quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Conto de Fadas pra suportar a vida...

Eu sustentei muitas farsas por muito tempo, doces mentiras inofensivas que davam um ar literário, cinematográfico ou épico à minha miserável e sofrida vida.  Era uma forma de alívio, de mascarar a dor e principalmente mascarar a vergonha, eu sempre tive muita vergonha da vida que eu levei como consequência da conduta dos meus pais e da forma como eles me tratavam. 

Quando eu era criança, passava o tempo a imaginar situações, estórias e vidas diferentes da que eu tinha... Sempre gostei dos livros porque eles me permitiam viajar sem sair do lugar e mantinham a minha mente fértil e sempre tive muita dificuldade em desvencilhar o real do imaginário, as coisas se permeavam e me confundiam e como minha memória sempre foi fraca isso foi criando raízes cada vez mais profundas em mim. 

Eu sempre gostei de imaginar, dar ares de grandeza a pequenas coisas, escrever com rimas ricas os eventos do cotidiano e como não prejudicava ninguém fui me embrenhando por esse caminho cada vez mais e mais... 

Eu sempre fui teatral, desde a infância, eu gostava de encenar no espelho, criar personagens e fazer monólogos, quando cresci isso me acompanhou na escola onde as minhas redações eram sempre aclamadas, e isso foi me seguindo, me seguindo silenciosamente e começou a fazer parte de mim... 

Eu sempre tive tendência ao exagero e sempre gostei de fantasiar a realidade... Porque sempre foi difícil para mim encarar a minha realidade.

"Quem é mais sentimental que eu?
Eu disse e nem assim se pôde evitar (...)
No abismo que é pensar e sentir"


domingo, 18 de agosto de 2013

Deixando a vida me arrastar...

Não sei se todas as coisas que tenho feito, pensado e falado nos últimos meses são realmente "viver", ou se são apenas desculpas que eu invento pra mim mesma fingir que está tudo bem. Não sei se realmente eu estou "aproveitando a vida" ou cavando um buraco ainda mais fundo para mim mesma. Não sei até quando precisarei de novos personagens, nomes e rostos na minha história, não sei até onde vou levar isto, não sei até quando isso vai continuar a me seguir e perseguir... Não sei até quando minha auto-estima e auto-confiança irão depender de apoio externo... Usando e me permitindo ser usada, me sinto infeliz e solitária depois que a "onda" passa... Entre surtos de raiva e tristeza, de um ciclo a outro a decepção de alguém que se vê caindo nos mesmos erros de antes e de sempre...





domingo, 11 de agosto de 2013

Border x Border


Do que adianta entender e perceber tudo? 
Se você não se importa com nada? 


Completamente desiludida com uma pessoa, também border, que eu considerava um grande amigo, um par perfeito... Que idiota eu sou!




quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Um lobo solitário.

Antes eu tinha necessidade da aprovação dos meus pais, eu me sentia dependente do elogio deles e temia as censuras, acho que por isso eu nunca me droguei ou me cortei, ou fiz coisas bem sórdidas, tudo por  "medinho" do que aqueles dois filhos da puta iam pensar de mim... E por mais que eu me esforçasse em pensar em não agradá-los e viver minha vida, era involuntário, era mais forte do que eu, e  eu sempre acabava fazendo o que eles esperavam ou aquilo que eu achava que eles fossem gostar.

O tempo tem passado, eu tenho conhecido mais o transtorno, tenho conversado, tenho estudado e estou amadurecendo e para o meu próprio bem eu decidi não ficar me aproximando daquele bando de desgraçados que me tornaram a aberração que eu sou hoje. Quando eu precisei deles, eles me abandonaram e agora eu não preciso mais deles e não existe nenhum deus para qual eu dobre meus joelhos ou acenda uma vela, que me convença de que eu devo perdoá-los. Eu sou livre!

Tenho nojo deles e de tudo que eles me fizeram. Eu não tenho família, eu não tenho ninguém, eu sou um lobo solitário, e faço questão que eles sempre saibam disso.

Eles só querem a "criança herói" ou o 'bode expiatório" deles para manter a família disfuncional funcionando no seu padrão doente e só me querem por perto pra mostrar pros amiguinhos de igreja deles, a "filhinha que deu certo", "a filhinha não drogada que só precisa aceitar jesus pra se tornar perfeitinha e salva".

Nos últimos meses, eu tomei um nojo deles, nasceu um desprezo tão grande dentro de mim... que eu não consigo mais me importar com o que eles pensam, não me importo se me censuram ou se me elogiam. Inclusive, nem a minha casa eles frequentam mais, não os convido pra entrar, eles não são bem vindos, é da portaria do prédio pra rua, e olhe lá...


