terça-feira, 8 de outubro de 2013

Abraços

O melhor lugar do mundo? É sem dúvida dentro do seu abraço. 
Nossos abraços eram o encontro de dois corações.
"Aquele abraço era o lado bom da vida, mas para valorizá-lo eu 
precisava viver. E que irônico: pra viver eu precisava perdê- lo..."



domingo, 6 de outubro de 2013

Me identificando e refletindo com Kare Kano

Comecei a assistir o anime KareKano ontem, e apesar de ser um desenho “bobinho”, me fez pensar em várias coisas, além disto tem cenas e frases bem marcantes. Mas o que me impressiona é a semelhança da personagem principal comigo. Ela precisa ser o centro das atenções, gosta de aparecer, necessita receber elogios e ser a melhor da classe e carrega muitas farsas e mentiras para esconder seu lado sombrio. 

Na escola ela conhece o menino que, assim como ela, aparenta ser um exemplo a ser seguido, mas que também tem um lado obscuro e secreto. Ambos desenvolvem uma forte amizade por conta de tudo aquilo que tem em comum e acabam se apaixonando, mas as mentiras e a vaidade narcísica da Yukino coloca tudo numa corda bamba, eles entram então numa crise existencial e precisam descobrir a si mesmos, vencer seus medos e quebrar suas máscaras para poderem ser de fato um casal, sendo apenas o que eles são na essência. 

Ele se torna o motivo pra ela deixar para trás as mentiras e as falsas aparências. E apesar de todos os encontros, desencontros, diferenças, brigas e decepções, um não consegue se afastar do outro, e eles estão sempre juntos, seja fisicamente ou em pensamentos, e esse elo tão forte se torna a razão pela qual ambos lutam para se desvencilhar de seus lados sombrios. 

Assistir esse anime me fez refletir minha própria vida, olhar para tudo que tem me acontecido nos últimos tempos e registrar aqui o meu agradecimento por ter aprendido, ainda que por meio de sofrimento e vergonha, a buscar a verdade dentro de mim e dizê-la e vivê-la.

Você abriu-me os olhos para mim mesma, você enfiou o dedo naquela ferida profunda que eu fingia não existir, você provocou uma erupção em mim e isso é algo que eu jamais vou esquecer. Você me fez renascer, ressurgir e aprender que eu posso ser bem-sucedida, interessante, carismática, ter amigos, ser amada, ser inteligente e etc. sem estórias mirabolantes, sem precisar “encantar” as pessoas com mentiras, sem usar máscaras, você me ensinou a ser eu mesma e isso é libertador. É algo que eu jamais esquecerei e é algo que vai mudar completamente a minha vida. Eu queria te agradecer por isto,  és alguém que apesar de todas as suas próprias dificuldades consegue me ajudar a encontrar-me, a ser melhorMuito obrigada por dar vida a mulher que vivia presa aqui dentro, sufocada num mar de mentiras.



Ao som de: Wish You Were Here - Pink Floyd


sábado, 5 de outubro de 2013

Finalmente a verdade... e a libertação!


"É árdua, sem dúvida, a tarefa de nos construirmos. Tal como – noutro plano – a de enriquecer. Quando fingimos ser o que não somos, fazemos algo semelhante ao que faz aquele que assalta um banco para se tornar rico: escolhemos o caminho que prescinde da paciência e do esforço. E esse caminho não pode trazer – nem a nós nem aos outros – nada de bom. Não é autêntico.

Acontece-nos por vezes que temos objetivos que exigem de nós aquilo que ainda não somos capazes de dar. Nesses momentos, devíamos compreender, simplesmente, que aquilo não é para nós; que ainda temos de crescer; que nos falta uma determinada porção de esforço e de luta". (Paulo Geraldo)


Procurando entender 

Prosseguir e entender: 
Este impulso da vida. 
Perseguir e aprender: 
A verdade perdida. 

Mas persigo, insisto, 
E tento explicar: 
Teu sentimento perdido, 
Tentando encontrar. 

