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sábado, 28 de setembro de 2013

Solidão

Caminho por entre espinhos, em cada andar.
Perco-me por entre passos curtos porém largos
Olho para o lado... Longe na distância que separa
A realidade ilusória construída por fragmentos de dor
E pedaços de sentimentos contraditórios.

Atravesso a tempestade de forma lenta e passiva
Meus olhos sangram ao enxergar,
O que não pode ser visto.
Perco os sentidos e a vida não mais é sentida,
Ela é expressa somente no instante vivido.

Dois caminhos se cruzam,
Duas estradas e um só pensamento,
A dúvida corrompe o caminhar,
Levando ao extremo da insanidade.

O que fazer se não há nada a ser feito?
O que mudar se a escolha não decide?
Esperar... Acordar... Continuar a caminhar...


Somos anjos de uma asa só.
Precisamos nos abraçar para alçar vôo.


Ao som de: Hate This And I'll Love You -  Muse

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Um lobo solitário.

Antes eu tinha necessidade da aprovação dos meus pais, eu me sentia dependente do elogio deles e temia as censuras, acho que por isso eu nunca me droguei ou me cortei, ou fiz coisas bem sórdidas, tudo por  "medinho" do que aqueles dois filhos da puta iam pensar de mim... E por mais que eu me esforçasse em pensar em não agradá-los e viver minha vida, era involuntário, era mais forte do que eu, e  eu sempre acabava fazendo o que eles esperavam ou aquilo que eu achava que eles fossem gostar.

O tempo tem passado, eu tenho conhecido mais o transtorno, tenho conversado, tenho estudado e estou amadurecendo e para o meu próprio bem eu decidi não ficar me aproximando daquele bando de desgraçados que me tornaram a aberração que eu sou hoje. Quando eu precisei deles, eles me abandonaram e agora eu não preciso mais deles e não existe nenhum deus para qual eu dobre meus joelhos ou acenda uma vela, que me convença de que eu devo perdoá-los. Eu sou livre!

Tenho nojo deles e de tudo que eles me fizeram. Eu não tenho família, eu não tenho ninguém, eu sou um lobo solitário, e faço questão que eles sempre saibam disso.

Eles só querem a "criança herói" ou o 'bode expiatório" deles para manter a família disfuncional funcionando no seu padrão doente e só me querem por perto pra mostrar pros amiguinhos de igreja deles, a "filhinha que deu certo", "a filhinha não drogada que só precisa aceitar jesus pra se tornar perfeitinha e salva".

Nos últimos meses, eu tomei um nojo deles, nasceu um desprezo tão grande dentro de mim... que eu não consigo mais me importar com o que eles pensam, não me importo se me censuram ou se me elogiam. Inclusive, nem a minha casa eles frequentam mais, não os convido pra entrar, eles não são bem vindos, é da portaria do prédio pra rua, e olhe lá...


E a cada vez mais eu me sinto um ser nascido de uma planta, um lobo solitário uivando pra lua, sem matilha, sem laços fraternos sanguíneos com ninguém. Não me vejo filha de duas pessoas tão abomináveis como aquelas e o que me faz feliz, o que me deixa satisfeita,  é saber que eu me tornei maior e melhor que eles, mesmo sem apoio algum, mesmo sem nenhum incentivo, mesmo com todas as humilhações, chacotas e agressões morais, mesmo com o desprezo e o abandono... Eu sou muito mais do que eles mesmos conseguiram ser. Aqueles imbecis sem cultura e sem formação, que só sabem ler a bíblia.

