inevitável se aproxima, não tenho pra onde correr. Porque me iludi achando que o dia não chegaria? Não sei o que fazer, não sei o que pensar... Preciso me esconder e não sei onde, preciso me distrair mas não sei com o que... Tudo parece vazio, frio e silencioso quando não estás aqui, e eu sinto um medo que congela minha coluna vertebral e me paralisa, não tem saída. As cores desbotam, o doce perde o sabor mas nada muda o inevitável e o inevitável chegou.

"Um toque é uma pancada
um som é um barulho
um revés é uma tragédia
uma alegria é um êxtase
um amigo é um amado
um amado é um deus
e o fracasso é a morte"
(Do livro Alta Sensibilidade Emocional)




 * Aversão ao ser humano e à natureza humana no geral. Também engloba uma posição de desconfiança e tendência para antipatizar com outras pessoas.
** Pessoa que se entrega a exercícios de piedade.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Elevação (ou não)

"Quero atingir um estado de elevação que me dê a liberdade da dor, do sofrimento e do mundo externo"

Há quem prefira voar, há quem prefira sonhar como também há quem saiba que viver é mais que comprar e comer. A liberdade torna-se sempre numa decisão, numa procura ou numa viagem com aventura para encontrar o propósito. Cair e levantar é lograr a perfeição numa oportunidade que não posso desperdiçar.

Enquanto batalho contra mim mesma, perco as forças e energias contaminando o meu mundo em lamentações e sofrimento com a ilusão de que a salvação está por entre aqueles que me rodeiam. Minha criança ferida quer atenção, companhia e carinho desmedidos, sem lógica, sem razão, sem nada parecido com o que já houve antes.

A esperança existe como os rios que nunca deixam de correr para o oceano, nem as estrelas deixarão de brilhar e eu acredito que uma delas conseguirei alcançar. Perdoa-me então por estar novamente a exigir tanto ti, mas somente tu fazes parte da minha mente e do meu ser e, sendo assim eu não gostaria de ter que me deparar com os seus trapos, restos e raspas. Mas mesmo te amando tanto enquanto meus lábios dizem que eu te odeio e eu tento fazer você sentir através das minhas ofensas toda dor e medo que eu sinto, saiba que podem passar mil dias, mil anos, eu nunca soltarei as tuas mãos para que assim estejas sempre no meu coração. 



Depois de todas as brigas, crises, ofensas e descontrole, eu extravaso minhas decepções, coloco a criança ferida a fazer pirraça diante de todos para chocá-los e logo depois baixo os braços rapidamente na esperança que o amanhã venha modificar os contornos e unir de novo os nossos caminhos, para que juntos possamos voltar a trilha-los acreditando na cura, no controle e em dias melhores.

O coração dói tanto aqui dentro por tudo que me fazes sem saber ou sem desejar, por tudo que eu faço por descontrole, por tudo que eu gostaria de arrancar de vez da minha vida e por toda tempestade que eu causo e me arrependo tão terrivelmente depois... Nesses momentos fico fria, distante, descrente, pensando que o melhor mesmo é fugir, sumir, te largar, morrer... Qualquer coisa que tire dos meus olhos tudo que trás a dor e o medo à tona novamente.



quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Cada dia um novo desafio na mesma rotina.



Eu gostaria que as pessoas entendessem de uma vez por todas que eu não sou borderline por escolha, opção e tampouco conveniência. Existe uma clara diferença entre, o que eu sou, o que eu quero ser e o que eu POSSO SER. E é neste estágio que eu estou agora, na transição do que eu sou para o que eu posso ser. Sem me preocupar com o que as pessoas querem de mim. Desisti de tentar corresponder as expectativas dos outros e anular a mim mesma, cansei dos sorrisos falsos, cansei das manipulações dos meus parentes, aliás, cansei tanto deles, que me mudei e eles nem tem meu endereço atual, eles apenas acreditam que ainda moro na casa antiga, que é própria e que guarda alguns móveis meus, e que “vivo batendo perna” por aí. Mas pra que contar? Eles sempre me enchem de críticas e me fazem olhar pra trás pra lamentar o que foi deixado... Cansei do algoritmo de funcionamento que eles, por tanto tempo, me obrigaram a executar. Agora, eu quero ser livre... mas não é assim do dia pra noite que as coisas acontecem...