Confusa, insegura, 
Consigo te amar: 
Perene, infinito, 
No fundo do olhar. 

Fitando feridas, 
No céu cativar: 
O gosto amargo, 
Do beijo... e o chorar. 

Esquecer o impossível; 
Teu amor desejar... 
Permanecer incansável - 
E em teu colo sonhar. 


Que alívio em dizer a verdade, se desfazer das máscaras, dos personagens, das mentiras e das manipulações... É como tirar uma tonelada das costas, sinto-me mais encorajada a seguir em frente e agora, sem os grilhões que me prendiam ao chão, a caminhada será mais tranquila. E é muito bom poder contar com um braço estendido, com uma mão amiga e muita paciência pra tornar isso real. 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Pequenas Satisfações e o Longo Caminho da Terapia

Antes de tudo, já é outubro, novos dias, novos tempos, novas decisões... Estava me arrastando numa fase lodosa, difícil, depressiva e dolorosa... Entre muitas dúvidas, medos, incertezas, ansiedade, temores quanto ao futuro, culpa quanto ao passado. Mas hoje, eu tive uma conversa, uma conversa daquelas que, de tão honesta me lavou a alma e me fez vislumbrar um novo horizonte. Não que tudo tenha se resolvido por mágica, de uma hora pra outra, num "plim",  mas eu pude perceber que nem tudo está perdido e que não vale a pena definhar entre uma agulhada e outra, entre mergulhos nas lembranças do passado, entre um comprimido de calmante e outro. Não adianta empurrar a vida sem vontade, sem ânimo como se tudo estivesse perdido, me vitimizando e me permitindo ser vítima... Muitas coisas estão fervilhando na minha cabeça e eu pretendo organizar tudo e postar aqui pra não perder o fio da meada. Mas por agora, eu quero me concentrar nos passos da terapia breve voltada para a solução e em todas as pequenas coisas que me fazem sentir tão feliz, a começar pelas duas músicas que escolhi pra escrever esse post: Sex on Fire - Kings of Leon e Glory Box - Portishead.

As dicas da terapia:
  1. Não fique remoendo o passado, um amor frustrado ou uma oportunidade perdida, deixe de lado a vaidade de ter controle sobre o que você não pode controlar.
  2. Não tenha dó de si, enfrente seus problemas e o que houver de mais difícil em sua vida.
  3. Olhe para os outros pelo que eles são e não pela forma como você quer enxergar e/ou como você idealiza.

As pequenas coisas que me fazem feliz:

  1. Ouvir aquela música que me faz sentir linda e me remete a dias bons (Sex on Fire do Kings of Leon, por exemplo).
  2. Ouvir muito rock and roll! E sentir cada grito, cada estrofe, cada riff!
  3. Sentir cheiro de grama e terra molhada quando começa a cair a chuva.
  4. Dormir com o barulhinho da chuva na minha janela.
  5. Sentir cheirinho de café, de bolinho de chuva ou de pão quentinho.
  6. Comprar livros novos!
  7. Cheirar livros novos!
  8. Olhar minha estante de livros cheia de títulos maravilhosos!
  9. Receber aquele abraço quando eu preciso!
  10. Descobrir o nome daquele música que vinha me "enfeitiçando" há tanto tempo.
  11. Zerar aquela fase difícil do video game sem usar "cheats".


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Dor



"Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente."

(William Shakespeare)



sábado, 28 de setembro de 2013

Solidão

Caminho por entre espinhos, em cada andar.
Perco-me por entre passos curtos porém largos
Olho para o lado... Longe na distância que separa
A realidade ilusória construída por fragmentos de dor
E pedaços de sentimentos contraditórios.

Atravesso a tempestade de forma lenta e passiva
Meus olhos sangram ao enxergar,
O que não pode ser visto.
Perco os sentidos e a vida não mais é sentida,
Ela é expressa somente no instante vivido.

Dois caminhos se cruzam,
Duas estradas e um só pensamento,
A dúvida corrompe o caminhar,
Levando ao extremo da insanidade.

