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domingo, 22 de janeiro de 2012

O vazio... o eterno vazio

É triste ter uma mãe e não ter uma amiga. Uma pessoa que faz sua comida, lava sua roupa mas acha que cuidar é só isso, faz o serviço mecânico mas não te dá apoio e cuidado emocional, motivacional. Uma pessoa que te fere no íntimo dia após dia e te faz sentir pior que os outros, te faz sentir sozinho, e acaba com a sua auto estima, desmotiva ... É triste e é um sofrimento silencioso, porque pros vizinhos e familiares "ela cumpre o dever de mãe dela". E o vazio te acompanha na vida adulta, quando você tem um corpo cronologicamente crescido e uma alma de criança ferida, querendo a atenção e o carinho deste primeiro relacionamento humano, que é o relacionamento mãe e filho.


Nos últimos dias andei ausente do blog, andei ausente de mim mesma, numa fuga inútil onde tentamos escapar daquilo que somos, ou daquilo que os outros nos tornaram... Daí me escondi em livros, filmes, arrumação de guarda-roupa e prateleiras, escrevi outros blogs sobre outros assuntos, mas a vida dá sinal que vai mal, que se arrasta... As brigas com o mundo e comigo mesma são frequentes e chega um ponto que tudo perde o sentido... E você se contenta em apenas seguir em frente, seguindo sabe-se lá pra onde...


Obrigada pelas pessoas que vem até aqui e fazem parte da minha caminhada, comentando ou em silêncio, é bom tê-los... 

sábado, 17 de dezembro de 2011

Sobre minha infância - Minha mãe, eu e o TPB



Falar da minha infância em geral é difícil, minha memória me prega peças, o raciocínio se embaraça e eu até lembro de algumas coisas boas e me sinto fantasiando com elas além do que aconteceu na realidade, ou me vejo tentando dar valor demais a pequenos gestos que seriam "qualquer coisa" num contexto comum, porém eu fico tentando decorar bastante e valorizar o máximo possível... Em outros momentos lembro de coisas que realmente me machucaram e aí sinto que me perco nos pensamentos, tudo fica embaçado e confuso, sinto tristeza e vazio, e uma única pergunta me vem a mente: "Porque eu tive que passar por tudo isso e me tornar esse nada que eu sou hoje?"
Meu relacionamento com minha mãe sempre foi caótico, nebuloso, cheio dos mais variados conflitos desde que eu era muito pequenininha... Não me sinto a vontade pra falar a palavra "mãe" até hoje. Sobre ela posso enumerar alguns eventos traumáticos da minha infância:

  1. Nunca falava comigo com voz meiga e amigável
  2. Não me ajudava tanto quanto eu precisava
  3. Não me deixava fazer o que eu gostava
  4. Sempre pareceu emocionalmente fria comigo
  5. Nunca pareceu compreender meus problemas e preocupações
  6. Nunca era carinhosa comigo
  7. Não gostava que eu tomasse minhas próprias decisões (a não ser pra me ironizar ou hostilizar depois)
  8. Queria que eu deixasse logo de depender dela (crescesse, morresse ou sumisse)
  9. Não se importava com o que eu fazia desde que não perturbasse ela
  10. Sempre invadia minha privacidade (roubava meu diário e xerocava para me chantagear depois ou apenas pra me perturbar caçoando dos meus sentimentos, os ironizando de forma sarcástica ou ainda me interrogando sobre o que eu escrevia sobre ela, sobre o desamor dela por mim ou de como eu gostava da casa da minha avó. Geralmente ela me punia por isso, pelas coisas que eu falava sobre ela e me chamava de "ingrata imunda" pelo que eu escrevia me referindo a minha avó)
  11. Não gostava de conversar comigo
  12. Nunca sorria pra mim (a não ser com deboche)
  13. Não tendia a me tratar como bebê
  14. Não entendia o que eu queria ou necessitava
  15. Não deixava eu decidir minhas coisas (e quando eu decidia mesmo sem permissão, ela sempre desdenhava, colocava defeito ou tentava me colocar em dúvida)
  16. Sempre me fazia sentir que não era querida
  17. Nunca me fazia sentir melhor quando estava triste (ela aparecia com cara de deboche e me mandava procurar "a santa da minha avó")
  18. Não conversava comigo
  19. Não tentava me fazer dependente dela mas gostava de me manipular, me usar pra seus próprios interesses e me coagir
  20. Sentia que seria melhor pra mim se ela não estivesse por perto
  21. Não me dava a liberdade saudável que eu precisava
  22. Não me deixava sair (e quando deixava era pra me chantagear e "trocar favores")
  23. Não era superprotetora comigo (fazia apenas sua obrigação de "mãe" pra evitar brigas com meu pai)
  24. NUNCA me elogiava ( claro que usava os adjetivos positivos pra ironizar e me hostilizar)
  25. Não deixava eu me vestir como eu queria e quando permitia que eu escolhesse minhas roupas, tripudiava e me fazia sentir feia alegando que tais roupas só ficavam boas em meninas bonitas.
Estas 25 questões, respondidas por mim, fazem parte do Parental Bonding Instrument (Mother), que lista várias atitudes e comportamentos dos pais na forma como o paciente se lembra destes até os 16 anos de idade. Este teste foi retirado da Tese de Doutorado - Fatores ambientais e vulnerabilidade ao TPB - apresentada pelo Dr Sidnei Samuel Schestatsky da UFRS.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Relação Mãe - Bebê e o TPB (parte I)


A psicanálise desde sempre insistiu que a forma pela qual o bebê e sua mãe interagem criaria dentro da mente do bebê a primeira representação interna, não apenas da outra pessoa (a mãe), mas da própria interação, isto é, representação de um relacionamento. Estas representações iniciais seriam críticas para o subsequente desenvolvimento da criança. A interação ocorre nos dois sentidos, ou seja, o modo como o bebê interage com a mãe também influencia o comportamento materno para com ele. Um apego seguro com a mãe provavelmente permite desenvolver na criança conforto e segurança consigo mesma, além de confiança básica nos outros, enquanto que um apego inseguro deixaria a criança ansiosa e confusa.

Estudos cognitivos e neurobiológicos do desenvolvimento, é a de que o processamento das representações internas primitivas só pode ser induzido durante certos períodos críticos da vida da criança. Durante esses períodos, o bebê e seu cérebro em desenvolvimento precisam interagir com um ambiente suficientemente bom, se houver expectativas de que sua personalidade venha a se desenvolver satisfatoriamente (Kandel, 1999). Ao elaborar um modelo animal para o desenvolvimento do bebê baseado na observação das consequências da separação precoce (por 6 meses há 1 ano) de macacos recém-nascidos de suas mães, quando eles retornavam mais tarde a companhia de outros macacos, embora fisicamente saudáveis, mostravam-se emocionalmente devastados. Isolavam-se em um canto das jaulas, embalavam-se como crianças autistas, não interagiam, não lutavam.

Extraído de: Tese de doutorado UFRS Sidnei Samuel Schestatsky


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