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terça-feira, 22 de maio de 2012

Canja de Galinha não faz mal a ninguém.

Estou aprendendo a ser mais calada, me envolver menos com as pessoas, me entregar com reservas e manter o pé atrás, e não está sendo ruim, muito pelo contrário. Continuo sendo extrovertida, brincalhona quando estou com " a galera", mas em certas situações e na presença de certas pessoas, o lance agora é me resguardar. Nos trabalhos em grupo, nas aulas com pessoas imbecis ou no trabalho, a palavra de ordem tem sido silenciar e observar mais, bem mais. 

Mas como tudo tem um começo e um porque, tomar esta decisão não poderia ter sido diferente. Tudo começou quando um filho da puta, em tom amistoso e sorriso estampado no rosto me pediu um favor, que de início parecia inofensivo o que eu não esperava era que, de alguma forma, isso chegasse ao conhecimento da chefia do trabalho e me renderia uma pergunta maliciosa e uma liçãozinha patética de moral, vinda de quem faz o que eu fiz com maestria e anos no posto, mas deixa estar... O bom é que fica a lição.

Quanto ao traíra filho da puta, ele ainda anda tentando se chegar, fingir que nada aconteceu, ser meu amiguinho e eu fico na minha, em momento nenhum eu cheguei nele pra interrogar ou questionar como a ajuda que ele me pediu chegou ao conhecimento da chefia, não perguntei nada porque não curto dar moral pra macaco que quer aparecer, continuo fazendo meu trabalho e mantendo distância das rodinhas de disse-me-disse. Prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

Estou dando meu boi pra não brigar, mas sou capaz de dar uma boiada inteira pra não perder a  briga. Estou na minha, eles que não me provoquem!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Terror de Amar...

Terror de te amar num lugar tão frágil como o mundo
Medo de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa

Onde as palavras, por ti já ditas, me dilaceram alma, mente e coração
Me atormenta sentir tudo que eu sinto...
Sinto o medo
Sinto medo de tudo, me sinto menor que todos
O medo povoa minha mente, habita meu ser e me aniquila...
Tenho medo...
Medo de te amar e me enganar
Medo de me ferir e te machucar
Tenho medo de te amar neste lugar de imperfeição 
Onde tudo me fere e diminui, onde a todo instante vivo o medo de ser deixada
Sinto medo e já não posso mais falar, 
Pois tu já se cansas do meu pesar
Minha dor, hoje, emudeci pra cumprir a promessa que te fiz...


Desde a minha infância fui prisioneira do silêncio. Minha família nunca tinha tempo pra me ouvir ou simplesmente tratava por "besteiras" as minhas necessidades. Sempre tratavam meu modo de ver as coisas como um grande ciclo cansativo e interminável de conversas que não levavam a lugar nenhum, um tribunal onde todos eram culpados e eu inocente, mas não era bem isso que queria dizer, eu só precisava expor minhas dores, minha amargura e ninguém nunca pôde ou nunca quis verdadeiramente me ajudar. Então, cansada de ser mal compreendida, com medo de cansar a todos e acabar sozinha, com medo de ser deixada, desprezada eu me calava, engolia o fel dia após dia em silêncio, fingia ser o que jamais poderia ser, fingia ser "normal". Me esforçava a viver do modo que eles, que todas as pessoas que entraram na minha vida, achavam normal, tolerável e aceitável... mas apesar do imenso  esforço eu sempre fracassava, sou borderline, não sou normal e continuo gritando em silêncio por socorro.

Sofro em silêncio e em uma cantiga muda me encolho em seus braços, retendo lágrimas.



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