O que fazer se não há nada a ser feito?
O que mudar se a escolha não decide?
Esperar... Acordar... Continuar a caminhar...


Somos anjos de uma asa só.
Precisamos nos abraçar para alçar vôo.


Ao som de: Hate This And I'll Love You -  Muse

Mitomania

Dizer a verdade é um sofrimento para quem tem mitomania, doença definida como uma forma de desequilíbrio psíquico caracterizado essencialmente por declarações mentirosas vistas pelos que sofrem do mal como realidade.

É um distúrbio de comportamento e conduta que pode ser sério e pode estar associado a casos de depressão, transtorno de personalidade e que em alguns casos podem levar até ao suicídio.

Uma das grandes diferenças do mentiroso(a) esporádico ou “tradicional” para o mitômano, é que no primeiro caso o individuo não tem resistência em admitir a verdade, enquanto o portador da compulsão por mentir usa a mentira em proveito próprio ou prejuízo de outro de forma imoral sem sentir a necessidade de desfazer o engano.

As inverdades dos mitomaníacos estão relacionadas a assuntos específicos, podem ser ampliadas e atingir outros assuntos em casos considerados mais graves.

Os mitômanos não possuem consciência plena de suas palavras, os mesmos acabam por iludir os outros em histórias de fins únicos e práticos, com o intuito de suprirem aquilo de que falta em suas vidas.

É considerado um transtorno grave, necessitando o portador dela de grande atenção por parte dos amigos e familiares.

Para os mitômanos, dizer a verdade é um sofrimento. Eles contam histórias e ao mesmo tempo acreditam nelas como forma de consolo. A mentira nesse caso é somente um meio para outros fins.

O mitômano sabe no fundo que o que ele diz não é totalmente verdadeiro. Neste caso a pessoa prefere acreditar em sua realidade mais que na realidade exterior. Tem a necessidade de contar essa historia para se sentir tranqüilizado e de acordo consigo mesmo.

Essa doença é definida como uma forma de desequilíbrio psíquico caracterizado por declarações mentirosas.

Esse distúrbio tem sua origem na supervalorização de suas crenças em função da angustia, TOC, depressão e pós-depressão.

A manifestação da mitomania deve-se a profunda necessidade de apreço ou atenção.

A maioria dos casos ao serem expostos, tornam-se vergonhosos. É extremamente raro mitômanos que buscam ajuda por vontade própria, pois eles não vêem que estão sofrendo de um mal.

A ajuda dos familiares e amigos se tornam extremamente importante na vida do individuo que sofre da doença, já que eles que irão indicar os pontos e erros.

Sem o apoio e após a exclusão do grupo que freqüentava o individuo acaba vivenciando uma situação sem saída e não consegue ver aquilo que ama e deseja.

O mitômano poderá apresentar sintomas de solidão e profunda melancolia. Aconselha-se que as pessoas que o rodeiam ajudem nesse processo, pois caso contrário o mitomaníaco acaba optando pelo desejo de morte.

A cura do individuo reside principalmente da conversa clara com aqueles que o rodeiam, expondo a sua vontade de melhora.

O tratamento baseia-se do apoio familiar, acompanhamento psicoterapêutico e tratamento psiquiátrico.


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Love Hate Love



No meu rádio a canção diz "tentei te amar, achei que podia, tentei ter você, achei que iria, perdido dentro da minha cabeça doentia vivo por você, mas não estou vivo, pegue minha mão antes que eu me mate, ainda te amo, eu ainda queimo..", enquanto Alice in Chains canta "Love Hate Love" eu vejo as horas passando lentas, com os pensamentos devorando o pouco de sanidade que me resta, perdida num abismo de verdades e mentiras onde um turbilhão de sentimentos me consomem por dentro e eu não consigo expressar, não consigo externar... Os pensamentos me perseguem, as lembranças me fazem sentir culpada e me sinto encurralada. Espero a ajuda do tempo, espero a ajuda de um deus no qual eu não consigo mais ter fé, espero chegar perto da cura me permitindo ser uma cobaia de procedimentos inovadores, espero por tudo esperando por nada... 

