quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

De volta ao começo... De volta ao nada.

Hoje eu fui ao psiquiatra, depois de muito resistir a ideia, não é fácil depois de tantos anos seguindo um padrão, mesmo que tal padrão me faça sofrer, acordar e tomar consciência de que tenho um transtorno que me torna infeliz e afeta os que me cercam e assim como mágica, decidir ir passeando num psiquiatra.

Ele nitidamente, não gostou quando apresentei meus sintomas e minha suspeita em ser TPB, insistiu que eu era bipolar e hiperativa, ignorando totalmente a maioria dos sintomas TPB que eu possuo, alegou ainda que a internet dá nisso, em pessoas investigando de forma leiga as coisas, ainda rebati dizendo que faço parte de um grupo de pesquisa científica na faculdade e que atuo na área da saúde e que além disso,  não tinha consultado qualquer fonte pra localizar os textos sobre TPB, não li nada num lugar irrelevante, ou num site populista, disse que havia pesquisado em periódicos científicos que publicam pesquisas psiquiátricas, ele disse que nem ia perder o tempo dele olhando um texto de internet.
A consulta não durou mais que 30 ou 40 minutos e ele me definiu como bipolar  e hiperativa, pra ele a hiperatividade explicava minhas crises súbitas de raiva e me mantinha "viva" pra continuar seguindo meus projetos. Me prescreveu até um medicamento, Depakote 500 mg (ácido valpróico) e pediu pra eu fazer alguns exames depois de estar tomando essa substância por 7 dias no mínimo.



Sai daquele consultório me sentindo ridícula, esperei muito pela consulta, foi uma decisão difícil de ser tomada e resultou nisso. Ele disse que eu jamais seria borderline porque eu mesma procurei ajuda, porque eu mesma me "rotulei" borderline, que borderlines se auto-mutilam, se cortam e tentam se matar, e que, se eu não tenho cicatrizes de auto-agressão nem passagem pela polícia eu não poderia ser TPB. Disse a ele que trabalho em academia, que sou personal trainer e que jamais seria aceita em meu trabalho se tivesse marcas de auto-mutilação e que além disso, o corpo humano é o objeto de estudo da minha área e sendo assim, pra mim, não é tão simples me cortar como forma de punição, mas perguntei se ele não concordava comigo que, auto agressão nem sempre precisa ser física, pode ser muito além do corpo, pode ser emocional, pode ser psiquica, pode ser verbal e etc... Pra completar tudo isso, eu tenho uma filha e não quero traumatizar a menina com cenas chocantes de auto-destruição, mas que sim, já pensei em me matar algumas vezes, porém o fato de eu ter tido uma mãe monstruosa me faz ter a necessidade de ser uma mãe melhor, amável e carinhosa. Eu sou borderline, mas sou humana, consciente e tenho insights.
Mas ele não estava inclinado a conversar, queria apenas me convencer que eu era bipolar e hiperativa, que meu drama em recordar o passado e sofrer com ele como se fosse sempre presente é um mecanismo de "mania" e que eu apenas tinha coincidências com o TPB. E sempre se pautava no fato de que, borderlines só chegam a clínicas e hospitais quando levados pela polícia, quando presos ou respondendo processos judiciais, ou seja, ela só consegue encarar um borderline como um criminoso e não como um ser humano vítima de um transtorno.


Voltei a estaca zero. Preciso procurar outro médico e não é só isso, preciso me encorajar novamente. Porque ter uma doença que um médico simplesmente desconhece aumenta a sensação de despersonalização, aumenta a minha sensação de nada, de bizarrice...


Não vou tomar tal remédio, não sei o que ele poderá fazer comigo, não me identifico com os sintomas de bipolaridade e da hiperatividade apenas, falta muita coisa... As pessoas mais próximas a mim, principalmente meu namorado e meu ex-companheiro de 5 anos que tomou conhecimento do meu transtorno e ficou sabendo desse resultado no consultório médico, acharam um absurdo um médico chegar a uma conclusão tão drástica em tempo recorde. Bastaram uns 40 minutos pra ele saber com certeza que sou bipolar e hiperativa.