 Eu vou contrariar o meu destino e não vou ser como eles. Nunca!




domingo, 3 de fevereiro de 2013

O "grande jogo das indiretas"

Eu sou uma tagarela incondicional... Gosto de falar, gesticular e ser o centro das atenções. Mas, às vezes, a única solução visível é calar-se... Silenciar tanto as dores quanto a esperança. Pois mesmo a tagarela que sou, sabe que não adianta gritar por socorro quando todos estão surdos

Sou doente, nada mais, nada menos. Não escolhi ser assim e meus sintomas clínicos e psiquiátricos não podem ser tratados meramente como um "jogo de indiretas". Meus sintomas me doem, me fazem sofrer e sangrar e ainda que o TPB agora seja um fantasma mais conhecido e mais controlado, ainda que ele tenha se tornado "apenas" um traço, eu ainda sou uma criatura com necessidades especiais

A mesma criatura que vem sendo negligenciada desde a infância, a adolescência... mas já não adianta remoer o passado, nada acontece, nada muda... Os responsáveis pelo meu cárcere emocional se premiaram com a auto absolvição, não há consciência, nem remorso... nada! Eles acreditam ter agido da maneira correta. Já falei disso aqui antes, e antes e antes... O passado não muda e infelizmente, o presente o tem imitado. 

Eu sou apenas uma jogadora veterana no hall das indiretas... Eu estou tão cansada que resolvi silenciar, engolir o amargo da vida e aceitar que certas pessoas não mudam, que o mal predomina em muitas pessoas e que poucos são os seres humanos capazes de entender alguém extremamente sensível e assustado. 

Minha criança interior, negligenciada e amedrontada não consegue confiar em ninguém...

Vou manter meu silêncio, ele é a voz da minha desesperança e da minha total incredulidade em dias com pessoas melhores. O que são pessoas melhores? O que são pessoas boas? Até quando elas permanecem "boas"? Por quais razões?




"Escuridão já vi pior 
De endoidecer gente sã 
Espera que o sol já vem... 
Tem gente que está 
Do mesmo lado que você 
Mas deveria estar do lado de lá 
Tem gente que machuca os outros 
Tem gente que não sabe amar... 
Tem gente enganando a gente 
Veja nossa vida como está 
Mas eu sei que um dia
A gente aprende 
Se você quiser alguém 
Em quem confiar 
Confie em si mesmo... 
Quem acredita Sempre alcança..."

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Adeus passado... Olá futuro!


Eu já tentei fazer terapia mil vezes e acabei abandonando a terapia mil vezes depois também. No início era legal entender meu passado, linkar com o presente e descobrir os motivos, as razões... Mas depois, a terapia se tornou um sofrido mergulho de encontro ao passado e eu acabei me cansando disto também. Como leio muito, encontrei num livro uma tal "terapia breve voltada para a solução" e gostei da proposta dela. Apesar de ser breve, ela "demora" em média 1 ano. A psicoterapia ericksoniana, um tipo de terapia breve voltada para a solução de problemas.

... em 4 passos:

1º: O que é que quer?
2º: Como é que vai saber que já tem o que quer?
3º: O que é que já está a fazer para alcançar o que quer?
4º: O que é que vai estar a acontecer quando estiver um pouco mais perto daquilo que quer?

Porque remoer o passado não vai ajudar a mudar o futuro. Percebi que as terapias convencionais me deprimiam mais e me desmotivavam muito. Com a TBVS eu aprendi a me conhecer e me aceitar mais.
“Não existem sistemas funcionais ou disfuncionais. Mesmo um sistema disfuncional tem momentos em que funciona (…) por isso, mais do que as causas dos problemas, devemos procurar como resolvê-los, procurar a diferença que faz a diferença, fazer da excepção a nova regra. A solução vem do próprio sistema, a solução vem antes do problema, é a outra face do problema. (…) Existem diferentes possibilidades de solucionar algo. A ênfase nos recursos, no que melhorou, nas soluções, no presente e futuro, no positivo, na mudança. Problemas puxam problemas, soluções puxam soluções.” (Mestre Wolfgang Lind)

domingo, 15 de janeiro de 2012



Se o meu sorriso mostrasse o fundo da minha alma, muitas pessoas ao me verem sorrir, chorariam comigo! 
[Kurt Cobain]




Estou aproveitando o dia de chuva pra preparar um visual novo pro blog... Este verde já encheu meu saco. Já que o domingo é entediante, está chovendo e meu humor está anti-social, nada melhor que naufragar no computador.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Elevação (ou não)

"Quero atingir um estado de elevação que me dê a liberdade da dor, do sofrimento e do mundo externo"

Há quem prefira voar, há quem prefira sonhar como também há quem saiba que viver é mais que comprar e comer. A liberdade torna-se sempre numa decisão, numa procura ou numa viagem com aventura para encontrar o propósito. Cair e levantar é lograr a perfeição numa oportunidade que não posso desperdiçar.