- A ferida vai cicatrizar um dia e a dor cessará mais cedo ou mais tarde e essas lágrimas que eu choro agora, secarão. Repito eu, para mim mesma.


Eu precisei criar tantas estórias e tantas ilusões pra suportar a realidade da minha vida e agora não consigo mais encontrar o caminho que me conduz a saída. Tudo se tornou cinza, enfadonho... E é uma angústia torturante querer mostrar como eu sou de verdade, mostrar porque eu criei esse universo e não conseguir... Me vejo com os pés atados em tantas mentiras,  em tantas fugas, em tantos disfarces e personagens que eu criei pra lidar com a minha dor, que eu já não sei mais quem sou eu de verdade, o que é a doença e o que é delírio...

"O abismo olha para mim, mesmo que eu não olhe para ele
Me persegue, me procura 
E me acha em berço doce 
Mas a lembrança das carícias brandas 
Me guarda da perdição 
Que seria minha existência rastejante 
Se não tivesse tido teus olhos, teu sorriso, tua mão doce em conforto...



Prosseguir é o mais difícil,
Desistir é possível,
Permanecer imutável na solidão de si mesmo
Com o tempo correndo ao contrário.

Perder o que não se tem,
Encontrar o que não se conhece,
Partir sem deixar marcas
Somente a procura do inexistente."




quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Sepultamento de um grande amor.


“…a minha dor é esta primavera que nasce e me mostra 
que o inverno se instalou definitivamente dentro de mim”.


Acho que não se pode sepultar nada sem chorar muitas lágrimas. Eu estou no vale das lágrimas, perdida no abismo que é pensar e sentir. Preciso me habituar ao vazio que você deixou e que eu insisto em não aceitar, sentir o peso da verdade que eu me recuso a acreditar...

Preciso aprender a andar pois já não possuo mais duas asas para voar, ficarei aqui com meus pés fincados ao chão me alimentando das lembranças do passado, até que um dia eu possa finalmente secar as lágrimas e andar de cabeça erguida com o vento batendo nos meus cabelos. 

Preciso te arrancar de dentro de mim, preciso expirar você e deixar o vento levar o que ficou de você em mim, preciso me esvaziar de tudo e deixar você num canto da memória, num porta retrato empoeirado na minha estante e lembrar de você de vez em quando, sem dor e sem saudades, sem culpas e sem mágoas quando eu ouvir uma das nossas músicas...


"Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo."


"Eu só aceito a condição de ter você só pra mim.
Eu sei, não é assim, mas deixa. 
Eu só aceito a condição de ter você só pra mim. 
Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir."


Ao som de: Creep - Radiohead / Dream On - Aerosmith / Creep - Stone Temple Pilots


Conto de Fadas pra suportar a vida...

Eu sustentei muitas farsas por muito tempo, doces mentiras inofensivas que davam um ar literário, cinematográfico ou épico à minha miserável e sofrida vida.  Era uma forma de alívio, de mascarar a dor e principalmente mascarar a vergonha, eu sempre tive muita vergonha da vida que eu levei como consequência da conduta dos meus pais e da forma como eles me tratavam. 

Quando eu era criança, passava o tempo a imaginar situações, estórias e vidas diferentes da que eu tinha... Sempre gostei dos livros porque eles me permitiam viajar sem sair do lugar e mantinham a minha mente fértil e sempre tive muita dificuldade em desvencilhar o real do imaginário, as coisas se permeavam e me confundiam e como minha memória sempre foi fraca isso foi criando raízes cada vez mais profundas em mim. 

Eu sempre gostei de imaginar, dar ares de grandeza a pequenas coisas, escrever com rimas ricas os eventos do cotidiano e como não prejudicava ninguém fui me embrenhando por esse caminho cada vez mais e mais... 

Eu sempre fui teatral, desde a infância, eu gostava de encenar no espelho, criar personagens e fazer monólogos, quando cresci isso me acompanhou na escola onde as minhas redações eram sempre aclamadas, e isso foi me seguindo, me seguindo silenciosamente e começou a fazer parte de mim... 