As justificativas que ele deu pra afirmar que eu não sou borderline se baseiam apenas numa visão preconceituosa e limitada do transtorno, pela ótica dele, todo borderline é um criminoso ou um suicida, se isso não acontece todos os demais sintomas devem ser desconsiderados e ignorados. O que mais me machuca nunca foi me cortar, o que sempre me machucou é esse imenso vazio que sinto, essa necessidade de atenção, esse medo de ser comparada com outras pessoas, as ideias de que todos estão tramando o pior pra mim, que o mundo é mau e que as pessoas são cruéis, a falta de confiança no que sou e no que faço, a necessidade de ouvir elogios, a necessidade de atenção constante, as opiniões extremas, a cisão, a instabilidade de humor, o ciúme patológico e todo o resto... Agora se ele acha que pegar um bisturi e cortar meu braço dói mais que tudo isso acontecendo ano após ano, a cada esperança renovada e perdida, ele realmente não sabe o que é dor.


O primeiro passo.

Daqui a pouco irei pela primeira vez no psiquiatra, depois de muito tempo empurrando essa situação com a barriga, ora por sentir medo, outrora por não ter ânimo e não acreditar numa cura possível. Volto a pensar em tratamento depois de já ter iniciado psicoterapia e abandonado, porque na época a psicóloga falou algo que me fez sentir em segundo plano, me ofendeu, daí nunca mais voltei lá.
 Estou com a cabeça a mil, pensamentos emaranhados e o coração batendo acelerado e fora de um ritmo constante. Ansiedade, medo, pessimismo e otimismo... Me sinto bailando na corda bamba.

Existe uma cura para o Transtorno de Personalidade Borderline? TPB pode ser curado? A palavra “cura” é relevante?

Recuperar-se do TPB é um processo longo de questões a desembaraçar, de ideias distorcidas, pensamentos, reações e percepções errôneas. É uma questão de escolhas que foram feitas em uma idade muito jovem como resultado da dor sentida, das necessidades não satisfeitas, das ameaças  físicos e / ou emocionais ou trauma. É preciso aprender a compreender como você faz escolhas, e isso irá permitir-lhe em seguida, tomar a responsabilidade para si, suas escolhas e suas ações não importando qual o motivo que você percebe como a causa deles. Esta é a pedra fundamental para a cura do TPB, simplesmente – RESPONSABILIDADE PESSOAL.

Recuperar-se do TPB (ou não) é uma escolha. Para a maioria dos limítrofes, a questão que precisa ser trabalhada são numerosas, entrelaçadas e interconectadas. Este problema pode não ter todos a mesma causa. Portanto a melhor maneira de se curar do TPB é adaptar-se a uma abordagem eclética. Encontre o que funciona para você, o que tem significado para você e permita-se continuar a desafiar a sua dor e percepções.

TBP não pode ser curado com uma pílula. TBP não pode ser curado pela terapia sozinha. TBP é superar ou se render aos acontecimentos em seu passado, é quando a pessoa amadurece emocionalmente ao ponto de encontrar as suas próprias necessidades, tendo o cuidado de si mesmo, possuindo a responsabilidade pessoal e finalmente ser capaz de nutrir e acalmar a si mesmo.


É hora de dar o primeiro passo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Eu só queria que você se importasse mais com meu transtorno do que com seu clube de futebol.

Na boca um gosto amargo, no peito batimentos cardíacos acelerados, na cabeça mil e um pensamentos forçando as grades pra escapar lá de dentro na forma de palavras cruéis que escondem minha fragilidade e carência e mostram um pseudo força e revolta. Tudo mentira! Meus gritos e palavras duras não machucam ninguém além de mim mesma, meu grito é em vão, porque quem está lá fora dificilmente entenderá o que se passa aqui dentro. Desde que me descobri borderline, tenho revirado a internet em busca de artigos científicos, blogs, portais, fóruns e todo tipo de ajuda que se mostrar válida e disponível. Conheci inúmeros blogs interessantes, que estão listados ali na barra ao lado, e através de um fui encontrando outros e outros... Descobri hoje o http://www.borderlinepersonalitydisorder.com/, fiquei satisfeita em ver que existem pessoas devotadas e buscar na ciência e na fraternidade a cura pra um mal que nos domina 24 horas por dia, trazendo todo tipo de consequência. Mas uma coisa me deixa zangada, com os sintomas que iniciei descrevendo neste post além de muitos outros... É que nessa história toda, apenas eu  corri em busca de salvação, apenas eu dedico meu tempo na internet pra buscar um alívio, um caminho, um refrigério pra esse transtorno que fere o que sou e me desordena completamente.