E a cada vez mais eu me sinto um ser nascido de uma planta, um lobo solitário uivando pra lua, sem matilha, sem laços fraternos sanguíneos com ninguém. Não me vejo filha de duas pessoas tão abomináveis como aquelas e o que me faz feliz, o que me deixa satisfeita,  é saber que eu me tornei maior e melhor que eles, mesmo sem apoio algum, mesmo sem nenhum incentivo, mesmo com todas as humilhações, chacotas e agressões morais, mesmo com o desprezo e o abandono... Eu sou muito mais do que eles mesmos conseguiram ser. Aqueles imbecis sem cultura e sem formação, que só sabem ler a bíblia.

 Eu vou contrariar o meu destino e não vou ser como eles. Nunca!




domingo, 4 de agosto de 2013

A Família Disfuncional e o Transtorno Borderline



1
A medida que eu fui ganhando estabilidade emocional, pude entender também a dinâmica da minha família. Porque é muito difícil para uma pessoa conseguir enxergar determinados comportamentos dentro da família quando você mesmo é uma dessas pessoas que tem um papel que mantêm essa família disfuncional em funcionamento.

Eu sempre senti que carregava um peso muito grande nas minhas costas e sendo eu um dos pilares que sustentava essa “harmonia” da minha família disfuncional, era quase impossível questionar se esse peso todo que eu carregava (como culpa, raiva, frustação, sentimentos de vazio) era meu de verdade ou se parte desse peso era uma imposição para que eu fizesse parte da família.

Então eu fui atrás de informações sobre essa família que “não funciona bem” ou melhor, não funciona de forma saudável.  Vamos entender primeiro o que é essa família disfuncional.

A família disfuncional não consegue se comunicar de uma forma aberta. Numa família saudável os sentimentos podem ser expressados e não existe um “vencedor”, ou seja, todos os pontos de vista e sentimentos são levados em conta na comunicação familiar. Na família disfuncional isso não acontece, as pessoas não conversam olhando nos olhos, a empatia falha e prevalece a intolerância, um ponto de vista único que deve ser aceito por todos os indivíduos da família.

No site “Boa Saúde”da UOL, há uma matéria que diz:

Sempre que se fala em família disfuncional, estamos falando de doença nas famílias. Assim, temos todo o funcionamento familiar envolvido nesse problema”. Alguns autores psicanalistas, como José Bleger e Eduardo Kalina, desenvolveram bastante a questão das dinâmicas familiares. Pode-se falar em dois modelos básicos de desestruturação nas relações familiares: “há as famílias ‘cindidas’ e as famílias "simbióticas’”.

Nas primeiras, os membros das famílias não conseguem se relacionar entre si. Encontram-se divididos, dispersos. Funcionam e se relacionam como se, ao ficarem juntos, todos corressem riscos do ponto de vista emocional. Assim, as pessoas não podem ter um relacionamento afetivo, são frias entre si. A doença dessas famílias cindidas está na dificuldade de convívio. Os membros percebem que ao conviverem entre si eles se machucam e se afetam negativamente, uns aos outros.

Já no extremo oposto, temos as famílias simbióticas, aquelas em que os membros da família vivem num estado de fusão. Não há diferenciação entre os papéis familiares, estes são confusos e não divididos. As pessoas sentem dificuldades em viver independente dos outros membros da família, estão num estado de constante ‘grude’. Em ambos os casos, está-se falando de doenças familiares do ponto de vista do desenvolvimento afetivo, inter-relacional e de organização psíquica.”

Para que vocês possam entender ainda melhor, vamos olhar algumas “regras” (não faladas, mas que estão impostas) que podem haver numa família disfuncional:

-       Faça o que “pareça bom”, ainda que não seja honesto.

-       Não perturbe e não afunde o barco.

-       Negue coisas que você não quer ver, e elas irão embora.

-       Faça o que eu digo, ainda que eu faça o oposto.

-       Expresse somente bons sentimentos.

-       Não é certo sentir raiva ou tristeza.

-       Você nunca deve questionar o nosso comportamento e sim aceitá-lo.

-       Você deve se conformar com o que esperamos de você, aconteça o que acontecer.

-       Sua necessidades não são mais importantes que nossas necessidades.


Agora veremos algumas crenças e traços da personalidade de adultos criados em famílias disfuncionais:

-       Eles se sentem diferentes de outras pessoas e alguns acham que por alguma razão estão sendo punidos pela vida ou (para quem acredita) por Deus.

