terça-feira, 20 de novembro de 2012

Adeus passado... Olá futuro!


Eu já tentei fazer terapia mil vezes e acabei abandonando a terapia mil vezes depois também. No início era legal entender meu passado, linkar com o presente e descobrir os motivos, as razões... Mas depois, a terapia se tornou um sofrido mergulho de encontro ao passado e eu acabei me cansando disto também. Como leio muito, encontrei num livro uma tal "terapia breve voltada para a solução" e gostei da proposta dela. Apesar de ser breve, ela "demora" em média 1 ano. A psicoterapia ericksoniana, um tipo de terapia breve voltada para a solução de problemas.

... em 4 passos:

1º: O que é que quer?
2º: Como é que vai saber que já tem o que quer?
3º: O que é que já está a fazer para alcançar o que quer?
4º: O que é que vai estar a acontecer quando estiver um pouco mais perto daquilo que quer?

Porque remoer o passado não vai ajudar a mudar o futuro. Percebi que as terapias convencionais me deprimiam mais e me desmotivavam muito. Com a TBVS eu aprendi a me conhecer e me aceitar mais.
“Não existem sistemas funcionais ou disfuncionais. Mesmo um sistema disfuncional tem momentos em que funciona (…) por isso, mais do que as causas dos problemas, devemos procurar como resolvê-los, procurar a diferença que faz a diferença, fazer da excepção a nova regra. A solução vem do próprio sistema, a solução vem antes do problema, é a outra face do problema. (…) Existem diferentes possibilidades de solucionar algo. A ênfase nos recursos, no que melhorou, nas soluções, no presente e futuro, no positivo, na mudança. Problemas puxam problemas, soluções puxam soluções.” (Mestre Wolfgang Lind)

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Um dia sem luz!

Hoje foi um dia terrível, perdi o controle e meti numa briga, numa discussão que foi ficando mais e mais tensa. No auge da minha adrenalina eu gritei mais, muito mais, do que devia, me expus num local público. Eu tinha a razão, mas e daí? O jeito com o qual eu conduzi a situação foi lamentável, quando dei por mim e olhei em volta, havia dezenas de pessoas me olhando, eu fiquei extremamente envergo
nhada, aflita e com medo, com muito de medo de acabar aparecendo num You Tube da vida rotulada como barraqueira, medo de mim mesma, medo de me olhar no espelho, medo de ficar remoendo isso, desejando que o tempo volte pra eu apagar... Mas não tem jeito. Eu estava indo tão bem e derrapei feio... Tudo que eu queria agora era um buraco bem fundo e escuro pra eu me enfiar nele por inteira e sumir do mapa por um tempo. Um segundo, uma escolha, uma atitude, um comportamento pode ser extremamente devastador e isso me assusta muito!



 Às vezes, a gente só precisa de um abraço e companhia. Não precisa fazer nada, só estar ali, disposto pra qualquer emergência..

 Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais. E hoje, eu fracassei mais uma vez. 


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Arabescos

Eu queria matar toda ancestralidade nascida em mim
Queria lixar os vincos pegajosos do passado
os vestígios dos primeiros neandertais na minha arcada dentária
apagar as ranhuras das falsas costelas
arrancar inúteis apêndices - caruncho no meio da carne -
quebrar o fêmur em dois e inventar uma nova nomenclatura anatômica
tornar minha face uma massa amorfa e não mais reconhecê-la em termos de parentesco
não conhecer homônimos, torná-la primitiva, origem, alfa,
feto de degenerados, reduto de loucos,
torturá-la até desfazê-la, de sólida matéria sublimada.
cavá-la até o limite do tutano, apalpar seu magma, devorá-la,
faz~e-la máscara-carranca e finalmente nascer,
dissolvida, combinação aleatória e contemporânea de átomos de carbono.
livre da semelhança de Deus,
livre do peso incomodo da humanidade.  


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Alice

"Se tivesse meu próprio mundo, tudo seriam tolices. Nada seria como é. Tudo seria o que não é. E vice-versa. O que é, não seria. E o que não seria, seria.” Alice no País das Maravilhas, uma história para adultos genialmente disfarçada de conto infantil.