Meu namorado não parece se preocupar muito com essa busca, não faz nada além de balançar a cabeça quando mostro algo que descobri ou conheci, desde o dia da descoberta toda busca foi feita por mim. Ele até acha bom que eu faça isso, mas não faz, não vem junto comigo, não luta junto comigo nessa guerra contra algo que está enraizado tão profundamente em mim, ele vagueia pela internet em todos os tipos de site, lendo todo tipo de coisa desde noticiário até piadas sem noção e dedica muito do seu tempo a discutir sobre futebol, tem muito sobre o time que torce decorado em mente e pronto pra disparar em forma de comentário ácido em cima de gregos e troianos, mas nada de relevante em relação ao meu transtorno ele busca. Muitas das vezes eu só queria que ele ajustasse a bússola e encontrasse algo que me servisse como analgésico pra minha agonia. Mas ele não procura nada, está sempre ocupado com alguma outra coisa e sendo assim, é porque ele não se importa.

Talvez agora ele visite o site, leia alguma coisa... Mas que diferença faz? Eu que tenho que correr por entre pedras e espinhos...

Vivo num mundo de sombras onde tudo é evanescente.


Tenho lido muito sobre o TPB, artigos médicos e muito material achado coincidentemente no grupo de pesquisa psicomotora do qual eu participo, tenho tomado grande conhecimento desse transtorno que me transforma nesse ser confuso que sou, mas ainda sofro muito com as crises e com o apetite voraz dos meus pensamentos que me ocorrem 24 horas por dia.


Não rompo com os meus padrões autodestrutivos. E eu me pergunto de onde vem tanto medo, tanta insegurança, tanto descuido com minha felicidade, sem encontrar uma explicação racional, sequer. A menina boba, aqui dentro, quer ser feliz, rodopiar, ser louca, como deveria ter sido na infância que não existiu, ou existiu marcada pela sombra e pelo vazio da ter uma mãe fria, distante que me punia e me culpava por ter um casamento de aparências, uma mãe que por muitas vezes me disse que eu era tão ruim que nem mesmo a tentativa de aborto tinha me matado...


Não controlo meus sentimentos, minhas emoções, nem meus pensamentos e que o melhor que posso fazer é tentar não me expor e não falar demais - todavia, jamais conseguirei controlar o que sinto, o que me toca, o que mexe comigo. Apesar dessa certeza e desse aprendizado, eu permito que o descontrole me afete nas coisas que me rasgam e me doem, que ele venha como um tsunami nas coisas que me devastam, mas sigo fugindo do descontrole em seus aspectos positivos. 


Às vezes acordo e tudo que eu mais queria era não ter acordado, pelo menos não nesse corpo, nesse panorama... Muitas vezes, sinto fome mas fico o dia todo sem comer por me faltar o ânimo necessário, e mesmo quando estou feliz e me sentindo amada e cuidada, tenho medo do que pode estar me esperando na próxima esquina. 


Vivo num mundo de sombras onde tudo é evanescente.


[Oceans - Pearl Jam ]
Esta música é muito significativa pra mim, porque apesar de toda a confusão que esse transtorno me causa tem alguém me esperando na praia, sempre.



Agarre-se à linha
As correntes mudarão
Me farão deslizar...
Você sabe, algo é deixado
E todos somos autorizados
A sonhar com a próxima
Oh... ohh a próxima vez que nos tocamos...

Você não tem que desviar
Os oceanos ao longe
Ondas rolam em meus pensamentos...
Segure firme o elo
O mar subirá
Por favor fique perto da praia...
Oh, oh, oh, eu estarei...
Eu estarei lá mais uma vez...






terça-feira, 29 de novembro de 2011

Desculpe, eu até pensei em te ajudar mas...