-       Eles tem dificuldade para confiar nas pessoas.

-       Eles julgam a si mesmos e ignoram suas próprias necessidades.

-       Sentem muita culpa.

-       São “viciados em sinais de aprovação”, constantemente buscando afirmação.

-       Eles tem dificuldade em sentir, identificar e expressar emoções.

-       Eles tem medo de pessoas com raiva ou de criticas pessoais.

-       Normalmente tentam controlar circunstâncias e relações e reagem de forma extrema a mudanças pelas quais não possuem nenhum controle.

-       Costumam sentir-se desesperados, presos e vitimizados.

-       Farão qualquer coisa para evitar dor e abandono.

-       Tem dificuldades para terminar projetos.

-       Podem ser impulsivos.

-       Tem tendência a adicção de drogas.

Então… o que tem o Transtorno Borderline a ver com a dinâmica da família disfuncional? Acho que eu não preciso dizer, não é?

Sei que o texto é grande, mas agüentem só mais pouco porque se vocês chegaram até aqui é porque talvez tenham se identificado com o tema e agora vem a parte dos papéis que a família escolhe para determinadas pessoas.

Esses papéis são imprescindíveis para que a família disfuncional possa sobreviver e manter seu “equilíbrio”. Normalmente eles são impostos na infância, porém, na vida adulta, o indivíduo continua a cumprir o mesmo papel. Quando a pessoa decide deixar o papel, a família tenta manter-lo ou substituir-lo por outra pessoa.

Vou colocar 4, mas existem outros:

O Herói: O herói costuma ser a criança mais velha. Ele é caracterizado por sua super-responsabilidade e conquistas. O herói permite que a família se assegure de que tudo está indo bem, já que pode sempre olhar para as conquistas do filho ou filha mais velho como uma fonte de orgulho e auto-estima. Os pais usam o herói como prova de que eles foram bons pais. Enquanto o herói pode ser um excelente aluno na escola e um líder nos esportes ou um empregado bem pago e sucedido, ele ou ela estão sofrendo de uma grande dor emocional e sentem culpa, como se nada que ele ou ela fizessem fosse bom o suficiente para curar a dor da família. A compulsão do herói por sucesso pode se transformar em estress e trabalho compulsivo. As qualidades do herói de ser o que ajuda e que cuida da família chama atenção positiva à pessoas que estão fora da família. Mas, apesar disso, o herói se sente isolado e incapaz de expressar seus verdadeiros sentimentos e experimentas intimidade nas relações.

O Scapegoat ou Bode Expiatório: É caracterizado por seu comportamento agressivo, mas na verdade ele ou ela estão sofrendo porque a atenção positiva da família quase não existe ele tem sido ignorado. O bode expiatório costuma ir mal na escola, pode experimentar drogas, se envolver em relações caóticas como um pedido de socorro. Ele é um indivíduo que a família quer esconder. Por ele prefere chamar a atenção negativamente do que não ter atenção nenhuma. É normalmente a criança mais sensível e seus sentimentos são feridos facilmente. A família, para poder senti-se “sã”, usa o scapegoat como o representante de tudo que eles não querer ser e na verdade são. O scapegoat normalmente desenvolve problemas mentais. E sendo ele “doente”, a família pode ser “normal”. Assim eles escondem seus problemas psicológicos usando o scapegoat. A criança que é escolhida como scapegoat é aquela que “não faz nada certo”. Essa criança é vista como a culpada de tudo que é indesejável e ruim. Alguns scapegoats entram na armadilha de tentar cada vez mais e mais se redimirem nos olhos da família, para que eles possam finalmente serem respeitados e apreciados por quem eles realmente são. Porém, aos olhos da família, eles nunca poderão ser bons o suficiente e nessa tentativa em vão eles acabam se destruindo ou vão embora para longe da família. Alguns sucumbem ao papel de “problemático” e se comportam de forma oscilante, já que eles sempre só recém atenção negativa. Assim desistem de tentar agradar a família e se tornam realmente pessoas agressivas e se comportam como vitimas. O Scapegoat normalmente acorda tarde para a vida e só depois de muito tempo percebe que as coisas não eram como deveriam ser, e que o problema não era sua falta de esforço para conseguir respeito da família e que se ele não aceitasse o papel que recebeu, poderia conseguir respeito fora da família disfuncional.