Eu sempre tive tendência ao exagero e sempre gostei de fantasiar a realidade... Porque sempre foi difícil para mim encarar a minha realidade.

"Quem é mais sentimental que eu?
Eu disse e nem assim se pôde evitar (...)
No abismo que é pensar e sentir"


domingo, 18 de agosto de 2013

Deixando a vida me arrastar...

Não sei se todas as coisas que tenho feito, pensado e falado nos últimos meses são realmente "viver", ou se são apenas desculpas que eu invento pra mim mesma fingir que está tudo bem. Não sei se realmente eu estou "aproveitando a vida" ou cavando um buraco ainda mais fundo para mim mesma. Não sei até quando precisarei de novos personagens, nomes e rostos na minha história, não sei até onde vou levar isto, não sei até quando isso vai continuar a me seguir e perseguir... Não sei até quando minha auto-estima e auto-confiança irão depender de apoio externo... Usando e me permitindo ser usada, me sinto infeliz e solitária depois que a "onda" passa... Entre surtos de raiva e tristeza, de um ciclo a outro a decepção de alguém que se vê caindo nos mesmos erros de antes e de sempre...





domingo, 11 de agosto de 2013

Border x Border


Do que adianta entender e perceber tudo? 
Se você não se importa com nada? 


Completamente desiludida com uma pessoa, também border, que eu considerava um grande amigo, um par perfeito... Que idiota eu sou!




quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Um lobo solitário.

Antes eu tinha necessidade da aprovação dos meus pais, eu me sentia dependente do elogio deles e temia as censuras, acho que por isso eu nunca me droguei ou me cortei, ou fiz coisas bem sórdidas, tudo por  "medinho" do que aqueles dois filhos da puta iam pensar de mim... E por mais que eu me esforçasse em pensar em não agradá-los e viver minha vida, era involuntário, era mais forte do que eu, e  eu sempre acabava fazendo o que eles esperavam ou aquilo que eu achava que eles fossem gostar.

O tempo tem passado, eu tenho conhecido mais o transtorno, tenho conversado, tenho estudado e estou amadurecendo e para o meu próprio bem eu decidi não ficar me aproximando daquele bando de desgraçados que me tornaram a aberração que eu sou hoje. Quando eu precisei deles, eles me abandonaram e agora eu não preciso mais deles e não existe nenhum deus para qual eu dobre meus joelhos ou acenda uma vela, que me convença de que eu devo perdoá-los. Eu sou livre!

Tenho nojo deles e de tudo que eles me fizeram. Eu não tenho família, eu não tenho ninguém, eu sou um lobo solitário, e faço questão que eles sempre saibam disso.

Eles só querem a "criança herói" ou o 'bode expiatório" deles para manter a família disfuncional funcionando no seu padrão doente e só me querem por perto pra mostrar pros amiguinhos de igreja deles, a "filhinha que deu certo", "a filhinha não drogada que só precisa aceitar jesus pra se tornar perfeitinha e salva".

Nos últimos meses, eu tomei um nojo deles, nasceu um desprezo tão grande dentro de mim... que eu não consigo mais me importar com o que eles pensam, não me importo se me censuram ou se me elogiam. Inclusive, nem a minha casa eles frequentam mais, não os convido pra entrar, eles não são bem vindos, é da portaria do prédio pra rua, e olhe lá...


E a cada vez mais eu me sinto um ser nascido de uma planta, um lobo solitário uivando pra lua, sem matilha, sem laços fraternos sanguíneos com ninguém. Não me vejo filha de duas pessoas tão abomináveis como aquelas e o que me faz feliz, o que me deixa satisfeita,  é saber que eu me tornei maior e melhor que eles, mesmo sem apoio algum, mesmo sem nenhum incentivo, mesmo com todas as humilhações, chacotas e agressões morais, mesmo com o desprezo e o abandono... Eu sou muito mais do que eles mesmos conseguiram ser. Aqueles imbecis sem cultura e sem formação, que só sabem ler a bíblia.