Quando uma pessoa não se compadece da sua dor e sequer entende suas necessidades, não adianta clamar a plenos pulmões por socorro, ninguém vai aparecer equipado com uma cadeira de rodas ou um par de muletas para resgatar a "doce princesa acidentada". Não vai aparecer alguém que dedique tempo, cuidado e atenção, simplesmente porque eu preciso ou porque acreditei na história de ser a mulher mais importante, ou ainda porque acredito nas máximas "querer é poder" e "o amor vence tudo". A realidade é outra... e na realidade os homens estão inclinados a ceder as necessidades e caprichos das vadias e negar e fazer pouco da necessidade de quem se valoriza. 

Ou será que faz sentido pra alguém quando um homem diz: "a fulana era uma vadia mas quando ela quebrou a perna eu rodei a Tijuca inteira em busca de uma cadeira de rodas pra ela", "a ciclana não era importante mas quando ela inventou de vender muamba na Lapa eu carreguei tudo que ela quis de Campo Grande ao Centro noite a dentro sem pensar no meu tempo perdido e sem pensar que jamais havia feito aquilo antes". Entre outros casos enquanto que, pra você que é a dita especial, a dita "mãe pros meus filhos", um telefonema procurando um maldito psiquiatra que possa tratar e medicar esse terrível transtorno borderline parece complicado, cansativo, impossível, fora do alcance e etc?!

E além de ter passado a humilhação de ter sido obrigada a escutar todas essas "incríveis aventuras românticas", ainda me coloco na ridícula situação de pedir ajuda porque me sinto diminuída diante deste panorama e por ter um mal silencioso que perturba minha mente dia e noite e que é muito mais grave que qualquer perna quebrada mas... vale a pena insistir nesse pedido? Eu realmente deveria cobrar ser tratada como alguém especial? Pra mim,a     ajuda só vale se for espontânea e feita de alma e coração limpos.

Já me dei conta de que não devo ficar cobrando nada, gentileza a gente faz quando pode e quando quer, praquelas pessoas que desejamos fazer que se sintam especiais, importantes e acima de tudo transmitir a sensação do cuidado pra que estas pessoas se saibam amadas e queridas.

Porque falar até papagaio fala e de boas intenções o inferno está cheio, eu quero atitudes. 

Porém, não espero mais nada de ninguém, depois de um tempo a gente aprende a desenvolver a frieza necessária pra seguir adiante como se nada estivesse acontecendo. Até que um dia o vento sopre e tudo encontre finalmente o seu lugar.

Sinto as esperanças se findarem, sinto os sonhos perdendo a cor, sinto o corpo cansar, o coração amargurado, a cabeça pesando... Preciso me reerguer, olho pro meu lado e não vejo ninguém, escuto uma voz apenas dizendo que vai me ajudar, na verdade não tenho uma mão amiga pra me levantar. Lutarei sozinha, mais uma vez. Isso não me assusta, isso não é mais novidade. Sempre contei com minha própria fraqueza fantasiada de força pra superar meus próprios conflitos. Antes eu nem sabia o que eu tinha, vagava perdida e sendo rotulada pelos meus sintomas que ao ver do senso comum é apenas um temperamento horrível, agora eu sei qual caminho seguir e mesmo que andando sozinha e ouvindo apenas o ruído das minhas passadas, conseguirei, se Deus quiser. 

"O oceano está cheio porque todos estão chorando
A lua cheia está a procura de amigos na maré-alta

A tristeza fica maior quando a tristeza é negada
Eu apenas conheço minha mente
Eu pertenço a mim."
(I am mine - Pearl Jam)



sábado, 12 de novembro de 2011

Os medos de uma criança num corpo adulto.