A criança perdida: É caracterizada pela timidez, solidão e isolação. Ele ou ela se sentem como um estranho na família, ignorado pelos pais e familiares e sentindo-se sozinho. A criança perdida busca a privacidade da sua própria companhia para estar longe do caos familiar e pode ter uma vida rica em fantasia, dentro da qual, ele ou ela mergulham. A criança perdida normalmente tem pouca habilidade comunicativa, dificuldade com a intimidade e em relações. E pode ter confusões ou conflito a respeito da sua orientação sexual e sua função. Essa criança pode estar buscando atenção ficando doente. Essa criança pode tentar cuidar de si mesma se comportando de maneira compulsiva, levando a problemas como obesidade, uso de drogas, etc. A solidão a criança perdida pode levar a problemas mentais e baixa auto-estima. Ele ou ela costumam ter poucos amigos e tem dificuldade em encontrar um parceiro para as relações amorosas.

O mascote: Esse papel se manifesta como o indivíduo que faz “palhaçada”, é divertido, hiperativo. O mascote é normalmente a criança menor e busca ser o centro das atenções na família (piadinha interna: eu tentei ser a mascota, mas já tinham o papel de bode expiatório prontinho pra mim), normalmente é aquele que entretém os familiares fazendo com que todos se sintam melhor com sua comédia e suas piadas. Porém o mascota pode estar sendo super protegido dos reais problemas da vida. Ele experimenta intensa ansiedade e medo e persiste em comportamentos imaturos quando se torna um adulto. Ao invés de lidar com os problemas , o mascota foge deles mudando de assunto e fazendo piada. Ele usa a diversão para gerar risos no seu circulo de amigos, mas normalmente não é levado a sério ou não recebe bem rejeição e criticas. Ele normalmente tem dificuldade em concertar-se e focar-se e pode desenvolver déficits de aprendizagem. Ele também sente medo de olhar honestamente para seus sentimentos e/ou comportamentos, portanto não está nunca em contato com eles. A atividade social frenética do mascota expressa na verdade um mecanismo de defesa contra sua intensa ansiedade e tensão interior. A incapacidade em ligar com esses sentimentos pode levá-lo a pensar que está louco. Se essa ansiedade e desespero não forem tratados, não é incomum que o mascota desenvolva uma doença mental, se torne dependente de drogas ou até mesmo cometa suicídio.


No meu caso, eu sempre tive uma personalidade flutuante, e trago comigo até hoje fortes marcas da criança que eu fui, sempre trocando de papéis entre o "herói" com ótimas notas e conduta exemplar, para o "bode expiatório" que era alvo (era e ainda sou) de todas as críticas e decepções da minha mãe, o bode expiatório que era a causa de tudo que dava errado na família e o "mascote" que para amenizar a própria desgraça fazia de tudo uma grande piada, uma grande peça teatral... O mascote que ri por fora e chora e sangra por dentro. E é difícil chegar a vida adulta, aos 31 anos, equilibrando todas essas personalidades machucadas num corpo só... sem saber ao certo quem eu sou e quem eu seria se as coisas tivessem sido diferentes....


sábado, 3 de agosto de 2013

Confusa

Tenho andado confusa e sem saber que rumo seguir.
Será que o caminho a ser percorrido é o caminho certo?
Será que existe o certo?
Entender a verdade por trás das entrelinhas transborda,
Sufoca a ideia de saber que o bem está subentendido no vazio.
Percorrer a verdade em meio ao caos,
Perdendo a essência do ser e existir.
Quem disse que sentir é pra dentro?
No meu caso sinto pra fora,
Com sangue e ferida que nunca se fecha.
Aonde chegar se não se sabe aonde vai?
Esquecer quem é, tentando ser algo incoerente,
Analisando o lado esquerdo sem entender direito.
Como se saber fosse fácil.



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Garota Boderline

Ela está triste
ela está machucada
ela está morrendo
ela está sozinha
ela é solitária
ela é uma bagunça
ela é julgada
ela é ignorada
ela é suicida
ela é estressada
ela está confusa
ela está fodida
ela está deprimida
ela é mal compreendida
ela está cansada, mas ainda vive
ela está ferida, mas não vai mostrar isso
ela está gritando, mas é o silêncio
ela está com dor, mas ainda sorrindo
ela sou eu.




domingo, 3 de fevereiro de 2013

O "grande jogo das indiretas"

Eu sou uma tagarela incondicional... Gosto de falar, gesticular e ser o centro das atenções. Mas, às vezes, a única solução visível é calar-se... Silenciar tanto as dores quanto a esperança. Pois mesmo a tagarela que sou, sabe que não adianta gritar por socorro quando todos estão surdos