Enquanto batalho contra mim mesma, perco as forças e energias contaminando o meu mundo em lamentações e sofrimento com a ilusão de que a salvação está por entre aqueles que me rodeiam. Minha criança ferida quer atenção, companhia e carinho desmedidos, sem lógica, sem razão, sem nada parecido com o que já houve antes.

A esperança existe como os rios que nunca deixam de correr para o oceano, nem as estrelas deixarão de brilhar e eu acredito que uma delas conseguirei alcançar. Perdoa-me então por estar novamente a exigir tanto ti, mas somente tu fazes parte da minha mente e do meu ser e, sendo assim eu não gostaria de ter que me deparar com os seus trapos, restos e raspas. Mas mesmo te amando tanto enquanto meus lábios dizem que eu te odeio e eu tento fazer você sentir através das minhas ofensas toda dor e medo que eu sinto, saiba que podem passar mil dias, mil anos, eu nunca soltarei as tuas mãos para que assim estejas sempre no meu coração. 



Depois de todas as brigas, crises, ofensas e descontrole, eu extravaso minhas decepções, coloco a criança ferida a fazer pirraça diante de todos para chocá-los e logo depois baixo os braços rapidamente na esperança que o amanhã venha modificar os contornos e unir de novo os nossos caminhos, para que juntos possamos voltar a trilha-los acreditando na cura, no controle e em dias melhores.

O coração dói tanto aqui dentro por tudo que me fazes sem saber ou sem desejar, por tudo que eu faço por descontrole, por tudo que eu gostaria de arrancar de vez da minha vida e por toda tempestade que eu causo e me arrependo tão terrivelmente depois... Nesses momentos fico fria, distante, descrente, pensando que o melhor mesmo é fugir, sumir, te largar, morrer... Qualquer coisa que tire dos meus olhos tudo que trás a dor e o medo à tona novamente.



quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Cada dia um novo desafio na mesma rotina.



Eu gostaria que as pessoas entendessem de uma vez por todas que eu não sou borderline por escolha, opção e tampouco conveniência. Existe uma clara diferença entre, o que eu sou, o que eu quero ser e o que eu POSSO SER. E é neste estágio que eu estou agora, na transição do que eu sou para o que eu posso ser. Sem me preocupar com o que as pessoas querem de mim. Desisti de tentar corresponder as expectativas dos outros e anular a mim mesma, cansei dos sorrisos falsos, cansei das manipulações dos meus parentes, aliás, cansei tanto deles, que me mudei e eles nem tem meu endereço atual, eles apenas acreditam que ainda moro na casa antiga, que é própria e que guarda alguns móveis meus, e que “vivo batendo perna” por aí. Mas pra que contar? Eles sempre me enchem de críticas e me fazem olhar pra trás pra lamentar o que foi deixado... Cansei do algoritmo de funcionamento que eles, por tanto tempo, me obrigaram a executar. Agora, eu quero ser livre... mas não é assim do dia pra noite que as coisas acontecem...

Tenho andado deprimida e desanimada, tudo porque sei que em breve serei deixada sozinha enquanto meu namorado, mais uma vez, viaja sei lá pra qual escola de pilotagem, pra ficar mais sei lá quanto tempo, pra tirar uma tal especialização ou voltar com as mãos abanando mais uma vez... Na verdade, detesto a idéia de me relacionar com um piloto, por tudo que envolve a “carreira”, desde as viagens, a não ter um endereço pra procura-lo no meio do expediente em uma emergência e principalmente pelas vadias que ele terá como colega de trabalho, na forma de comissárias, aeromoça ou qualquer porcaria dessas, que já que são galinhas destituídas de asas, usam o avião pra voar e galinhar.

Enfim... Não posso fazer nada e só Deus sabe como dói esta impotência e esta briga interior entre os meus insights e meu transtorno.

