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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Perdas e Ganhos

Me aconteceram coisas muito intensas em 2013, não estou fazendo minha retrospectiva mas existem fatos que não podem ser ignorados. 

Me envolvi em um relacionamento perigoso, instável e sem futuro com um outro borderline de Portugal, poucos dias foram suficientes para mostrar o quão destrutivo podem ser alguns relacionamentos. Gastei tempo, gastei dinheiro, me feri emocionalmente, feri meu noivo (meu companheiro que divide a casa e a vida comigo), fiz várias loucuras, agi por impulso,  cometi as mais loucas insanidades, fui de encontro ao abismo mais fundo, mas graças a Deus eu sobrevivi. E bem sei que terei muito mais tempo para viver do que aqueles dias que passei com o "outro borderline", vou trabalhar (na minha área profissional que é minha paixão) e vou ganhar muito mais dinheiro do que aquele que eu gastei com o "outro borderline". 

A vida vai retomar seu curso normal e de tudo que passou fica o aprendizado, sobre mim mesma, sobre minhas crises, sobre o quão longe eu posso ir e do tanto que eu preciso pensar, repensar e refrear meus impulsos. 

Não se cai no mesmo buraco duas vezes. 

O meu companheiro me perdoou, está ao meu lado e estamos mais unidos que antes, somos amigos, nos divertimos juntos. Ele é meu porto seguro, a oscilação perfeita entre os quatro pontos cardeais. Ele dá luz e sentido à minha existência, torna meu caminhar mais tranquilo e eu o amo e agora, mais do que nunca, eu sei que ele é o meu anjo, meu cuidador, meu amado, meu noivo e minha metade.


"Aprendi que as paixões são intensas mas se vão sem dar adeus. Prefiro o verdadeiro amor, que fica, se acampa, bate o pé, faz morada e me permite ter um final feliz."


Esta imagem é para simbolizar as folhas que caem no outono e como a natureza se renova, desprezando o que já não faz falta e preservando o que é fundamental.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Adeus passado... Olá futuro!


Eu já tentei fazer terapia mil vezes e acabei abandonando a terapia mil vezes depois também. No início era legal entender meu passado, linkar com o presente e descobrir os motivos, as razões... Mas depois, a terapia se tornou um sofrido mergulho de encontro ao passado e eu acabei me cansando disto também. Como leio muito, encontrei num livro uma tal "terapia breve voltada para a solução" e gostei da proposta dela. Apesar de ser breve, ela "demora" em média 1 ano. A psicoterapia ericksoniana, um tipo de terapia breve voltada para a solução de problemas.

... em 4 passos:

1º: O que é que quer?
2º: Como é que vai saber que já tem o que quer?
3º: O que é que já está a fazer para alcançar o que quer?
4º: O que é que vai estar a acontecer quando estiver um pouco mais perto daquilo que quer?

Porque remoer o passado não vai ajudar a mudar o futuro. Percebi que as terapias convencionais me deprimiam mais e me desmotivavam muito. Com a TBVS eu aprendi a me conhecer e me aceitar mais.
“Não existem sistemas funcionais ou disfuncionais. Mesmo um sistema disfuncional tem momentos em que funciona (…) por isso, mais do que as causas dos problemas, devemos procurar como resolvê-los, procurar a diferença que faz a diferença, fazer da excepção a nova regra. A solução vem do próprio sistema, a solução vem antes do problema, é a outra face do problema. (…) Existem diferentes possibilidades de solucionar algo. A ênfase nos recursos, no que melhorou, nas soluções, no presente e futuro, no positivo, na mudança. Problemas puxam problemas, soluções puxam soluções.” (Mestre Wolfgang Lind)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

As luzes de Natal estão piscando.

Meus dias tem me feito sentir como uma panela de pressão sem válvula de escape... Sinto tudo muito intensamente sempre, seja bom ou seja ruim. Eu tomo quando necessário pra me acalmar e me fazer dormir o Rivotril (clonazepam) 5 mg e sibutramina 10mg pra me livrar de comer compulsivamente, o que seria completamente inconveniente pra minha profissão.  Não os tomo diariamente, odeio a ideia de escravidão a um fármaco.

O passado é uma tortura, não consigo me livrar dele, muitas das vezes assuntos atuais acabam colidindo com alguma coisa do passado, e é sempre angustiante e doloroso. Meu mal maior é o ciúme, é patológico, é doente, é ilógico, e é completamente absurdo. As ligações do presente com o passado que eu crio na minha mente são apenas formas de me machucar mais, como se fosse um mecanismo incontrolável, eu preciso sentir dor. Acho que é assim que eu me mutilo, me firo e me destruo... em pensamentos. Não é necessário um caco de vidro, faca ou qualquer outro objeto pra me punir, diminuir e me fazer sangrar dolorosamente, a arma está em mim, a arma são os meus pensamentos que atuam contra a minha própria integridade. E é muito lamentável, ter insights que me mostram tudo isso e ainda assim, ser tão impotente enquanto todos a minha volta acreditam que eu faço isso por querer, pra me fazer de vítima, por vício e por pura vontade. Nossa doença é cinza e fria, não desperta a piedade de ninguém, só desperta o preconceito e conceitos estereotipados, pra eles somos "pavio curto", "cabeça quente", "eternas vítimas", "rancorosos" e etc, etc e etc... O que eles não sabem é o que passamos e sofremos por sermos assim. É uma grande injustiça quando dizem que o TPB afeta mais quem está em contato com o pessoa portadora do transtorno que o próprio paciente, quem diz isso não sabe o que é viver no olho do furacão como nós vivemos.

Quanto ao Natal que se aproxima, ele me desperta uma grande revolta pelo seu caráter consumista e hipócrita. Mas ainda assim, eu gosto de ver as árvores de Natal piscando, gosto dos enfeites, acima de todos os anjinhos e os bonecos de neve. E por trás desse perfil capitalista todo, eu ainda vejo uma pontinha de sonhos e esperança, isso me agrada, deve ser a parte de mim que não cresceu e que em algum lugar ainda está esperando dar meia noite pra ver o que o Papai Noel trouxe. Acho que essa é minha marca maior, a indecisão. Tenho mais de uma opinião pra quase tudo e isso muitas das vezes me confunde e me consome. Tenho saudade da criança que eu não fui e ainda me pego imaginando realidades paralelas, "como teria sido se..." e o Natal aumenta isso em mim. É uma época difícil...




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