Alice é uma criança entediada com o mundo que a rodeia. O livro “Alice no País das Maravilhas” começa, aliás, com esta personagem sentada à beira-rio “sem ter nada que fazer” e, por isso mesmo, “farta” da sua própria vida. Quando irrompe à sua frente um coelho branco, vestido com um colete e munido de um relógio de bolso, a menina sente-se mediatamente seduzida a segui-lo. Obsessivo com o tempo, o Coelho Branco corre em direcção à sua toca — uma cavidade que representa a porta de entrada para um universo irreal — e, por impulso, Alice vai atrás dele. À sua espera está um mundo que, apesar de maravilhoso, não traduz a perfeição de um conto de fadas.
"Alice no Pais das Maravilhas" e o sujeito desejante, ou seja, o que lhe dá sentido e lhe confere uma identidade.



domingo, 5 de agosto de 2012

Chuva de canivetes

Embora fosse verão, a noite estava fria e Lisa se molhava enquanto caminhava pra casa embaixo de uma chuva que parecia não ter fim. Na mesma noite, curiosamente mais quente, seu namorado estava num ambiente aconchegante e seco. Não era uma boa noite, pelo menos pra ela…

Ela queria proteção, pois na noite escura ela saltava os olhos para todos os lados em busca de algum perigo. Não queria mesmo in


comodar seu namorado com medos bobos de uma menina que não havia crescido direito e ainda sentia medo de trovões e do escuro. Só não queria estar ali sozinha, assustada e minúscula.

Ao ligar, ele disse que não era para ela esperar por ele.

E uma tempestade começou dentro dela… Choviam canivetes. Não sabe como chegou em casa, mas quando se deu por si estava embaixo do chuveiro, chorando, menos amortecida do que gostaria, sentindo aquilo não só na pele, como também na carne. Lisa só não queria estar ali.

Sem forças pra acreditar naquilo, ela se sentou no box, e deixou esvair-se junto com a água que corria pelo seu corpo. Queria descer pelo ralo também. Só pra não precisar estar ali, sentindo tanto…

Ela só queria que o coração parasse de querer sair pela boca, e que não vertesse mais lágrimas pelos seus olhos, então mesmo sem forças ela levantou, se secou, trocou de roupa, tudo mecanicamente. Deitou para dormir.

Mas não se sabe se Lisa realmente dormiu naquela noite.






quinta-feira, 19 de julho de 2012

Vazio

Meu humor oscila, minhas idéias oscilam, meus sentimentos oscilam, minha paciência oscila. A única coisa permanente é o vazio.



terça-feira, 10 de julho de 2012

Como é que eu troco de canal?

Muitas vezes, tarefas banais, como assistir um seriado, um filme ou ouvir uma música se tornam terrivelmente dolorosas para mim e claro, ninguém entende o que se passa...  O que acontece é que muitas das vezes, as cenas, imagens, diálogos, nomes e tudo que esta contido nos programas da televisão ou nas letras das músicas me deixam mal, começam a se misturar com a minha vida, eu faço relações com acontecimentos e me enfureço, sinto medo, me deprimo, me culpo e me vitimizo. É tudo tão rápido que não consigo prever ou controlar, a emoção me toma de súbito e quando vejo, o caos já se instalou, as brigas já começaram (não só as brigas com quem convive comigo, como as brigas internas com meus fantasmas interiores). Pra um borderline, até o lazer pode se tornar um veneno.

"Ah, vida real.... ah, vida real.... Como é que eu troco de canal?"



segunda-feira, 9 de julho de 2012

Transtorno Borderline e o filme Garota Interrompida

O transtorno Borderline de personalidade, sendo uma patologia que tem datado seu nascimento entre as décadas de 1950 e 1960, não entrou no campo de estudo de Sigmund Freud.   Os estudos do Borderline têm uma grande função na psicologia, abrangendo também o campo da psiquiatria, pois pode-se dizer que esta doença apresenta um dos piores prognósticos, tornando, assim, seu tratamento bastante difícil e complicado. Este transtorno também é considerado uma das doenças mentais de mais difícil solução. Isto é explicado pelo fato de que esta doença tem seu início na infância ou na adolescência e assim é assimilada pela personalidade ainda em formação como uma de suas características. Desta maneira, este transtorno torna-se um grande desafio para os profissionais da área. 

   O transtorno Borderline de personalidade foi definido e difundido na América Latina por Donald Meltzer com pacientes que estavam em transição, notadamente da neurose para a psiconeurose. Mas, atualmente um dos maiores estudiosos desta patologia é o vienense Otto F. Kernberg, que considera o transtorno Borderline de personalidade um dos maiores problemas de campo da psiquiatria e da psicologia.
 