Minha psicóloga diz que este mecanismo é o de testar o amor das pessoas por mim, pra ver até onde elas são capazes de ir ou o que são capazes de abandonar. Seguindo esta “lógica” eu busco descobrir se estou realmente segura naquele relacionamento ou se serei deixada, trocada ou diminuída perante alguma coisa como minha mãe fazia comigo. Isso se resume em: “você me ama mesmo, em qualquer situação ou vai fazer igual a minha mãe?”

Quando me decepciono eu brigo, grito, faço escândalo e até fico muda. Mas uma coisa é certa, minhas emoções são intensas, me dou inteira, me desgasto, me gasto, me canso de amar, de odiar, me empenho, vou ao extremo. Não sei ser menos que intensa...

Talvez isso seja uma fraqueza, uma doença, uma fuga... Será algo positivo de alguma forma? Não sei. Já tentei ser de outra forma, esse é um dos motivos pelo qual faço terapia, me cansar menos de minhas relações, me cansar menos de mim mesma. Só que me saturo, perco a paciência, a fé, a confiança, a vontade... Faço os dias pesados, sangro os pés, pois, nunca me lembro de por as sandálias para caminhar nesta estrada longa e cheia de pedras. Cada dia um novo desafio na mesma rotina... Dá pra entender?

A vida nunca deixará de ser um desafio, acredito eu... Embora muitas vezes tenha pensado em desistir, e acho que ainda retornarei a esse pensamento, pois, toda vez que uma dor forte vem, é inevitável, pensar que ficar sem sensação me traria paz... Mas evitar pensamentos de inferiorização, tortura, culpa e morte também é um desafio que estou vencendo, dias sim... dias não.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Meditação e Paz Interior

"Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém..
Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim.
E ter paciência para que a vida faça o resto..."
(William Shakespeare)


Cheguei a este pensamento meditando ontem sobre meus problemas e minhas necessidades, percebi que, ao invés de clamar que os outros me deem o que me faltou na infância e etc, eu preciso tirar um aprendizado desta dor e ajudar a quem, hoje está sofrendo como eu já sofri. Vou encontrar o amor que preciso e preencher meu vazio, ajudando ao próximo, fraternidade é a resposta do meu sofrimento. As coisas começam a ficar mais fáceis quando, você entende os mecanismos da sua mente, quando você entende que tudo é uma questão de atração kármica e que não existe ninguém que sofra injustamente, por mais que doa, alguma coisa eu fiz pra atrair a estória da infância sofrida que eu tive e sim, isso me deixou cicatrizes e muitas dores, mas além disso tudo fica a indagação: "Quem eu fui antes? O que eu fiz? Porque precisei reencarnar e pagar deste jeito?"

As respostas eu não tenho, mas posso deixar estas questões um pouco de lado e aprender com a vida e com as situações, reverter meu karma, ajudar ao próximo, parar de pedir que olhem pra mim, pra minha dor e ajudar a quem sofre e assim começar um novo plantio, para no futuro colher frutos mais doces. Mas claro que chegar a esta conclusão não torna em nada a minha jornada fácil, apenas me dá entendimento, o entendimento que antes me faltava. Haverão dias difíceis, haverão dias de crise e de choro, assim como haverão dias pra cantar e dançar na chuva.


Basta um passo a frente e não estará mais no mesmo lugar.





quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sobrevivendo em meio a crise.


Estou sobrevivendo a uma série de crises ultimamente, infelizmente estou mergulhada num humor pessimista e sentindo uma grande preguiça pra iniciar qualquer projeto novo ou até mesmo dar continuidade aos já existentes. Quando estou assim, eu respiro fundo, durmo e procuro me envolver com coisas que me deixem feliz e me afasto das pessoas que costumam me ferir, ouço músicas que me joguem pra cima e espero a poeira baixar. Por enquanto é só o que posso fazer. O psiquiatra de ontem me deixou muito abatida e prostrada hoje... Como ele pôde descartar de cara a hipótese do TPB simplesmente porque nunca me cortei, queimei e por não ter uma ocorrência policial. Ele realmente pensa que os portadores de TPB são apenas criminosos e pessoas com potencial pra automutilação? Ele ignora todos os demais sintomas?! Sequer para pra analisar meus "sintomas" e minhas queixas de mais de 12 anos onde tudo acontece da mesma maneira, sempre as mesmas idealizações, sempre as mesmas frustrações, sempre a cisão, sempre a desvalorização do outro quando qualquer não era dito pra mim. Enfim... ele sequer quis me ouvir, me rotulou bipolar porque nunca andei numa viatura policial. Como pode ser tão limitado?