Sou doente, nada mais, nada menos. Não escolhi ser assim e meus sintomas clínicos e psiquiátricos não podem ser tratados meramente como um "jogo de indiretas". Meus sintomas me doem, me fazem sofrer e sangrar e ainda que o TPB agora seja um fantasma mais conhecido e mais controlado, ainda que ele tenha se tornado "apenas" um traço, eu ainda sou uma criatura com necessidades especiais

A mesma criatura que vem sendo negligenciada desde a infância, a adolescência... mas já não adianta remoer o passado, nada acontece, nada muda... Os responsáveis pelo meu cárcere emocional se premiaram com a auto absolvição, não há consciência, nem remorso... nada! Eles acreditam ter agido da maneira correta. Já falei disso aqui antes, e antes e antes... O passado não muda e infelizmente, o presente o tem imitado. 

Eu sou apenas uma jogadora veterana no hall das indiretas... Eu estou tão cansada que resolvi silenciar, engolir o amargo da vida e aceitar que certas pessoas não mudam, que o mal predomina em muitas pessoas e que poucos são os seres humanos capazes de entender alguém extremamente sensível e assustado. 

Minha criança interior, negligenciada e amedrontada não consegue confiar em ninguém...

Vou manter meu silêncio, ele é a voz da minha desesperança e da minha total incredulidade em dias com pessoas melhores. O que são pessoas melhores? O que são pessoas boas? Até quando elas permanecem "boas"? Por quais razões?




"Escuridão já vi pior 
De endoidecer gente sã 
Espera que o sol já vem... 
Tem gente que está 
Do mesmo lado que você 
Mas deveria estar do lado de lá 
Tem gente que machuca os outros 
Tem gente que não sabe amar... 
Tem gente enganando a gente 
Veja nossa vida como está 
Mas eu sei que um dia
A gente aprende 
Se você quiser alguém 
Em quem confiar 
Confie em si mesmo... 
Quem acredita Sempre alcança..."

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Impotência


Chega um momento em que você simplesmente não sabe mais o que fazer, o que dizer e nem mesmo o que pensar... 

Tudo a sua volta parece morto e desbotado, as ruas sem saída e os becos escuros. O ar se torna denso, o amor áspero e o sabor na boca é sempre o da amargura, da ansiedade, do desespero... Do medo. 

Medo do amanhã, medo do que virá, medo do que não virá por não termos mais tempo, apesar de ainda termos todo o tempo do mundo já não é mais tão cedo pra tecer belos sonhos e acreditar no porvir... 

O tempo ruge como uma fera faminta e te faz correr, mesmo sem ter para onde, mesmo sem saber até quando. 

Não tenho mais forças pra gritar suas dores e suas decepções, meus ossos estão se corroendo, minha esperança está estraçalhada e estou cansada de viver num teatro de mentiras para satisfazer as exigências da sociedade. 

Para mim és meu amado e adorado, porém, aos olhos da sociedade é um desempregado, sem formação, sustentado pelo pai e pela mulher, um vagabundo... Eu não sei mais como suportar esse peso, esse vazio... 

Gostaria de sentir orgulho de ti, gostaria de comemorar suas vitórias, te ouvir contar casos de um longo dia de trabalho, queria massagear teus pés e te receber à noite cansado, porém feliz, trazendo um buquê de flores, um cartão, um ingresso para o cinema, um sorriso e um beijo...


Minha angústia é não poder mudar a sua realidade e ainda assim, ser arrastada pra dentro dela.

Muitas das vezes, sinto vergonha de comemorar minhas pequenas vitórias e meu sucesso, pois sinto como se estivesse te ferindo, te humilhando...

É tão confuso dizer tudo isso, é tão difícil viver tudo isso... Trilhei um caminho tão árduo e longo para me tornar alguma coisa, para me erguer e agora, já não consigo mais conciliar uma coisa com a outra... Quando minha vida parecia tranquila e organizada, surgiu um grande vendaval e devastou tudo... 

Não sei o que fazer... 
Não sei o que pensar... 
Não posso fazer nada!


Decepção, É quando você revive um pesadelo passado...
Um Déjà vu da desesperança sofrida... mais uma decepção.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Identidade Secreta

Não posso me assumir publicamente, sendo TPB, fiz esse perfil só pra tratar desse assunto e não sofrer preconceitos. Porque diferentemente de um câncer, as doenças mentais não geram piedade em ninguém, geram somente o preconceito e os pré conceitos. Não quero que me olhem como uma louca, não quero ter as portas fechadas pra mim, simplesmente porque sou doente. E tá, dizem que TPB não é doença, mas eu me sinto mal a maior parte do tempo, e pra mim isso é estar doente.