 A Organização Borderline de Personalidade à Luz da Psicanálise:

   Os valiosos e profundos estudos sobre a organização borderline de personalidade foram concluídos por Otto Kernberg. Segundo este estudioso há três características dominantes relativas a este transtorno: 

   1. Grau de integração da identidade.
   2. Tipos de operações defensivas que ele habitualmente emprega.
   3. Capacidade de testar a realidade.

    Em relação a primeira característica, no Borderline há uma desintegração da identidade. Em relação a segunda característica, há uma predominância de operações defensivas primitivas centrada no mecanismo de cisão. Na terceira característica é mantido o teste de realidade. 

    Estas três características são consideradas dominantes, pois constituem a base de toda a desorganização da personalidade Borderline e são estas que vão diferenciar o Borderline dos pacientes neuróticos e psicóticos, por isso elas são bastante importantes para o diagnóstico. 

    Na sua relação com o mundo, o fato mais marcante, que exprime uma de suas características internas, é o fato dele não saber exatamente o que sente pelas pessoas e por si mesmo. Ele não sabe quando os outros são bons ou maus, apresentando uma oscilação entre extremos: num momento sente que é mau e os outros são bons e em outro momento ele se sente como bom e os outros maus. Este fato descreve sua oscilação entre a culpa e a perseguição, que são os dois sentimentos mais presentes na vida do Borderline. No primeiro momento, ele se sente culpado. Já no segundo momento se sente perseguido e esta passagem de um extremo para o outro se dá muito rápido. Este comportamento mostra uma característica interna onde o ego do sujeito não consegue discriminar representações de self ligadas a afetos amorosos de representações de self ligadas a aspectos agressivos; da mesma forma em relação às representações de objetos. Assim as representações de objeto, são sempre equivocas, transformando-se, às vezes, em segundos de idealizadamente boas à persecutórias, demonstrando a inconstância dos objetos internos, os quais são ameaçadores e a qualquer momento podem trair, derrubar, abandonar e destruir. 

   Vivendo, então, em perigo constante dentro de si mesmo, o Borderline fica extremamente ansioso e agressivo. Outra conseqüência deste perigo interno é o excessivo apego e dependência dos objetos externos, sobre tudo das figuras mais próximas e necessárias. Quanto mais ele fica dependente desses objetos externos que em um determinado momento são sentidos como maus e logo depois como bons, mais o ego do Borderline se enfraquece, carregando um alto grau de ansiedade. Mas, apesar disso, ele precisa se apegar a esses objetos externos, pois diminuem a culpa, na medida que o Borderline percebe que, apesar dos seus ataques esses objetos ainda estão vivos e imunes à maldade do self. 

     Um dos grandes agravantes do quadro Borderline é o fato de que quando ele faz sua regressão não consegue se estabelecer num único e determinado ponto de fixação na sua pré-genitalidade. Ele fica transitando entre as fases pré-genitais. Isto significa que, ao passar pelas fases pré-genitais na sua infância, não conseguiu resolver nenhuma delas ou então resolveu de uma forma pouco satisfatória tornando sua passagem por elas bastante confusa e complicada. Observando mais profundamente, parece mais do que um ponto um período de fixação que atravessaria a etapa de separação, diferenciação e reaproximação. 

   Os mecanismos de defesa primitivos protegem o ego de conflitos por meio de dissociação ou do afastamento de experiências contraditórias do self e de outros significativos, ou seja, esses mecanismos separam estados contraditórios do ego. Contanto que essas contradições possam ser mantidas separadas, a ansiedade que advém desses conflitos é prevenida ou controlada. Mas, apesar de diminuir a ansiedade, esses mecanismos quando ativados enfraquecem o ego, promovendo uma falta de integração entre os objetos internos e externos. Estes mecanismos são:

> Cisão - divisão de objetos externos em "inteiramente bons" e "inteiramente maus", e, ao mesmo tempo oscilando o mesmo objeto de um extremo para o outro. 

> Idealização Primitiva - uma idealização irreal dos objetos como inteiramente bons e poderosos e idealizadamente como maus e perversos. Uma conseqüência é em reforçamento do mecanismo de cisão. 

> Identificação Projetiva - tendência de projetar o impulso, que está a experienciar, na outra pessoa. Logo depois, começa a sentir um grande medo dessa pessoa sob a influência daquele impulso projetado. Apesar deste medo, o Borderline acredita que através deste mecanismo pode controlar a outra pessoa. 