É triste estar sempre mergulhada em meio ao caos, sempre tentando sobreviver, organizar os pensamentos que são sempre tão cruéis e difíceis de organizar. Por mais que as pessoas digam que vão tentar me entender e ajudar, elas não conseguem, elas não suportam nem por alguns momentos o que eu suporto e carrego comigo o tempo todo, o peso de ser um ser amaldiçoado que sente tudo potencializado, que tem o coração desprotegido como se me faltassem as costelas, que sente tudo com tamanha intensidade como se faltasse tecido epitelial pra proteger o corpo das duras intempéries da vida. As pessoas me cobram pra ser algo que não consigo ser, exigem que eu enxergue algo que eu não consigo enxergar pois ainda sou pequena demais, porque nasci borderline, porque sinto todos os medos de uma criança mesmo estando num corpo adulto. Ninguém entende. Vivo aprisionada num mundo escuro e frio, que é só meu e que, apenas quem sofre igualmente pode compreender, todas as tentativas de interagir sentimentalmente com as pessoas que não vivem nesta prisão sem grades é fadada ao fracasso. Sinto uma dor imensa que ninguém sequer imagina que eu sinto ao me ver sorrindo, trabalhando, lutando pelos meus sonhos enquanto tento esconder de mim mesma a aberração que eu sou. Dói muito ser doente assim, mas dói ainda mais não ser compreendida. 
Choro todos os dias, como choro nesse momento, peço a Deus que me faça compreender o porque desta encarnação tão sofrida e me dê forças pra evoluir e chegar num patamar onde as dores e as frustrações sejam menores.

É preciso continuar seguindo antes que as vozes que me sugerem dar um ponto final definitivo a isso me convençam de que não tenho mais forças pra sobreviver lutando segundo após segundo.





quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Tempo...


Minha vida anda desorganizada, muitos planos engavetados no campo emocional, muitas questões em aberto, muito vazio e expectativa, muita angústia e solidão. Quero alguém que me complete e que torne minha vida mais colorida, alguém pra dormir abraçadinho e acordar-me com um beijo e pra tudo, quero ver nossos filhos brincando no tapete da sala, quero me completar. Mas me pedem tempo, eu preciso dar mais tempo, eu preciso esperar. Esperar pelo que? Esperar quanto tempo?

Tudo leva tempo e eu sei como tudo isso dói, sentir-me incapaz de mudar certas coisas e ver o tempo seguindo em frente e me deixando pra trás, faz com que eu me sinta muito impotente, dá um aperto claustrofóbico e vontade de chorar, me trancar num quarto escuro esperando que tudo acabe, mas isso não me ajuda em nada, então o negócio é aprender a cair e levantar e ganhar a vida na base da insistência, da perseverança. Mas mesmo sabendo disso tudo, nada é fácil.

Meus fantasmas sentimentais continuam me perseguindo, me sinto um depósito de mágoas e lembranças ruins e sigo sempre sentindo muito ciúmes das pegadas que as outras que passaram antes de mim deixaram, chego a pensar muitas vezes que só terei sucesso profissional, acho que sou incapaz de amar e ser amada na mesma plenitude. Ainda sonho em encontrar alguém que não me magoe, que não me faça sentir inferiorizada... Já tenho 29 anos e ainda não encontrei, acho que nunca terei o homem que idealizo... Isso me faz sentir muito mal, sou excessivamente passional, me apaixono rápido e com tamanha intensidade, escrevo poesias e construo castelos na areia e eles sempre são derrubados pelas ondas do mar... sempre!




terça-feira, 8 de novembro de 2011

Apenas um vaga-lume na escuridão...

Hoje foi um dia proveitoso, depois de verdadeiras tempestades emocionais com altas descargas de conflitos e mágoas em relação aos meus pais, que já residem em mim há mais de uma década, hoje foi um dia pra encontrar uma luzinha no fim do túnel. Encontrei alguns artigos científicos que abordam o transtorno borderline e, nas referências bibliográficas encontrei alguns livros que desejo ler.


  • Borderline - Mauro Hegenberg e Flávio Carvalho.
  • Vencendo o Transtorno da Personalidade Borderline: Com a Terapia Cognitivo-comportamental - Marsha Linehan.