Não gosto de crentes.

Quando penso nesse assunto meu corpo se contrai de angústia, meu coração acelera no peito, os olhos ficam molhados de lágrimas, os dentes ficam cerrados, os punhos se fecham e o ódio circula juntamente com meu sangue... Não quero que tentem me converter e não estou com vontade de procurar as boas ovelhas do rebanho. Atualmente, tenho minhas próprias convicções, mas esse assunto surgiu num post de um grupo TPB, e eu me abri, me abri tanto que resolvi publicar minhas palavras aqui no blog. Este é um dos assuntos mais delicados da minha vida, que me assombra e que eu evito abordar... Enfim, as mãos trêmulas e a respiração ansiosa me obrigam a terminar o que comecei... Foi no final de 1996, início de 1997 que meu mundo começou a desmoronar...

"Eu, honestamente, não gosto de crentes (evangélicos)... Imagine só, minha melhor amiga é lésbica, ela estuda comigo, na nossa turma tem um crente, certo dia, no meio de uma conversa ele disse assim pra ela: "no dia que você conhecer Jesus ele vai te libertar e você vai deixar de ser sapatão" Quer dizer, ela é lésbica por obra de um demônio?! Que preconceito irracional é esse?!"

 As pessoas distorcem muito o que leem e interpretam tudo da forma como elas querem. Sofri muitas decepções na igreja que minha mãe me levava a força. Na minha família, ninguém nunca levou minha doença a sério, pois eles acreditavam no pastor e se ele dizia que eu era endemoniada ao invés de doente, eu era endemoniada. Aos 18 anos meu pai resolveu me largar de mão, não pagou minha faculdade porque dizia que eu não ia prestar pra nada nunca. Eu saí de casa, passei muito sufoco, consegui batalhar pelo meu diploma e claro, peguei ódio da corja evangélica que, me colocaram na sarjeta como uma marginal sem cura.


Pra eles funcionava assim, ou aceita Jesus e pronto, você é liberto e perfeito em nome do Senhor ou fique com seus demônios longe de nós. Eu era tratada como uma leprosa, eles me julgavam, passavam horas com a mão na minha cabeça me rodando pra lá e pra cá, e claro, com o transtorno a flor da pele, algumas vezes eu me irritava e empurrava a pessoa ou me desvencilhava pra fugir daquilo e aí eles afirmavam mais uma vez: "tem demônio". Foi uma época de tanto sofrimento, de tanta lavagem cerebral... 

Por alguns meses eu acreditei mesmo ser endemoniada e ficava me forçando a aceitar um Deus cruel, mas não dava em nada, eu não sentia presença alguma dele em momento algum...

Só me sentia maldita, infeliz, inferior, mal compreendida e queria morrer... Foi a pior época de todos os 30 anos que tenho de vida. Quando meus pais entraram pra igreja, posso dizer que minha vida acabou, que o transtorno tomou conta de mim de maneira avassaladora...

Hoje em dia, eu educadamente, dispenso os crentes da minha vida. Cansei de ser condenada ao inferno, cansei de gente tentando me modificar, cansei de gente que não respeita a religião dos outros. Cansei da facção dos super santos. Cansei!

Eu gosto mesmo é de gente bem resolvida, feliz e com a cabeça livre de preconceitos.






Longe de mim generalizar, mas é que no meu caso, ficou uma mágoa muito grande...

domingo, 30 de dezembro de 2012

Entendendo o Abandono Borderline




Imagine o terror que você sentiria se você tivesse sete anos de idade e estivesse perdido e sozinho no meio da Times Square em Nova York. Sua mãe estava lá um segundo atrás, segurando sua mão. De repente a multidão a arrastou para longe e você não conseguiu mais vê-la. Você olha ao redor, freneticamente, tentando encontrá-la. Os desconhecidos olham de maneira ameaçadora para você. 

Assim é como as pessoas com TPB se sentem quase toda a hora. Isolados. Ansiosos. Estarrecidos com a idéia de ficarem sozinhos. Felizmente, pessoas apoiadoras são como rostos amigáveis no meio da multidão, oferecendo sorrisos, ajuda, e um abraço aconchegante. 

 Mas no momento que fazem algo que sugere uma partida iminente - ou fazem qualquer coisa que o border interprete como um sinal que eles vão partir - o border apavora-se e reage de diversas formas, desde uma explosão de raiva a implorar para que a pessoa permaneça. 