 Sintomas (claro que nem todas as Borderline tem todos estes sintomas):

  • Medo de abandono: uma necessidade constante, agoniante de nunca se sentirem sozinhas, rejeitadas e sem apoio.

  • Dificuldade de administrar emoções.


  • Impulsividade.

  • Instabilidade de humor. As oscilações de humor do DAB ou TAB - Distúrbio ou Transtorno Afetivo Bipolar duram semanas ou meses, mas as Borderline têm oscilações de minutos, horas, dias. Essas oscilações de humor incluem depressões, ataques de ansiedade, irritabilidade, ciúme patológico, hetero- e auto-agressividade. Uma paciente marca a consulta informando que está super deprimida, querendo morrer. No dia seguinte chega à consulta bem humorada, bem vestida, maquiada, vaidosa.


  • Comportamento auto-destrutivo (se machucar, se cortar, se queimar). As portadoras de Borderline dizem que se machucam para satisfazer uma necessidade irresistível de sentir dor. Ou porque a dor no corpo "é melhor que a dor na alma".

  • Tentativas de suicídio, mais freqüentemente as de impulso do que as planejadas.


  • Mudanças de planos profissionais, de círculos de amizade.

  • Problemas de auto-estima. Borderlines se sentem desvalorizadas, incompreendidas, vazias. Não tem uma visão muito objetiva de si mesmos.

  • Muito impulsivas: idealizam pessoas recém conhecidas, se apaixonam e desapaixonam de maneira fulminante.

  • Desenvolvem admiração e desencanto por alguém muito rapidamente. Criam situações idealizadas sem que o parceiro objeto do afeto muitas vezes nem tenha idéia de que o relacionamento era tão profundo assim...

  • Alta sensibilidade a qualquer sensação de rejeição. Pequenas rejeições provocam grandes tempestades emocionais. Uma pequena viagem de negócios do namorado ou marido pode desencadear uma tempestade emocional completamente desproporcional (acusações de rejeição, de abandono, de não se preocupar com as necessidades dela, de egoísmo, traição, etc).

  • A mistura de idealização por alguém e a extrema sensibilidade às pequenas rejeições que fazem parte de qualquer relacionamento são a receita ideal para relacionamentos conturbados e instáveis, para rompimentos e estabelecimento imediato de novos relacionamentos com as mesmas idealizações.

  • Menos freqüente: episódios psicóticos (se sentirem observadas, perseguidas, assediadas, comentadas).

Tudo que eu sublinhei eu tenho, eu sinto. Não por querer, não por ter escolhido ser borderline, não por achar que ter tal transtorno seja glamouroso ou motivo de orgulho... Eu sou borderline, talvez pelos frequentes maus tratos que minha mãe dispensava a mim, pela frieza e crueldade das palavras e dos castigos que ela me submetia, pelas vezes que me deixava trancada no quarto, me comparava as outras crianças, se desfazia das minhas demonstrações de carinho sempre respondendo "o que é você quer de mim pra ficar de falsidade?", pelas vezes que ela me disse que eu era tão ruim que nem a tentativa de me abortar tinha dado certo, por eu não recordar de nenhum momento de afago ou afeto, mas sim de todas as vezes que ela me chamava de "maldita", "desgraçada", "peste", "imunda" e tantas outras ofensas enquanto seu olhar pra mim era de desprezo ou nojo. Meu pai, era muito rígido e conservador, não havia agressão física da parte dele, mas havia a imposição de inúmeras regras inquebráveis, ele sempre foi inflexível.

Por hoje é só, começo a me sentir demasiadamente irritada com tudo que me cerca. Vou escutar uma música, jogar um jogo qualquer, comer...


terça-feira, 8 de novembro de 2011

Apenas um vaga-lume na escuridão...