Tenho andado deprimida e desanimada, tudo porque sei que em breve serei deixada sozinha enquanto meu namorado, mais uma vez, viaja sei lá pra qual escola de pilotagem, pra ficar mais sei lá quanto tempo, pra tirar uma tal especialização ou voltar com as mãos abanando mais uma vez... Na verdade, detesto a idéia de me relacionar com um piloto, por tudo que envolve a “carreira”, desde as viagens, a não ter um endereço pra procura-lo no meio do expediente em uma emergência e principalmente pelas vadias que ele terá como colega de trabalho, na forma de comissárias, aeromoça ou qualquer porcaria dessas, que já que são galinhas destituídas de asas, usam o avião pra voar e galinhar.

Enfim... Não posso fazer nada e só Deus sabe como dói esta impotência e esta briga interior entre os meus insights e meu transtorno.

Minha psicóloga diz que este mecanismo é o de testar o amor das pessoas por mim, pra ver até onde elas são capazes de ir ou o que são capazes de abandonar. Seguindo esta “lógica” eu busco descobrir se estou realmente segura naquele relacionamento ou se serei deixada, trocada ou diminuída perante alguma coisa como minha mãe fazia comigo. Isso se resume em: “você me ama mesmo, em qualquer situação ou vai fazer igual a minha mãe?”

Quando me decepciono eu brigo, grito, faço escândalo e até fico muda. Mas uma coisa é certa, minhas emoções são intensas, me dou inteira, me desgasto, me gasto, me canso de amar, de odiar, me empenho, vou ao extremo. Não sei ser menos que intensa...

Talvez isso seja uma fraqueza, uma doença, uma fuga... Será algo positivo de alguma forma? Não sei. Já tentei ser de outra forma, esse é um dos motivos pelo qual faço terapia, me cansar menos de minhas relações, me cansar menos de mim mesma. Só que me saturo, perco a paciência, a fé, a confiança, a vontade... Faço os dias pesados, sangro os pés, pois, nunca me lembro de por as sandálias para caminhar nesta estrada longa e cheia de pedras. Cada dia um novo desafio na mesma rotina... Dá pra entender?

A vida nunca deixará de ser um desafio, acredito eu... Embora muitas vezes tenha pensado em desistir, e acho que ainda retornarei a esse pensamento, pois, toda vez que uma dor forte vem, é inevitável, pensar que ficar sem sensação me traria paz... Mas evitar pensamentos de inferiorização, tortura, culpa e morte também é um desafio que estou vencendo, dias sim... dias não.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Raiva da Solidão, Medo do Abandono

Existe dentro da minha alma uma raiva da solidão tão grande que chega a ser incontrolável. A solidão gera meu sofrimento, o medo do abandono me faz perder o controle e me sentir desesperada. É como olhar para o horizonte e avistar apenas a árvore negra tortuosa. O frio me arrepia, o silêncio invade, o cérebro combina idéias, os olhos se banham em uma melancolia irritante. A tristeza invade a alma e não mais sai. Os pensamentos se tornam movimentos de elétrons e saem como faíscas no fio não recapado. São breves e incômodos, leves e autônomos… Impossível prever a reação da alma diante dos fatos rotineiros que machucam e que acabam cegando. Cegam por dentro, pois a visibilidade é a mesma, a interpretação é que se torna fria e distante. A solução é me unir ao que tanto odeio, pois acaba sendo a minha única companhia. Mesmo que eu não queira, acabo querendo por obrigação do ser pensante por detrás desse tolo ser. Minha dor escondida a 7 chaves vai lentamente se perdendo no meu interior. Ela invade e não pede licença, ela faz maldades e se diverte, se alimenta...



quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A verdadeira vida é vulnerabilidade.