E ainda tomei conhecimento da existência de grandes estudiosos do transtorno borderline no Brasil:


  • Doutor  Erlei Sassi 
  • Mauro Hegenberg


"Os borderliners melhoram com a idade”, afirma o psicanalista Mauro Hegenberg, autor do livro Borderline.
O psiquiatra que de baseia apenas nos sintomas incluídos no DSM pode errar”, diz. “É comum confundirem a doença com o transtorno bipolar, por exemplo”. Além do diagnóstico difícil, os médicos precisam saber lidar com os pacientes. “É um atendimento que demanda muita energia”, observa Hegenberg. “Você tem que deixar o celular ligado e estar à disposição 24 horas por dia. Já atendi a muitos telefonemas de pacientes que estavam à beira de um suicídio”
Quando perguntado porque ter decidido se especializar  num transtorno tão complexo, ele responde:  “O borderliner é muito cativante”, explica Hegenberg. “São pessoas interessantes, inteligentes, cheias de vida e com uma personalidade extremamente sedutora”. 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dor...

A palavra dor é pequena demais pra dizer o que estou sentindo...


Uma lágrima rola pelo rosto
Um pingo de desgosto que não quer cessar
A morte é parte da vida,
Será humano desistir, se entregar?

Mais uma vez me vejo obrigada a desistir da ideia de desistir de tudo, me fazendo acreditar que posso ser importante pra um alguém. Mas nada disso me parece muito viável quando a única pessoa pela qual me forço a viver quer me dar as costas e chamar de "mãe" alguém que não a gerou...



terça-feira, 1 de novembro de 2011

Transtorno Borderline uma prisão sem grades.

"Coração na boca, peito apertado, mãos atadas, pulmões que se enchem e esvaziam depressa demais, moleza nas pernas, euforia, determinação, suor gelado, desespero, anestesia, rubor facial, pensamentos trágicos, paralisia, vontade de desistir, necessidade, raiva, sede de vingança... tudo de uma vez, tudo alternado, tudo separado, nada...
É agora ou nunca."





quinta-feira, 27 de outubro de 2011


Que meu resto de ano, seja melhor, menos dolorido, menos confuso e traga algumas respostas que já cansei de procurar.


Royal Straight Flush

Traço de memória que se tenta desenhar e não consegue
Quadro que se pinta e quando se termina está em branco
Não consigo fugir do que sou 
Minhas escolhas não são assim tão minhas 
Melodia manchada de sangue 
Quando se está sozinha e com a mente em eterno caos, 
Se percebe nuances do ser que não existe quando é dia 
Quando se é são 
Quando se sorri.
Pequenos detalhes que me assustam 
Penso em algum deus... 
Penso nalgum demônio... 
Agora, penso tanto, que nada mereço por não conseguir ser pura 
Pensar é ser maculado.
Ruas desertas que cruzo comendo minha própria poeira 
Remoendo meus medos e mágoas
Desviando de lembranças e fantasmas.
Céu escarlate que os felizes vêem azul 
Noite negra que se faz sem estrelas aos meus olhos cadentes 
Reato alguns nós e vejo que de tudo que fiz, tudo que escrevi, tudo que conquistei 
Nada importa mais que algumas horas de pensamento tranquilo 
Mente alegre, descompromissada 
E o caos mental insiste em perfurar meu caráter que já não é mais meu 
Esperanças de amanhãs 
Minhas mãos ásperas acariciam um ser inexistente.

Poucos segundos valem a vida 
E estão guardados no peito 
Na espera do amanhã esquecido 
Na memória da treva presente existe a escuridão iminente 

Mas a tua mão me guia para a luz que existe 
E se é pouca, eu sempre soube o caminho 
Ou tive ao menos o otimismo de acreditar que encontraria 
O que jamais encontrei 
Royal Straight Flush 

Mas passarei para ver o que escondem estes teus olhos 
Tão mais valiosos que meus delírios insanos. 
E gritam em algum socorro que ainda não compreendi 
Mas estou prontamente segura de que com quatro pernas seremos aptos a caminhar 
Por mais profundas trevas que tivermos que escalar 
Por mais áridas lágrimas tivermos de chorar 


Por mais que se abrigue a maior demência perturbada em minha mente frágil 
Enquanto viver, minhas palavras florescerão, mesmo que como erva daninha 
Darão vida, por mais mórbida, por mais rastejante, a alguma folha de papel 
Minhas preces inglórias a deuses que nunca houveram 
E existem por ter teu apoio 
Mesmo que discordante 
Mesmo que incompreensivo. 
Sussurro no escuro palavras que só você conhece 
Com o significado turvo todo que existe a mim 
O abismo olha para mim, mesmo que eu não olhe para ele
Me persegue, me procura 
E me acha em berço doce 
Mas a lembrança das carícias brandas 
Me guarda da perdição 
Que seria minha existência rastejante 
Se não tivesse tido teus olhos, teu sorriso, tua mão doce em conforto 
De tão pequeno ser 
Deixe-me sentir o calor do seu corpo 
E os fluidos que emanam me alimentam 
Eternamente.