Hoje foi um dia proveitoso, depois de verdadeiras tempestades emocionais com altas descargas de conflitos e mágoas em relação aos meus pais, que já residem em mim há mais de uma década, hoje foi um dia pra encontrar uma luzinha no fim do túnel. Encontrei alguns artigos científicos que abordam o transtorno borderline e, nas referências bibliográficas encontrei alguns livros que desejo ler.


  • Borderline - Mauro Hegenberg e Flávio Carvalho.
  • Vencendo o Transtorno da Personalidade Borderline: Com a Terapia Cognitivo-comportamental - Marsha Linehan.


E ainda tomei conhecimento da existência de grandes estudiosos do transtorno borderline no Brasil:


  • Doutor  Erlei Sassi 
  • Mauro Hegenberg


"Os borderliners melhoram com a idade”, afirma o psicanalista Mauro Hegenberg, autor do livro Borderline.
O psiquiatra que de baseia apenas nos sintomas incluídos no DSM pode errar”, diz. “É comum confundirem a doença com o transtorno bipolar, por exemplo”. Além do diagnóstico difícil, os médicos precisam saber lidar com os pacientes. “É um atendimento que demanda muita energia”, observa Hegenberg. “Você tem que deixar o celular ligado e estar à disposição 24 horas por dia. Já atendi a muitos telefonemas de pacientes que estavam à beira de um suicídio”
Quando perguntado porque ter decidido se especializar  num transtorno tão complexo, ele responde:  “O borderliner é muito cativante”, explica Hegenberg. “São pessoas interessantes, inteligentes, cheias de vida e com uma personalidade extremamente sedutora”. 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dor...

A palavra dor é pequena demais pra dizer o que estou sentindo...


Uma lágrima rola pelo rosto
Um pingo de desgosto que não quer cessar
A morte é parte da vida,
Será humano desistir, se entregar?

Mais uma vez me vejo obrigada a desistir da ideia de desistir de tudo, me fazendo acreditar que posso ser importante pra um alguém. Mas nada disso me parece muito viável quando a única pessoa pela qual me forço a viver quer me dar as costas e chamar de "mãe" alguém que não a gerou...



segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Uma borboleta no aquário.

Eu costumo remoer mágoas e lembranças negativas. Não consigo parar de o fazer e por vezes parece ser a única coisa que me faz sentir viva. Como se fosse uma forma de auto-mutilação.

Passo dias obcecada, me sentindo injustiçada e pensando em coisas ruins.  
Acho que há um grande desprezo dos médicos em relação ao transtorno borderline, não fazem um grande esforço para a diagnosticar. Sugerem logo um quadro de depressão, bipolaridade ou estresse emocional.

Toda a minha vida persegui uma alma gêmea, vivi sempre na expectativa de encontrar aquela pessoa que ia ser perfeita em todos os as aspectos e era a pessoa ideal para mim. Mas sinto-me sempre tão carente e tenho tanta dificuldade em relacionar-me que por muitas vezes aceito a primeira pessoa que demonstra interesse em mim. Não suporto a ideia de estar sozinha. E quando conheço alguém também assumo logo que já há uma relação, e que essa pessoa me deve alguma coisa e que vai acontecer alguma coisa entre nós e não suporto a rejeição quando assim não acontece.

E eu acabo por sentir-me sozinha neste mundo que é só meu, e com tanto medo do mundo que está lá fora... 

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Medo do Escuro dos Meus Pensamentos...