 Eu vou contrariar o meu destino e não vou ser como eles. Nunca!




domingo, 4 de agosto de 2013

A Família Disfuncional e o Transtorno Borderline



1
A medida que eu fui ganhando estabilidade emocional, pude entender também a dinâmica da minha família. Porque é muito difícil para uma pessoa conseguir enxergar determinados comportamentos dentro da família quando você mesmo é uma dessas pessoas que tem um papel que mantêm essa família disfuncional em funcionamento.

Eu sempre senti que carregava um peso muito grande nas minhas costas e sendo eu um dos pilares que sustentava essa “harmonia” da minha família disfuncional, era quase impossível questionar se esse peso todo que eu carregava (como culpa, raiva, frustação, sentimentos de vazio) era meu de verdade ou se parte desse peso era uma imposição para que eu fizesse parte da família.

Então eu fui atrás de informações sobre essa família que “não funciona bem” ou melhor, não funciona de forma saudável.  Vamos entender primeiro o que é essa família disfuncional.

A família disfuncional não consegue se comunicar de uma forma aberta. Numa família saudável os sentimentos podem ser expressados e não existe um “vencedor”, ou seja, todos os pontos de vista e sentimentos são levados em conta na comunicação familiar. Na família disfuncional isso não acontece, as pessoas não conversam olhando nos olhos, a empatia falha e prevalece a intolerância, um ponto de vista único que deve ser aceito por todos os indivíduos da família.

No site “Boa Saúde”da UOL, há uma matéria que diz:

Sempre que se fala em família disfuncional, estamos falando de doença nas famílias. Assim, temos todo o funcionamento familiar envolvido nesse problema”. Alguns autores psicanalistas, como José Bleger e Eduardo Kalina, desenvolveram bastante a questão das dinâmicas familiares. Pode-se falar em dois modelos básicos de desestruturação nas relações familiares: “há as famílias ‘cindidas’ e as famílias "simbióticas’”.

Nas primeiras, os membros das famílias não conseguem se relacionar entre si. Encontram-se divididos, dispersos. Funcionam e se relacionam como se, ao ficarem juntos, todos corressem riscos do ponto de vista emocional. Assim, as pessoas não podem ter um relacionamento afetivo, são frias entre si. A doença dessas famílias cindidas está na dificuldade de convívio. Os membros percebem que ao conviverem entre si eles se machucam e se afetam negativamente, uns aos outros.

Já no extremo oposto, temos as famílias simbióticas, aquelas em que os membros da família vivem num estado de fusão. Não há diferenciação entre os papéis familiares, estes são confusos e não divididos. As pessoas sentem dificuldades em viver independente dos outros membros da família, estão num estado de constante ‘grude’. Em ambos os casos, está-se falando de doenças familiares do ponto de vista do desenvolvimento afetivo, inter-relacional e de organização psíquica.”

Para que vocês possam entender ainda melhor, vamos olhar algumas “regras” (não faladas, mas que estão impostas) que podem haver numa família disfuncional:

-       Faça o que “pareça bom”, ainda que não seja honesto.

-       Não perturbe e não afunde o barco.

-       Negue coisas que você não quer ver, e elas irão embora.

-       Faça o que eu digo, ainda que eu faça o oposto.

-       Expresse somente bons sentimentos.

-       Não é certo sentir raiva ou tristeza.

-       Você nunca deve questionar o nosso comportamento e sim aceitá-lo.

-       Você deve se conformar com o que esperamos de você, aconteça o que acontecer.

-       Sua necessidades não são mais importantes que nossas necessidades.


Agora veremos algumas crenças e traços da personalidade de adultos criados em famílias disfuncionais:

-       Eles se sentem diferentes de outras pessoas e alguns acham que por alguma razão estão sendo punidos pela vida ou (para quem acredita) por Deus.

-       Eles tem dificuldade para confiar nas pessoas.

-       Eles julgam a si mesmos e ignoram suas próprias necessidades.