Perdida entre o caos eterno que se dá nas profundezas da minha mente e a necessidade infante de ter alguém que me tome pela mão, me guie e me faça sentir protegida e segura. Meus pés trêmulos e vacilantes necessitam de um solo pra pisar, necessitam de luz e de amável companhia. De olhos que só vejam a mim, de ouvidos que me escutem enquanto quiser falar, de boca que me fale carinhosamente e me beije com ternura... O mundo me parece cruel e eu me sinto só, o tempo todo...



segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Uma borboleta no aquário.

Eu costumo remoer mágoas e lembranças negativas. Não consigo parar de o fazer e por vezes parece ser a única coisa que me faz sentir viva. Como se fosse uma forma de auto-mutilação.

Passo dias obcecada, me sentindo injustiçada e pensando em coisas ruins.  
Acho que há um grande desprezo dos médicos em relação ao transtorno borderline, não fazem um grande esforço para a diagnosticar. Sugerem logo um quadro de depressão, bipolaridade ou estresse emocional.

Toda a minha vida persegui uma alma gêmea, vivi sempre na expectativa de encontrar aquela pessoa que ia ser perfeita em todos os as aspectos e era a pessoa ideal para mim. Mas sinto-me sempre tão carente e tenho tanta dificuldade em relacionar-me que por muitas vezes aceito a primeira pessoa que demonstra interesse em mim. Não suporto a ideia de estar sozinha. E quando conheço alguém também assumo logo que já há uma relação, e que essa pessoa me deve alguma coisa e que vai acontecer alguma coisa entre nós e não suporto a rejeição quando assim não acontece.

E eu acabo por sentir-me sozinha neste mundo que é só meu, e com tanto medo do mundo que está lá fora... 

domingo, 16 de outubro de 2011

"Eu não sou outra nada, eu sou eu".

Não é fácil dizer estas coisas, mas elas ficam em minha mente tanto tempo que são uma assombração...


Muita gente não entende o peso e a dor que uma simples palavra pode causar em alguém. Esse é o erro de julgar a todos por um só, ou por uma maioria. Não sou como a maioria, não sigo a linha de pensamento do senso comum. Tenho um processo de pensamentos que me fazem sensível no mais alto grau de dificuldade.

Assistindo ao filme, Coraline e o mundo secreto, uma frase me chamou mais atenção que qualquer outra. Em determinado momento do filme a menina encontra o gato no "outro mundo", onde todos tem um clone de botões no lugar dos olhos, e respondendo a menina, o gato diz:

"Eu não sou outra nada, eu sou eu".

Gostaria simplesmente que as pessoas enxergassem isso, eu não sou outra nada, não existe a fulana também fazia educação física, e eu realmente não quero saber se ela era parecida ou completamente diferente de mim nisso ou naquilo,  eu simplesmente não quero saber, não quero ouvir nada sobre seu passado afetivo. E digo, sinceramente, quando você fala disso pra mim, parece muito que ainda está a pensar nela. O que eu poderia pensar e/ou esperar de alguém que dias antes de sair comigo confessa gostar de outra?! Eu realmente deveria ter ficado em casa...
Mas eu não fiquei. E porque não fiquei? Porque tenho a maldita mania de adorar companhia, conversa e o terrível sonho de amar e ser amada por um príncipe encantado. E é sempre é a mesma coisa... Uma nova e dolorosa decepção. Mas ninguém entende isso... Ninguém pensa no que provoca no outro enquanto fala...