As pessoas são duras. A vida as prepara para serem duras, porque as prepara para lutar. Lentamente, lentamente, elas perdem toda a delicadeza interior, tornam-se duras como rochas - e uma pessoa dura como rocha é uma pessoa morta. Ela só vive da boca para fora, não vive verdadeiramente.
A verdadeira vida consiste em delicadeza, vulnerabilidade, abertura. Não tenha medo da existência: ela cuida de você, ama você. Não é necessário lutar contra ela. A existência está disposta a lhe dar mais do que você pode pedir ou sequer imaginar. Mas a existência só poderá lhe dar se você for suave, delicado, vulnerável. Se você for poroso, ela entrará por todos os lados.

Seja poroso, seja aberto para a existência, sem medo. Não é preciso ter medo. Essa é a nossa existência - nós pertencemos a ela, ela pertence a nós.


Osho, em "Meditações Para a Noite


Esse texto não foi escrito especificamente pra uma borderline mas faz sentido, me faz encarar a dura e triste realidade da criança nada elogiada, agredida fisica e psicologicamente, pouco amada pela mãe e extremamente cobrada pelo pai (e é impressionante como sempre me senti mal por ter que dizer esta palavra tão pequena, evito ao máximo falar tal palavra, ela realmente me fere, me desperta uma raiva, uma sensação de injustiça, acho que até prefiro ser amiga da minha filha porque "mãe" se tornou um termo negativo e triste, muito triste. Quanto ao meu pai eu tenho a eterna sensação de estar fugindo dele, me escondendo, procurando sua aceitação e aprovação pras coisas que eu faço, como se ainda precisasse disso com a idade que tenho atualmente). Esse texto me faz sorrir aquele sorrisinho tímido de quem insite em ter esperanças, mas não sabe dizer ao certo esperança de que (pra que)?






sábado, 10 de dezembro de 2011

O ano vai chegando ao fim...

Com um turbilhão de emoções e pensamentos, com a vontade de gritar todos os meus temores e exorcizar todos os meus demônios, minha cabeça se confunde, o raciocínio se embaralha, fico confusa e difusa eu vou. Sou andarilha de mim mesma, entre tropeços e acertos, dançando no campo minado e seguindo na corda bamba...
Recolho-me em plena e intensa tristeza, em oráculo meu, a vida pensando e repensando! O ano vai chegando ao fim e a reformulação da minha vida se faz crucial, dentro de mim escuto vozes dizendo: " é AGORA!" Porém eu recuo, com medo do que pode estar me esperando na próxima esquina.  




quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sobrevivendo em meio a crise.


Estou sobrevivendo a uma série de crises ultimamente, infelizmente estou mergulhada num humor pessimista e sentindo uma grande preguiça pra iniciar qualquer projeto novo ou até mesmo dar continuidade aos já existentes. Quando estou assim, eu respiro fundo, durmo e procuro me envolver com coisas que me deixem feliz e me afasto das pessoas que costumam me ferir, ouço músicas que me joguem pra cima e espero a poeira baixar. Por enquanto é só o que posso fazer. O psiquiatra de ontem me deixou muito abatida e prostrada hoje... Como ele pôde descartar de cara a hipótese do TPB simplesmente porque nunca me cortei, queimei e por não ter uma ocorrência policial. Ele realmente pensa que os portadores de TPB são apenas criminosos e pessoas com potencial pra automutilação? Ele ignora todos os demais sintomas?! Sequer para pra analisar meus "sintomas" e minhas queixas de mais de 12 anos onde tudo acontece da mesma maneira, sempre as mesmas idealizações, sempre as mesmas frustrações, sempre a cisão, sempre a desvalorização do outro quando qualquer não era dito pra mim. Enfim... ele sequer quis me ouvir, me rotulou bipolar porque nunca andei numa viatura policial. Como pode ser tão limitado?