 É preciso muito pouco para engatilhar o medo do abandono – uma mulher borderline se recusa a deixar sua companheira de quarto sair do apartamento para a lavanderia. O medo do abandono pode ser tão forte que pode oprimir o border e o conduzir a reações ultrajantes. 

 Por exemplo, quando um homem disse a sua esposa border que tinha uma doença potencialmente fatal, ela enfureceu-se com ele. 

Às vezes a pessoa com TPB lhe dirá francamente que está com medo de ser abandonado. Mas mais freqüentemente, este medo se expressará de outra maneira - raiva, por exemplo. 

Sentir-se vulnerável e fora do controle pode ser uma situação provocadora de raiva. 

Se um border foi negligenciado quando criança ou cresceu em uma família severamente disfuncional, pode ter aprendido a lutar negando ou suprimindo seu terror de ser abandonado. 

 Após muitos anos de prática, eles não sentem mais a emoção original. Quando o border da sua vida se torna descontrolado ou irritado, pode ser de ajuda pensar se alguma coisa que aconteceu tenha provocado seu medo de abandono. 

 (fonte: trecho extraído do livro Stop Walking on Eggshells)

sábado, 29 de dezembro de 2012

10 Estratégias de autocontrole

O auto controle está diretamente relacionado com a o controle do impulsos dos portadores de TPB e pessoas no geral. Seguem 10 estratégias brilhantes para o desenvolvimento dessa ferramenta:


1)Como ter autocontrole – Respeite o seu limite

Um dos maiores riscos para o autocontrole é não respeitar o seu limite. Nas áreas que mais nos controlamos é que temos maior dificuldade para suportar possíveis tentações. Reconheça quando seus níveis de autocontrole estiverem baixos e procure encontrar um caminho alternativo para evitar os impulsos e vontades que não devem ser correspondidos.


2)Como ter autocontrole – Faça um comprometimento antecipado

Se comprometa com sua decisão antes de se envolver na situação tentadora. Isso é difícil porque normalmente queremos deixar todas as opções em jogo, mas, na realidade, isso prejudica ainda mais o desempenho de quem quer controlar as próprias atitudes e emoções. Se seu problema é com dinheiro, por exemplo, faça um comprometimento antecipado de que não irá gastar mais do que seu limite seguro por mês.


3)Como ter autocontrole – Use um sistema de recompensas

Recompensas podem funcionar muito bem para fortalecer o autocontrole. Todas as vezes que conseguir evitar determinado impulso e ser bem sucedido em uma situação tentadora, premie-se com algo que gostaria muito de fazer ou ter.


4)Como ter autocontrole – Ou um sistema de penalidades

Da mesma forma que você usa recompensas, use penalidades para desenvolver seu autocontrole e percepção de riscos. Ao errar, tire de si mesmo privilégios que valoriza muito como, por exemplo, acesso a redes sociais, doces ou sair nos finais de semana.


5)Como ter autocontrole – Combata o inconsciente

O inconsciente pode ser parcialmente culpado por muitas de nossos erros ao tentar resistir às tentações, já que ele entra em conflito constante com nossas decisões racionais. A dica é simples, mas difícil de por em prática, tente lutar contra as tentações em sua mente, para que elas não se desenvolvam em futuras ações.


6)Como ter autocontrole – Controle suas expectativas

Para manter sua motivação mais alta do que seus impulsos, coloque suas expectativas a seu favor. Ao invés de pensar que nunca irá conseguir, tenha expectativas positivas de que servirão como motivação para continuar.


7)Como ter autocontrole – Ajuste valores

Da mesma maneira como você pode pensar de maneira otimista, é bom que ajuste seus valores e princípios para que fortaleçam você em momentos mais difíceis. Quando valorizamos mais esses fatores do que o objeto da tentação, fica mais fácil de resistir a ela e considerar os fatores de risco e consequências.


8)Como ter autocontrole – Emoções

Se você não tiver uma boa imagem de si mesmo, será ainda mais difícil de desenvolver ao autocontrole. Tenha opinião positiva e motivadora sobre si mesmo, sem deixar que as outras pessoas ou circunstâncias determinem a maneira como você deve se sentir.


9)Como ter autocontrole – Faça afirmações

Muitas vezes ter autocontrole significa evitar maus hábitos. Uma maneira de fazer isso é usar auto-afirmações. Isso significa usar frases e palavras para reafirmar aquilo que você acredita, busca e quer manter equilibrado em sua vida.