O que me cansa muito nesta história toda de ter esse transtorno borderline é ter que policiar meus pensamentos o tempo todo, desviar incansavelmente das lembranças dolorosas, viver cercada de fantasmas e conviver com pensamentos tão fortes e ideias tão contraditórias. E além de todas essas angústias que se passam em minha mente ainda convivo com as acusações das pessoas que me cercam, sempre me rotulando de nervosa, rancorosa, agressiva, instável e quando não, possuída por algum demônio... Isso, realmente cansa, é uma doença pouquíssimo divulgada, até os médicos tem dificuldades em diagnosticar. Estou sempre sendo rotulada, sendo machucada e machucando os outros, sem que ninguém saiba que sou vítimas de um mal silencioso.

Me cansa muito também brigar tanto por coisas que jamais poderão ser modificadas. Vivo me esquivando das lembranças e das associações que faço, mas nem sempre tenho êxito, é uma rotina cruel e desgastante.

Quando brigo com meu namorado, reajo sempre com uma dureza excessiva, com palavras muito cruéis e procurando ferir tanto quanto me sinto ferida e geralmente, depois de feito isso, me calo ou me escondo à espera de que ele venha  rastejar pra me pedir desculpa e suplicar que não pode viver sem mim quando no fundo é ao contrário.


Outra coisa muito comum comigo é, enjoar das pessoas. Nunca tive um relacionamento muito duradouro, justamente por me sentir sempre diminuída, sempre que qualquer namorado falasse de alguma ex, de alguma amiga que me parecesse especial... Sempre tenho a sensação de não estar sendo valorizada e respeitada o quanto eu realmente mereço. E a ideia de ouvir o nome de outra saindo da boca do meu ser amado, me causa nojo, repulsa, revolta e uma vontade irresistível de deixá-lo pra trás.
Sempre que ouço o nome e histórias de outras o ciúme me consome e eu preciso deixá-lo e me afastar. E sempre acabei por fazer isto, em dado momento já não havia mais força ou motivação pra permanecer ao lado de alguém que "tem a cara de pau e a falta de respeito e ousa falar de outra pra mim". Me sinto buscando o inexistente, um amor sem dor, uma vida sem lembranças passadas.
Tenho sucesso na área profissional, consegui encontrar algo que realmente adoro fazer, mas no quesito vida afetiva eu me sinto alguém a beira da morte, no mais profundo fracasso e sem muitas esperanças futuras. A vida sentimental é meu câncer.


sábado, 15 de outubro de 2011

Amarga desventura

Correr em horas intercaladas, vivendo entre a cruz e a espada, encontrando pedras e espinhos por um caminho que antes exalava o perfume das mais delicadas flores. 
Dar o máximo de si, se esconder das maldades do mundo, fazer do pouco um muito... 
Transformando desventuras em sinfonia, transformando lágrimas em alegrias, tudo que na vida me foi ensinado aprendi a duras penas. 
Escondo minha dor num sorriso, num poema, canto e danço sem perder tempo com planos mesquinhos, pois bem sei que o mundo é um moinho... 
Um moinho pronto pra reduzir os sonhos e as ilusões a pó... 
Pó... 
De tudo que sonhei e esperei, de tudo que abri mão e almejei, 
Hoje me sinto pó... 
Caída por entre frestas, me acomodando por entre estreitas arestas pra caber na tua vida. 
Pó... 
Jogada ao chão, tomando conta dos espaços vazios, preenchendo tudo com meu novo tom cinza. 
De uma alegre flor que um dia fui, de uma dançarina da vida que eu era... me tornei uma cruz. 
Uma cruz! O símbolo mais cruel do sofrimento, do castigo e da dor... 
Símbolo da punição injusta, símbolo de um árduo fardo... 
Eis agora o que sou... 
Já não sinto o ferver raivoso do meu sangue nas veias, já não sinto vontade de nada 
A voz se emudeceu, os assuntos todos se foram... 
Quando a sombra de uma mágoa profunda se abate em meu ser eu nada consigo fazer, perco a fala e a postura inabalável. 
Na crueldade de tuas palavras, no vazio de tuas prioridades... 
E o mais duro talvez seja, só agora saber que nesses poucos meses tanta dor pudestes me causar
Enquanto que eu bobamente acreditava na ilusão de que poderia me entregar a ti e confiar...



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