 Sintomas (claro que nem todas as Borderline tem todos estes sintomas):

  • Medo de abandono: uma necessidade constante, agoniante de nunca se sentirem sozinhas, rejeitadas e sem apoio.

  • Dificuldade de administrar emoções.


  • Impulsividade.

  • Instabilidade de humor. As oscilações de humor do DAB ou TAB - Distúrbio ou Transtorno Afetivo Bipolar duram semanas ou meses, mas as Borderline têm oscilações de minutos, horas, dias. Essas oscilações de humor incluem depressões, ataques de ansiedade, irritabilidade, ciúme patológico, hetero- e auto-agressividade. Uma paciente marca a consulta informando que está super deprimida, querendo morrer. No dia seguinte chega à consulta bem humorada, bem vestida, maquiada, vaidosa.


  • Comportamento auto-destrutivo (se machucar, se cortar, se queimar). As portadoras de Borderline dizem que se machucam para satisfazer uma necessidade irresistível de sentir dor. Ou porque a dor no corpo "é melhor que a dor na alma".

  • Tentativas de suicídio, mais freqüentemente as de impulso do que as planejadas.


  • Mudanças de planos profissionais, de círculos de amizade.

  • Problemas de auto-estima. Borderlines se sentem desvalorizadas, incompreendidas, vazias. Não tem uma visão muito objetiva de si mesmos.

  • Muito impulsivas: idealizam pessoas recém conhecidas, se apaixonam e desapaixonam de maneira fulminante.

  • Desenvolvem admiração e desencanto por alguém muito rapidamente. Criam situações idealizadas sem que o parceiro objeto do afeto muitas vezes nem tenha idéia de que o relacionamento era tão profundo assim...

  • Alta sensibilidade a qualquer sensação de rejeição. Pequenas rejeições provocam grandes tempestades emocionais. Uma pequena viagem de negócios do namorado ou marido pode desencadear uma tempestade emocional completamente desproporcional (acusações de rejeição, de abandono, de não se preocupar com as necessidades dela, de egoísmo, traição, etc).

  • A mistura de idealização por alguém e a extrema sensibilidade às pequenas rejeições que fazem parte de qualquer relacionamento são a receita ideal para relacionamentos conturbados e instáveis, para rompimentos e estabelecimento imediato de novos relacionamentos com as mesmas idealizações.

  • Menos freqüente: episódios psicóticos (se sentirem observadas, perseguidas, assediadas, comentadas).

Tudo que eu sublinhei eu tenho, eu sinto. Não por querer, não por ter escolhido ser borderline, não por achar que ter tal transtorno seja glamouroso ou motivo de orgulho... Eu sou borderline, talvez pelos frequentes maus tratos que minha mãe dispensava a mim, pela frieza e crueldade das palavras e dos castigos que ela me submetia, pelas vezes que me deixava trancada no quarto, me comparava as outras crianças, se desfazia das minhas demonstrações de carinho sempre respondendo "o que é você quer de mim pra ficar de falsidade?", pelas vezes que ela me disse que eu era tão ruim que nem a tentativa de me abortar tinha dado certo, por eu não recordar de nenhum momento de afago ou afeto, mas sim de todas as vezes que ela me chamava de "maldita", "desgraçada", "peste", "imunda" e tantas outras ofensas enquanto seu olhar pra mim era de desprezo ou nojo. Meu pai, era muito rígido e conservador, não havia agressão física da parte dele, mas havia a imposição de inúmeras regras inquebráveis, ele sempre foi inflexível.

Por hoje é só, começo a me sentir demasiadamente irritada com tudo que me cerca. Vou escutar uma música, jogar um jogo qualquer, comer...