-       Sentem muita culpa.

-       São “viciados em sinais de aprovação”, constantemente buscando afirmação.

-       Eles tem dificuldade em sentir, identificar e expressar emoções.

-       Eles tem medo de pessoas com raiva ou de criticas pessoais.

-       Normalmente tentam controlar circunstâncias e relações e reagem de forma extrema a mudanças pelas quais não possuem nenhum controle.

-       Costumam sentir-se desesperados, presos e vitimizados.

-       Farão qualquer coisa para evitar dor e abandono.

-       Tem dificuldades para terminar projetos.

-       Podem ser impulsivos.

-       Tem tendência a adicção de drogas.

Então… o que tem o Transtorno Borderline a ver com a dinâmica da família disfuncional? Acho que eu não preciso dizer, não é?

Sei que o texto é grande, mas agüentem só mais pouco porque se vocês chegaram até aqui é porque talvez tenham se identificado com o tema e agora vem a parte dos papéis que a família escolhe para determinadas pessoas.

Esses papéis são imprescindíveis para que a família disfuncional possa sobreviver e manter seu “equilíbrio”. Normalmente eles são impostos na infância, porém, na vida adulta, o indivíduo continua a cumprir o mesmo papel. Quando a pessoa decide deixar o papel, a família tenta manter-lo ou substituir-lo por outra pessoa.

Vou colocar 4, mas existem outros:

O Herói: O herói costuma ser a criança mais velha. Ele é caracterizado por sua super-responsabilidade e conquistas. O herói permite que a família se assegure de que tudo está indo bem, já que pode sempre olhar para as conquistas do filho ou filha mais velho como uma fonte de orgulho e auto-estima. Os pais usam o herói como prova de que eles foram bons pais. Enquanto o herói pode ser um excelente aluno na escola e um líder nos esportes ou um empregado bem pago e sucedido, ele ou ela estão sofrendo de uma grande dor emocional e sentem culpa, como se nada que ele ou ela fizessem fosse bom o suficiente para curar a dor da família. A compulsão do herói por sucesso pode se transformar em estress e trabalho compulsivo. As qualidades do herói de ser o que ajuda e que cuida da família chama atenção positiva à pessoas que estão fora da família. Mas, apesar disso, o herói se sente isolado e incapaz de expressar seus verdadeiros sentimentos e experimentas intimidade nas relações.

O Scapegoat ou Bode Expiatório: É caracterizado por seu comportamento agressivo, mas na verdade ele ou ela estão sofrendo porque a atenção positiva da família quase não existe ele tem sido ignorado. O bode expiatório costuma ir mal na escola, pode experimentar drogas, se envolver em relações caóticas como um pedido de socorro. Ele é um indivíduo que a família quer esconder. Por ele prefere chamar a atenção negativamente do que não ter atenção nenhuma. É normalmente a criança mais sensível e seus sentimentos são feridos facilmente. A família, para poder senti-se “sã”, usa o scapegoat como o representante de tudo que eles não querer ser e na verdade são. O scapegoat normalmente desenvolve problemas mentais. E sendo ele “doente”, a família pode ser “normal”. Assim eles escondem seus problemas psicológicos usando o scapegoat. A criança que é escolhida como scapegoat é aquela que “não faz nada certo”. Essa criança é vista como a culpada de tudo que é indesejável e ruim. Alguns scapegoats entram na armadilha de tentar cada vez mais e mais se redimirem nos olhos da família, para que eles possam finalmente serem respeitados e apreciados por quem eles realmente são. Porém, aos olhos da família, eles nunca poderão ser bons o suficiente e nessa tentativa em vão eles acabam se destruindo ou vão embora para longe da família. Alguns sucumbem ao papel de “problemático” e se comportam de forma oscilante, já que eles sempre só recém atenção negativa. Assim desistem de tentar agradar a família e se tornam realmente pessoas agressivas e se comportam como vitimas. O Scapegoat normalmente acorda tarde para a vida e só depois de muito tempo percebe que as coisas não eram como deveriam ser, e que o problema não era sua falta de esforço para conseguir respeito da família e que se ele não aceitasse o papel que recebeu, poderia conseguir respeito fora da família disfuncional.