É muito difícil lidar diariamente com fantasmas do passado dos que me cercam, sobreviver sob escombros, viver com a luz acesa por medo de ver as criaturas que se abrigam no escuro dos meus pensamentos, lidar com os encontros casuais das coisas que estão associadas a nome de outras pessoas, tentar calar a tristeza e a inferioridade e acabar por externá-la em forma de raiva... Encarar meu vazio, minhas crises crônicas de tédio e ciúmes, enfrentar as cobranças inumanas que faço a mim mesma e aos que me rodeiam. Ter uma sensibilidade incomum, uma forma nada linear de encarar situações e responder a tudo isso com fortes descargas emocionais, que saem do neuro e chegam ao físico. 
E o pior de tudo é não ser compreendida, quem associaria tal comportamento, visto de longe como egoísmo, instabilidade e rancor, a uma doença que causa tanto sofrimento?
A falta de compreensão, gera uma cobrança e uma crítica dos que me cercam e me fazem ficar ainda pior. O resultado é como jogar água em quem está se afogando, ou tentar apagar um incêndio com mais fogo.
Os rótulos variam de egoísta a pavio curto, e que é instável passa a ser visto como falta de personalidade, uma pessoa que se contradiz porque mente ou porque não sabe o que quer. 
Sinto me aprisionada num invólucro de carne e por muitas vezes desejo largar essa roupa corpórea pra trás e sumir de vez...
Na verdade, o que eu quero, é uma quimera, uma idealização de perfeição que visa preencher o meu vazio e me fazer sentir amada, única, importante e confiante. Porém, quase que todas as pessoas que já passaram por mim nessa vida, trouxeram nomes, informações e etc, e isso mexe profundamente comigo, pois não aceito a ideia de ter rivais, de ter oponentes, de dividir espaço nas lembranças e pensamentos. Ninguém consegue entender um ciúme  que aponta pro passado, que retrocede... Mas isso me faz sofrer muito. Tudo que foi dito me esmaga diuturnamente. Sofro de um mal invisível e quem me machuca nem faz ideia da dor que está me causando.



quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Eu te odeio, não me abandones - O Psicodrama Borderline

Imaginem uma pessoa que por algum erro constitucional nascesse sem pele: qualquer toque, por mais leve, provocaria dor e reação intensa. Assim é o borderline, o que lhe falta é a pele emocional. 

Buscando, de modo simplista, a fórmula de produção desta patologia, poderíamos pensar que uma criança demasiadamente sensível, em contato com um ambiente invalidador, multi-abusivo e destruidor de sua autoconfiança básica, tende a desenvolver comportamentos defensivos que se constituirão nas próprias características do distúrbio. 

Como adulto, o borderline acaba reproduzindo as características invalidadoras de seu meio: invalida suas próprias experiências emocionais e busca nos outros interpretações sobre a realidade. É incapaz de resolver problemas rotineiros, tem dificuldades generalizadas de "como viver". Formula objetivos pouco realistas, não valoriza pequenos êxitos e se odeia diante dos insucessos. A reação característica de vergonha é o produto natural de um ambiente que envergonha quem demonstra vulnerabilidade emocional. 

O sofrimento e as reações emocionais são extremas: o que seria apenas embaraçoso, torna-se, para ele, profundamente humilhante; desagrado pode tornar-se ódio; culpa leve, torna-se vergonha; apreensão transforma-se em pânico. "Prisioneiro" das próprias emoções, basta um pequeno estímulo para provocar reações intensas, crises de fúria que confundem e assustam as pessoas à sua volta e ele mesmo. Cria grandes tragédias das quais reclama com fúria crescente, culpando os outros pela situação em que se encontra. Quanto maior a expressão da raiva, mais o borderline se convence e tenta convencer os outros de que são responsáveis por seus sentimentos. E como suas respostas emocionais são de longa duração (lento para voltar a um nível emocional adequado) permanece altamente sensível ao próximo estímulo.

Tendo seu desenvolvimento emocional detido nas primeiras fases, o borderline é uma criança num corpo adulto e, como a criança, é impulsivo, não sabe esperar, não aceita se frustrar, tem dificuldade em simbolizar conceitos abstratos.Tenta conseguir tudo que quer o tempo todo, a qualquer custo. Em resumo: o borderline tem imensa dificuldade em lidar de forma adequada com suas emoções e a terapia precisa encontrar caminhos: primeiro para não se deixar destruir por demonstrações emocionais grandiosas; segundo para não destruir a precária estrutura emocional que o paciente apresenta; por último, para conseguir formas criativas de fazer pequenos "enxertos" (ele não possue "pele emocional") e dar algum invólucro que lhe possibilite crescer e se desenvolver dignamente.


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