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Tempo...


Minha vida anda desorganizada, muitos planos engavetados no campo emocional, muitas questões em aberto, muito vazio e expectativa, muita angústia e solidão. Quero alguém que me complete e que torne minha vida mais colorida, alguém pra dormir abraçadinho e acordar-me com um beijo e pra tudo, quero ver nossos filhos brincando no tapete da sala, quero me completar. Mas me pedem tempo, eu preciso dar mais tempo, eu preciso esperar. Esperar pelo que? Esperar quanto tempo?

Tudo leva tempo e eu sei como tudo isso dói, sentir-me incapaz de mudar certas coisas e ver o tempo seguindo em frente e me deixando pra trás, faz com que eu me sinta muito impotente, dá um aperto claustrofóbico e vontade de chorar, me trancar num quarto escuro esperando que tudo acabe, mas isso não me ajuda em nada, então o negócio é aprender a cair e levantar e ganhar a vida na base da insistência, da perseverança. Mas mesmo sabendo disso tudo, nada é fácil.

Meus fantasmas sentimentais continuam me perseguindo, me sinto um depósito de mágoas e lembranças ruins e sigo sempre sentindo muito ciúmes das pegadas que as outras que passaram antes de mim deixaram, chego a pensar muitas vezes que só terei sucesso profissional, acho que sou incapaz de amar e ser amada na mesma plenitude. Ainda sonho em encontrar alguém que não me magoe, que não me faça sentir inferiorizada... Já tenho 29 anos e ainda não encontrei, acho que nunca terei o homem que idealizo... Isso me faz sentir muito mal, sou excessivamente passional, me apaixono rápido e com tamanha intensidade, escrevo poesias e construo castelos na areia e eles sempre são derrubados pelas ondas do mar... sempre!




sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Medo do Escuro dos Meus Pensamentos...

É muito difícil lidar diariamente com fantasmas do passado dos que me cercam, sobreviver sob escombros, viver com a luz acesa por medo de ver as criaturas que se abrigam no escuro dos meus pensamentos, lidar com os encontros casuais das coisas que estão associadas a nome de outras pessoas, tentar calar a tristeza e a inferioridade e acabar por externá-la em forma de raiva... Encarar meu vazio, minhas crises crônicas de tédio e ciúmes, enfrentar as cobranças inumanas que faço a mim mesma e aos que me rodeiam. Ter uma sensibilidade incomum, uma forma nada linear de encarar situações e responder a tudo isso com fortes descargas emocionais, que saem do neuro e chegam ao físico. 
E o pior de tudo é não ser compreendida, quem associaria tal comportamento, visto de longe como egoísmo, instabilidade e rancor, a uma doença que causa tanto sofrimento?
A falta de compreensão, gera uma cobrança e uma crítica dos que me cercam e me fazem ficar ainda pior. O resultado é como jogar água em quem está se afogando, ou tentar apagar um incêndio com mais fogo.
Os rótulos variam de egoísta a pavio curto, e que é instável passa a ser visto como falta de personalidade, uma pessoa que se contradiz porque mente ou porque não sabe o que quer. 
Sinto me aprisionada num invólucro de carne e por muitas vezes desejo largar essa roupa corpórea pra trás e sumir de vez...
Na verdade, o que eu quero, é uma quimera, uma idealização de perfeição que visa preencher o meu vazio e me fazer sentir amada, única, importante e confiante. Porém, quase que todas as pessoas que já passaram por mim nessa vida, trouxeram nomes, informações e etc, e isso mexe profundamente comigo, pois não aceito a ideia de ter rivais, de ter oponentes, de dividir espaço nas lembranças e pensamentos. Ninguém consegue entender um ciúme  que aponta pro passado, que retrocede... Mas isso me faz sofrer muito. Tudo que foi dito me esmaga diuturnamente. Sofro de um mal invisível e quem me machuca nem faz ideia da dor que está me causando.



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