> Negação - frente a um medo, conflito ou uma necessidade, o Borderline não expressa nenhuma reação emocional, preocupação ou ansiedade, comunicando calmamente sua conscientização cognitiva da situação. Age dessa forma para se proteger de um potencial conflito. 

> Onipotência e Desvalorização - ativam estados do ego, refletindo um self inflado, grandioso, relacionado a representações dos outros emocionalmente degradantes e depreciativas.

O super-ego é uma instância também carregada de muita agressividade, onde para dentro dele foram introjetados muitos objetos internos maus que não se distinguem bem do self. Significa dizer, então, que até certo ponto, o Borderline, não consegue discriminar self de objeto interno idealizadamente persecutório que não é outro senão o disfarçado super-ego. 

   Isso gera duas conseqüências: quando o super-ego é sentido como mau, o ego se sente perseguido. E quando o ego vivencia o super-ego como objeto mau que não se distingue do self, surge uma grande ansiedade, culpa e masoquismo.
   Enfim, a organização Borderline de personalidade vive num mundo escuro, de pesadelo, cheio de "fantasmas" ora perseguindo-o ora culpando-o. Como eles não apresentam uma divisão segura e firme que separa o pré-consciente do inconsciente e não conseguindo utilizar o mecanismo de repressão (alivia mais a angústia), vivem uma dor permanente da qual ele não pode escapar. Somente através de uma terapia psicanalítica este quadro poderá ser revertido.
               "Pode -se dizer que o tratamento da organização Borderline de personalidade consistiria economicamente numa transformação das pulsões: de morte em vida, destrutivas em amorosas sado-masoquistas, em auto-conservadoras". 


 
  

domingo, 8 de julho de 2012

Melhor mentir...



"Sim, eu sei que nada nunca é pra sempre.

Sempre é mentira de novela, mas a gente insiste,

e se a verdade é triste, é melhor mentir..."

sábado, 7 de julho de 2012

Dor

Os defeitos e falhas da mente são como feridas no corpo. Depois que todo cuidado possível foi tomado para curá-las, ainda restará uma cicatriz. 

(François de La Rochefoucauld)





Pra resumir, estou vivendo um dia infernal. Carregando uma cruz que não é minha, lidando com problemas além dos muitos que eu já tenho. Não consigo ter paz nem pra solucionar meus problemas, não há quem me entenda, nunca houve quem me ajudasse e agora eu sou criticada por não saber ajudar, por ser agressiva demais. Como oferecer a alguém algo que você jamais conheceu? Como posso sentar e ouvir as lamentações de alguém que quer apenas ser entendido e "liberado" das suas responsabilidades? Eu nunca tive quem sentasse comigo pra conversar, orientar e me entender, aprendi tudo na base da dor, foi sangrando que eu aprendi a viver, a lutar pela minha sobrevivência e através da raiva, gerada pela injustiça, eu quis um dia vencer e comecei minha caminhada por entre pedras e espinhos e agora eu não consigo dar colo e mamadeira pra ninguém, meu idioma é a revolta e meu lema é a dor.
Eu quero sair daqui, eu quero ver a luz no fim do túnel, mas não consigo guiar ninguém, pois sou cega.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Amargo

Ultimamente tem acontecido tanta coisa que eu nem tenho saco pra escrever. Minha cabeça tem doído como nunca, parece que vou enlouquecer... E eu sinto tanto ódio, tanto ódio de certas pessoas, de certas situações, e a vida me obriga a conviver com gente babaca, sem personalidade, sem culhão pra assumir o que diz, gente invejosa, gente traiçoeira, numa convenção social hipócrita, onde sorrisos são mais mordazes que facadas. Sinto a necessidade de explodir, jogar tudo ao alto e mandar todo mundo se foder... Seria tão bom se alguns deles morressem... assim, por acidente.


domingo, 24 de junho de 2012

Saio dessa prisão, ou morro!

Estou tentando viver como se eu fosse normal, como se os outros é que fossem os bizarros, estou tentando fazer de conta que não tenho nada, nem terapia, nem remédios, nem leituras científicas sobre o transtorno borderline... É como se ele fizesse parte de mim e eu simplesmente não quisesse mais dar ouvidos a ele. Mas no fundo, no fundo, estou cansada, a cabeça fica "formigando" o dia todo, a concentração é quase inexistente, a memória está cada vez mais errática e paciência anda em falta, os nervos andam a flor da pele, tenho sentido vontade de chorar, gritar, bater e quebrar. Quero me esconder do mundo mas preciso ser vista, ser notada... Que tipo de prisão é esta que estou condenada a passar o resto dos meus dias?! 
Platão acreditava que o corpo era a prisão da alma. Eu concordo com ele!