A criança perdida: É caracterizada pela timidez, solidão e isolação. Ele ou ela se sentem como um estranho na família, ignorado pelos pais e familiares e sentindo-se sozinho. A criança perdida busca a privacidade da sua própria companhia para estar longe do caos familiar e pode ter uma vida rica em fantasia, dentro da qual, ele ou ela mergulham. A criança perdida normalmente tem pouca habilidade comunicativa, dificuldade com a intimidade e em relações. E pode ter confusões ou conflito a respeito da sua orientação sexual e sua função. Essa criança pode estar buscando atenção ficando doente. Essa criança pode tentar cuidar de si mesma se comportando de maneira compulsiva, levando a problemas como obesidade, uso de drogas, etc. A solidão a criança perdida pode levar a problemas mentais e baixa auto-estima. Ele ou ela costumam ter poucos amigos e tem dificuldade em encontrar um parceiro para as relações amorosas.

O mascote: Esse papel se manifesta como o indivíduo que faz “palhaçada”, é divertido, hiperativo. O mascote é normalmente a criança menor e busca ser o centro das atenções na família (piadinha interna: eu tentei ser a mascota, mas já tinham o papel de bode expiatório prontinho pra mim), normalmente é aquele que entretém os familiares fazendo com que todos se sintam melhor com sua comédia e suas piadas. Porém o mascota pode estar sendo super protegido dos reais problemas da vida. Ele experimenta intensa ansiedade e medo e persiste em comportamentos imaturos quando se torna um adulto. Ao invés de lidar com os problemas , o mascota foge deles mudando de assunto e fazendo piada. Ele usa a diversão para gerar risos no seu circulo de amigos, mas normalmente não é levado a sério ou não recebe bem rejeição e criticas. Ele normalmente tem dificuldade em concertar-se e focar-se e pode desenvolver déficits de aprendizagem. Ele também sente medo de olhar honestamente para seus sentimentos e/ou comportamentos, portanto não está nunca em contato com eles. A atividade social frenética do mascota expressa na verdade um mecanismo de defesa contra sua intensa ansiedade e tensão interior. A incapacidade em ligar com esses sentimentos pode levá-lo a pensar que está louco. Se essa ansiedade e desespero não forem tratados, não é incomum que o mascota desenvolva uma doença mental, se torne dependente de drogas ou até mesmo cometa suicídio.


No meu caso, eu sempre tive uma personalidade flutuante, e trago comigo até hoje fortes marcas da criança que eu fui, sempre trocando de papéis entre o "herói" com ótimas notas e conduta exemplar, para o "bode expiatório" que era alvo (era e ainda sou) de todas as críticas e decepções da minha mãe, o bode expiatório que era a causa de tudo que dava errado na família e o "mascote" que para amenizar a própria desgraça fazia de tudo uma grande piada, uma grande peça teatral... O mascote que ri por fora e chora e sangra por dentro. E é difícil chegar a vida adulta, aos 31 anos, equilibrando todas essas personalidades machucadas num corpo só... sem saber ao certo quem eu sou e quem eu seria se as coisas tivessem sido diferentes....


sábado, 3 de agosto de 2013

Confusa

Tenho andado confusa e sem saber que rumo seguir.
Será que o caminho a ser percorrido é o caminho certo?
Será que existe o certo?
Entender a verdade por trás das entrelinhas transborda,
Sufoca a ideia de saber que o bem está subentendido no vazio.
Percorrer a verdade em meio ao caos,
Perdendo a essência do ser e existir.
Quem disse que sentir é pra dentro?
No meu caso sinto pra fora,
Com sangue e ferida que nunca se fecha.
Aonde chegar se não se sabe aonde vai?
Esquecer quem é, tentando ser algo incoerente,
Analisando o lado esquerdo sem entender direito.
Como se saber fosse fácil.



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