10)Como ter autocontrole – Pense de maneira abstrata

Pense em porque você está fazendo algo e não em como está fazendo para pensar de maneira abstrata. Esse tipo de mentalidade ajuda a elevar o autocontrole e a persistência em resistir.


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Fifty Shades of Grey Soundtrack




No carro, depois do elevador... The Flower Duet (Lakmé)
No mesmo passeio de carro... Sex on fire (Kings of Leon)
Christian tem um lado triste no piano… Adagio from Concerto No 3 in D Minor (James Rhodes)
Fazendo o café da manhã... Misfit (Amy Studt)
Dirigindo de volta para WSU... I’m on fire (Bruce Springsteen)
Fazendo cooper … What if this storm ends? (Snow Patrol)
Música de fundo... Bachianas Brasileiras No. 5, Aria (Villa-Lobos)
Dançando pelo apartamento… Witchcraft (Frank Sinatra)
Dirigindo para alcançar o amanhecer (parte 1)... La Traviata – Prelude to Act 1 (Verdi)
Dirigindo para alcançar o amanhecer (parte2)... Toxic (Britney Spears)
Dirigindo para alcançar o amanhecer (parte3)... The Blower’s Daughter (Damien Rice)
De volta para casa na parte de trás do carro... Canon and Gigue in D Major: I. Canon (English Concert & Trevor Pinnock)
Sexo no quarto vermelho… Spem in alium (Peter Phillips and The Tallis Scholars)
Christian no piano mais uma vez… Prelude in E-Minor (op.28 no. 4) (Frédéric Chopin)




domingo, 16 de dezembro de 2012

Vai pro inferno sogrinha. E leva um vibrador junto!!!

Sabe... é o cúmulo do absurdo ter que aturar histeria de sogra mal amada. Ter que aturar a megera fuçando sei lá onde pra descobrir o meu endereço e mandar uma surpresa de mal gosto na minha porta bem no aniversário do meu marido, às onze horas da noite. Ter que ouvir um monte de abobrinhas de uma velha fútil que parece estar falando de um menino virgem de 14 anos e não de um homem feito de 30. É muita perturbação! Daí resolvi mandar meu último recado pra ela via e-mail, porque não pretendo perder meu tempo com quem já perdeu tudo na vida. Essa é pra você H*******

"Respeito é bom e eu gosto. Você decidiu colocar seu filho pra fora de casa trocando a fechadura covardemente enquanto ele estava viajando, desde então ele não quer mais saber de você. A escolha foi sua, o problema é todo seu. O que eu tenho a ver com isso?! Tenha um pouco de bom senso e se olhe no espelho. 

Você diz que estou cegando o seu filho. Você tem certeza disso?! Cego ele era na época que vivia sob seu domínio, acordando as dez da manhã e ficando na internet o dia todo sem fazer nada, além de ser seu garoto de serviços. Você o alienava num mundinho doente criado por você. 

Comigo, ele aprendeu o que é ser homem, o que é ser responsável, o que é ser maduro, o que é ter opinião, o que é lutar pelos sonhos, o que é trabalho, o que é vida!

Nota-se claramente que você tem uma necessidade imensa de atenção e de perturbar a paz dos outros. Não me interessa saber que métodos escusos você utilizou pra obter o endereço no qual eu vivo feliz e em muita paz com o meu marido, a única coisa que me interessa é saber que a porta desta mesma casa nunca se abrirá para você ou para qualquer pessoa por você enviada.

Não me impressiona que uma velha fútil e solitária como você não saiba o que é respeito à privacidade e às escolhas das outras pessoas. Tudo que você faz na vida é se esconder dentro de uma igreja pra manter uma mentira viva pra você mesma, a mentira de que você é perfeita e quer o bem de todos. Mas a realidade diz outra coisa. Quantas pessoas você tem ao seu lado que você pode dizer que realmente te amam? Quantas pessoas fariam qualquer coisa por você? 

Continue sua vidinha fútil e vazia de igreja e salão de beleza e nos deixe em paz.  O meu marido não escolheu ser seu filho, mas escolheu ser meu homem, goste você ou não. 

Faça o que quiser, não vou mais me incomodar com uma velha solitária fazendo escândalo nos dias amargos da sua solidão.

Nossa porta jamais se abrirá pra você. Você jamais vai segurar um neto no colo ou sequer ver uma foto dele. Nem no seu enterro nós iremos, pois você já está morta H******, morta! (Pois a verdadeira morte é o esquecimento, e você já está esquecida!)"





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