"Estou literalmente acabada.
Minha alma pede socorro.
Debato-me desesperada. 
Saio dessa prisão, ou morro!"


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Adeus, um brinde e foda-se!

Comecei a fazer terapia, estava tudo indo bem, até que precisei faltar por uns dias por motivos profissionais e também pra poder dormir um pouco a tarde e assim, aguentar a rotina de estudo e trabalho. Minha psicóloga sequer me telefonou pra saber se eu havia abandonado a terapia ou se estava ocupada demais, sequer me ofereceu um remanejamento na agenda e não se mostrou nem um pouco preocupada comigo, até os vendedores de Herbalife me ligam pra saber se estou satisfeita com os produtos e se preciso de mais alguma coisa, porém pra minha psicóloga eu não sou nada além de um número a mais na carta de clientes que paga a ela R$ 140,00 por consulta. Então, quer saber? Vou procurar outra que se importe mais comigo que com o meu dinheiro, ou que pelo menos saiba disfarçar isso bem. No mais, foda-se a antiga terapeuta.

sábado, 26 de maio de 2012

Quase 30.

Estou há algumas horas de completar 30 anos e não sinto nenhuma animação pra comemorar nada. Não é pelo impacto da chegada dos 30, porque no meu caso, chegar até aqui diante de todas as circunstâncias me faz uma sobrevivente. Mas no fundo da minha alma ecoa o vazio de quem não tem nada a comemorar a não ser aquela velha ideia que as pessoas tem de agradecer a Deus por permanecerem respirando. Não são as minhas escolhas (diretas) que me colocam neste mar de angústia e tristeza, são as escolhas dos outros que interferem na minha vida, que alteram minha rotina de "paz controlada" que me incomoda. A sensação do vazio me dilacera a alma, atravessa minhas células uma a uma e me reduz a um sistema orgânico, nada mais que um sistema orgânico funcionando. E para qualquer um é muito fácil opinar com o que fazer e como fazer, o que pensar e o que dizer, mas o único problema é: ninguém vive aqui dentro, ninguém sente minhas dores e meus medos, sendo assim dispenso a hipocrisia dos discursos de auto ajuda. A solidão, ainda que momentânea me apavora e o que eu posso fazer? Talvez procurar alguém que se preocupe com o meu dever de casa...


terça-feira, 22 de maio de 2012

Canja de Galinha não faz mal a ninguém.

Estou aprendendo a ser mais calada, me envolver menos com as pessoas, me entregar com reservas e manter o pé atrás, e não está sendo ruim, muito pelo contrário. Continuo sendo extrovertida, brincalhona quando estou com " a galera", mas em certas situações e na presença de certas pessoas, o lance agora é me resguardar. Nos trabalhos em grupo, nas aulas com pessoas imbecis ou no trabalho, a palavra de ordem tem sido silenciar e observar mais, bem mais. 

Mas como tudo tem um começo e um porque, tomar esta decisão não poderia ter sido diferente. Tudo começou quando um filho da puta, em tom amistoso e sorriso estampado no rosto me pediu um favor, que de início parecia inofensivo o que eu não esperava era que, de alguma forma, isso chegasse ao conhecimento da chefia do trabalho e me renderia uma pergunta maliciosa e uma liçãozinha patética de moral, vinda de quem faz o que eu fiz com maestria e anos no posto, mas deixa estar... O bom é que fica a lição.

Quanto ao traíra filho da puta, ele ainda anda tentando se chegar, fingir que nada aconteceu, ser meu amiguinho e eu fico na minha, em momento nenhum eu cheguei nele pra interrogar ou questionar como a ajuda que ele me pediu chegou ao conhecimento da chefia, não perguntei nada porque não curto dar moral pra macaco que quer aparecer, continuo fazendo meu trabalho e mantendo distância das rodinhas de disse-me-disse. Prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

Estou dando meu boi pra não brigar, mas sou capaz de dar uma boiada inteira pra não perder a  briga. Estou na minha, eles que não me provoquem!
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